Psicopata Americano
| Psicopata Americano | |
|---|---|
| American Psycho | |
Cartaz promocional | |
| Canadá[1] Estados Unidos[2] 2000 • cor • 101 min | |
| Direção | Mary Harron |
| Produção |
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| Roteiro |
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| Baseado em | American Psycho por Bret Easton Ellis |
| Elenco | |
| Música | John Cale |
| Cinematografia | Andrzej Sekuła |
| Edição | Andrew Marcus |
| Companhias produtoras | Edward R. Pressman Productions Muse Productions (em associação) Christian Halsey Solomon Productions (em associação) |
| Distribuição | Lions Gate Films Europa Filmes (Brasil) Columbia Pictures e Sony Pictures (Portugal) |
| Lançamento | 21 de janeiro de 2000 (Sundance) 14 de abril de 2000 (Estados Unidos) |
| Idioma | inglês |
| Orçamento | US$ 7 milhões[3] |
| Receita | US$ 34,3 milhões[3] |
American Psycho (bra/prt: Psicopata Americano)[4][5] é um filme de horror psicológico satírico americano de 2000 dirigido por Mary Harron, que coescreveu o roteiro com Guinevere Turner. É baseado no romance homônimo de 1991 de Bret Easton Ellis.[6] O filme é estrelado por Christian Bale como Patrick Bateman, um rico banqueiro de investimentos de Nova Iorque que leva uma vida dupla como assassino em série, e conta ainda com Willem Dafoe, Jared Leto, Josh Lucas, Chloë Sevigny, Samantha Mathis, Cara Seymour, Justin Theroux, Guinevere Turner e Reese Witherspoon no elenco. A trama satiriza a cultura yuppie e o consumismo na sociedade estadunidense da década de 1980, personificados por Bateman.
O produtor Edward R. Pressman comprou os direitos de filmagem para o romance em 1992. Após as discussões com David Cronenberg fracassarem, Harron foi trazida para dirigir e escalou Bale para o papel principal. A Lionsgate adquiriu a distribuição mundial em 1997 e temporariamente substituiu Harron e Bale por Oliver Stone como diretor e Leonardo DiCaprio no papel de Patrick Bateman. DiCaprio saiu em favor de The Beach, e Harron e Bale foram trazidos de volta.
Psicopata Americano estreou no Sundance Film Festival em 21 de janeiro de 2000, e foi lançado nos cinemas em 14 de abril de 2000. O filme foi um sucesso financeiro e recebeu geralmente críticas positivas, com elogios em particular à atuação de Bale e ao roteiro. Desde então, desenvolveu um seguimento cult.
Enredo
[editar | editar código]Em 1987, a vida de um rico banqueiro de investimentos de Nova Iorque, Patrick Bateman, gira ao redor de jantar em restaurantes chiques enquanto mantém as aparências para sua noiva Evelyn e seu círculo de associados ricos, a maioria de quem ele desgosta. Bateman descreve os apetrechos materiais de seu estilo de vida, incluindo seu diário exercício matinal, rotina de embelezamento, guarda-roupa elegante e mobília cara. Ele também comenta sua coleção de música, na qual inclui Huey Lewis and the News, Phil Collins e Whitney Houston.
Bateman e seus associados ostentam seus cartões de negócios em uma demonstração de vaidade. Enfurecido pela superioridade do cartão do colega de trabalho Paul Allen, Bateman assassina um homem sem-teto e mata o cachorro do homem. Em uma festa de Natal, Bateman faz planos para ter um jantar com Allen, que confunde Bateman com outro colega de trabalho, Marcus Halberstram. Bateman o atrai de volta para seu apartamento. Enquanto toca "Hip to Be Square" na caixa de som, Bateman compõe um monólogo para Allen sobre os méritos artísticos da canção e de Huey Lewis and the News, e então o mata com um machado cromado. Ele descarta o corpo de Allen, e então vai até seu apartamento para encenar a situação para que outros acreditem que Allen tinha corrido para Londres. Bateman é mais tarde entrevistado sobre o desaparecimento de Allen em seu escritório pelo detetive particular Donald Kimball.
Durante a noite, Bateman leva duas prostitutas, a quem ele nomeia Christie e Sabrina, para seu apartamento e explica a elas a evolução que ele viu na banda Genesis após a banda se distanciar do rock progressivo em direção a um som mais pop rock, começando com o álbum Duke. Após o sexo, Bateman diz a elas para ficarem, enquanto tira instrumentos que ele usa para danos corporais. Na próxima cena, elas deixam seu apartamento evidentemente ensanguentadas e maltratadas.[7]
No próximo dia, o colega de Bateman, Luis Carruthers, revela seu novo cartão de negócios. Bateman tenta matar Luis no banheiro de um caro restaurante e tenta estrangulá-lo. Luis confunde a tentativa de assassinato com uma investida sexual e declara seu amor por Bateman, que foge com nojo. Após assassinar uma modelo, Bateman convida sua secretária, Jean, para jantar, sugerindo que ela o encontre em seu apartamento para tomar drinques antes. Quando Jean chega, Bateman, sem o conhecimento dela, segura uma arma de pregos na parte de trás de sua cabeça enquanto os dois conversam. Quando ele recebe uma mensagem da secretária eletrônica de sua noiva, Evelyn, ele pede para Jean sair.
Kimball encontra Bateman para um almoço e conta para ele que ele não está sob suspeita. Bateman mais tarde convida Christie e sua conhecida Elizabeth ao apartamento de Allen para sexo, matando Elizabeth durante o ato. Christie corre, descobrindo múltiplos corpos femininos em vários quartos quando ela procura por uma saída. Bateman persegue ela nu enquanto segura uma motosserra, e atira a motosserra contra ela enquanto ela foge em uma escadaria, matando-a.
Bateman interrompe seu relacionamento com Evelyn. Naquela noite, ele usa um caixa eletrônico e encontra um gatinho vagando. O caixa exibe o texto "insira um gato abandonado". Quando ele se prepara para atirar no gato, uma mulher vê e tenta pará-lo; ele atira nela e deixa o gato ir embora. Uma perseguição policial ocorre, mas Bateman destrói os carros de polícia atirando em seus tanques de gasolina. Correndo para seu escritório, Bateman entra no prédio de escritórios errado, onde ele assassina um guarda de segurança e um zelador. Em um escritório que ele acredita ser seu, Bateman chama seu advogado Harold Carnes e freneticamente deixa uma longa confissão sobre os assassinatos na secretária eletrônica de Carnes.
Bateman então se reúne novamente com o Detetive Kimball, que permanece desconfiado dele, mas não pode provar que Allen foi assassinado, já que Allen foi flagrado em Londres após o suposto assassinato, embora o testemunho inicial fosse incerto. Kimball diz a Bateman que é possível que Allen tenha saído de férias sem informar ninguém, deixando Bateman visivelmente perturbado.
Na manhã seguinte, Bateman visita o apartamento de Allen, esperando limpar os restos mortais de Allen, mas está vazio, recém-pintado e à venda. Ele finge ser um potencial comprador, mas a corretora percebe que Bateman não está lá para comprar o apartamento. Ela então enigmaticamente diz para ele que esse não é o apartamento de Paul Allen, antes de pedir para que ele saia. Quando Bateman vai ao encontro com seus colegas e advogado para o almoço, Jean, assustada, encontra detalhados desenhos de assassinatos e mutilações na agenda de Bateman, implicando que seus assassinatos podem ser invenções da imaginação de Bateman.
Bateman vê Carnes em um restaurante e menciona a mensagem telefônica que ele deixou na noite anterior. Carnes confunde Bateman com outro colega e ri da mensagem telefônica de confissão como se fosse uma piada. Bateman desesperadamente explica quem ele é e novamente confessa seus assassinatos, mas Carnes diz que é impossível, já que ele tinha jantado com Allen em Londres dias antes. Bateman retorna para seus amigos confuso e abatido, onde eles brevemente meditam sobre se Ronald Reagan é um homem inofensivo ou um psicopata escondido, antes de discutirem suas reservas de jantar novamente. Deixando em aberto a possibilidade de que ninguém saiba que ele é um assassino, ou que ele simplesmente tenha alucinado os diversos assassinatos, a narração em voice-over de Bateman revela sua percepção de que ele irá escapar da punição que deseja e que não houve qualquer catarse: "Esta confissão nada significa".
Elenco
[editar | editar código]- Christian Bale como Patrick Bateman, um banqueiro de investimentos de Nova Iorque que leva uma vida dupla como assassino em série
- Justin Theroux como Timothy Bryce, um colega de Bateman
- Josh Lucas como Craig McDermott, um colega de Bateman
- Bill Sage como David Van Patten, um colega de Bateman
- Chloë Sevigny como Jean, a secretária de Bateman
- Reese Witherspoon como Evelyn Williams, a noiva de Bateman, por quem ele sente desprezo
- Samantha Mathis como Courtney Rawlinson, a noiva de Luis Carruthers que mantém um caso com Bateman
- Matt Ross como Luis Carruthers, um colega de Bateman e secretamente homossexual
- Jared Leto como Paul Allen, um colega banqueiro de investimentos que Bateman assassina
- Willem Dafoe como Donald Kimball, um detetive particular que investiga o desaparecimento de Paul Allen
- Cara Seymour como Christie, uma prostituta
- Guinevere Turner como Elizabeth, uma mulher que Bateman assassina
Outros membros do elenco incluem Stephen Bogaert como Harold Carnes, o advogado de Bateman; Reg E. Cathey como Al, um homem sem-teto; Krista Sutton como Sabrina, uma profissional do sexo; Catherine Black como Vanden, prima de Williams; Patricia Gage como Sra. Wolfe, uma corretora de imóveis; e Anthony Lemke como Marcus Halberstram, colega de Bateman com quem compartilha uma semelhança física. O ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan aparece em imagens de arquivo de seu discurso de 1987 sobre o caso Irã-Contras.
Produção
[editar | editar código]Desenvolvimento e roteiro
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O produtor Edward R. Pressman comprou os direitos de filmagem para adaptar o romance de Bret Easton Ellis, American Psycho, em 1992, com Johnny Depp expressando interesse no papel principal.[8] Após negociações com Stuart Gordon para dirigir não seguirem adiante, David Cronenberg foi escalado e trouxe o próprio Ellis para adaptar o romance para um roteiro. O processo foi difícil para Ellis, devido às restrições quanto às cenas pensadas por Cronenberg e por ele não querer usar nenhum material envolvendo clubes noturnos ou restaurantes do romance. O roteiro terminava com uma elaborada sequência musical para "Daybreak" de Barry Manilow no topo do World Trade Center. "Sou grato por isso não ter sido filmado, mas isso mostra onde eu estava quando fui escrever o roteiro", Ellis refletiu. "Eu estava entediado com o material."[9]
O desenvolvimento foi prolongado devido ao que a Variety chamou de "complexidade literária" do material original, o que tornou difícil adaptá-lo para o cinema.[10] Cronenberg estava insatisfeito com o rascunho de Ellis e, em março de 1994, solicitou um novo roteiro para Norman Snider;[11][12] Ellis mais tarde relembrou que Cronenberg deixou o projeto após não ter gostado ainda mais do rascunho de Snider.[11] Ellis escreveu outro rascunho para Rob Weiss em 1995, mas o filme novamente não se concretizou.[11] Pressman não queria fazer um filme que ofendesse as pessoas e descreveu o rascunho de Ellis como "completamente pornográfico".[13] Pressman apareceu no Festival de Cinema de Cannes de 1996 para pré-vender os direitos de distribuição, mas não teve sucesso.[14]
Mary Harron substituiu Cronenberg como diretora enquanto escrevia um novo roteiro com Guinevere Turner;[15] sua abordagem para o material e o personagem de Bateman foi influenciada pelo filme de terror giallo de Mario Bava Hatchet for the Honeymoon (1970), com o roteirista de Bava, Tim Lucas, notando que ambos os filmes retratam seus respectivos personagens como sendo motivados por um desejo de autodescoberta em suas matanças.[16] Harron declarou ter enfrentado críticas durante a produção por retratar Bateman como homofóbico, algo que ela considerou estranho, já que ninguém havia levantado objeções aos seus assassinatos.[17] Ela também recebeu pedidos para aprofundar a psicologia de Bateman, mas afirmou que "ter uma explicação psicológica muito clara [não era] de grande interesse para mim", pois considerava esse conceito genérico, superficial e irrealista. Harron rejeitou sugestões para explorar a família e o passado de Bateman; ela considerava isso desnecessário e acreditava que Bateman era simplesmente "um monstro".[17]

Seleção do elenco
[editar | editar código]Harron se encontrou com vários atores para o papel de Patrick Bateman, mas teve dificuldades para encontrar um candidato adequado. Ela observou que "se alguém não está 100% em um papel como [Bateman], você não pode escalá-lo e essa pessoa não deveria fazê-lo".[17] Billy Crudup foi cogitado para o papel por um mês e meio,[13] mas estava inseguro e deixou o projeto.[17] Turner apreciou a honestidade de Crudup ao admitir que não conseguia compreender o personagem. Harron enviou o roteiro para Christian Bale,[13] mas ele nunca havia lido American Psycho e, portanto, não tinha interesse.[18] Harron entrou em contato com a produtora Christine Vachon, que estava trabalhando com Bale em Velvet Goldmine (1998) na época, e Vachon disse a ele que lesse o roteiro.[13] Bale achou o roteiro engraçado e ficou imediatamente interessado, viajando para Nova Iorque para fazer um teste na sala de estar de Harron.[13][17][18]
Bale teve dificuldades para falar com um sotaque nova-iorquino, mas Harron achou claro que ele compreendia o papel.[17] Assim como Harron, Bale não tinha interesse no passado de Bateman; ele via o personagem como "um alienígena que pousou na Nova Iorque dos anos 80, descaradamente capitalista".[19] Harron sentiu que ele era o único que se encaixava no papel, dizendo mais tarde que ele "viu o papel da mesma forma que eu vi, e entendeu o humor dele". Ao testar outros atores, ela "teve a sensação de que muitos dos outros atores meio que achavam que Bateman era legal". Bale, segundo ela, não achava.[19] Harron considerou arriscado escalar o relativamente desconhecido Bale, mas "tinha muita fé nele", já que o diretor de Velvet Goldmine, Todd Haynes, disse a ela que Bale era "o melhor ator com quem já trabalhei".[19] Harron e Bale, caracterizado como Bateman, se encontraram com Ellis para jantar, uma experiência que Ellis contou a Bale mais tarde naquela noite que estava "deixando-o desconfortável".[20]
Harron escalou Christian Bale em um acordo de boa-fé,[15] e escalou Willem Dafoe e Jared Leto para papéis de apoio. O desenvolvimento prosseguiu por seis anos sofrendo rejeição pelos estúdios de Hollywood[21] quando a então distribuidora independente canadense Lionsgate Films adquiriu os direitos para distribuição mundial em abril de 1997.[21] Após um ano de espera, Bale e Harron estavam pretendendo começar a filmar em agosto de 1998 com um orçamento entre 6 e 10 milhões de dólares,[21][22] mas a Lionsgate, em vez disso, buscou Edward Norton e Leonardo DiCaprio para o papel principal, argumentando que Bale não era famoso o suficiente.[8] A Lionsgate ainda esperava finalizar um acordo com Harron,[22] enquanto o acordo verbal de Bale, sem pagamento ou contrato de atuação, foi esquecido. Harron recusou-se a se encontrar com DiCaprio, estando descontente, já que ela preferia Bale e acreditava que DiCaprio pareceria muito infantil interpretando Patrick Bateman. Ela também acreditava que a reputação do ator como ídolo adolescente por sua atuação em Romeo + Juliet, seguida de Titanic, distorceria a produção e o tom do filme.[8]
A Lionsgate estava planejando aumentar o orçamento de produção para 40 milhões de dólares na esperança de garantir o cachê de 21 milhões pedido por DiCaprio.[23] No Festival de Cinema de Cannes, um comunicado de imprensa foi emitido dizendo que DiCaprio tinha aceitado a oferta,[22] a qual foi rapidamente refutada pelo empresário de DiCaprio, Rick Yorn, que afirmou que o ator tinha simplesmente expressado interesse no projeto. Yorn também queria deixar claro que DiCaprio não tinha conhecimento da história do envolvimento entre Harron e Bale.[24] DiCaprio elaborou uma curta lista de diretores para substituir Harron, incluindo Oliver Stone, Danny Boyle e Martin Scorsese. Trabalhando a partir de um novo roteiro escrito por Matthew Markwalder, Stone foi escalado, a quem Harron chamou de "provavelmente a pior pessoa possível para fazer isso". O diretor queria eliminar o tom de sátira do roteiro de Harron, enfatizando os traços psicológicos do personagem de Patrick Bateman. Entretanto, Stone não conseguia chegar a um acordo com DiCaprio sobre a direção do filme, que decidiu abandonar o projeto e estrelar The Beach em vez disso.[8]
Bale permaneceu comprometido, recusando outros papéis em filmes e audições por nove meses, confiante de que DiCaprio iria embora.[8] A Lionsgate ainda fez uma oferta para Ewan McGregor, que recusou após Bale pessoalmente incitá-lo a fazer isso.[25] Harron e Bale foram eventualmente trazidos de volta sob um acordo de que o orçamento não excederia 10 milhões de dólares.[8] Naquele momento, Dafoe, Leto, Reese Witherspoon e Chloë Sevigny já estavam comprometidos com o projeto; Harron e Bale tentaram, sem sucesso, convencer Winona Ryder a interpretar Evelyn Williams.[17]
Pré-produção
[editar | editar código]Bale gastou vários meses treinando por si mesmo, e mais tarde três horas por dia com um treinador durante a pré-produção, para alcançar a psique apropriada para o narcisismo de Bateman.[26] Harron revelou que Bale lutou com o papel até assistir a Tom Cruise em uma entrevista no programa Late Night with David Letterman e ficar impressionado com a energia de Cruise e sua "intensa cordialidade sem nada por trás dos olhos".[27] Bale também usou a performance de Nicolas Cage em Vampire's Kiss como inspiração para o papel.[28]
Filmagens
[editar | editar código]As filmagens começaram em março de 1999 em Toronto, Canadá,[8] e duraram sete semanas,[29] com um orçamento de 7 milhões de dólares.[30] Andrzej Sekuła atuou como diretor de fotografia; ele e Harron frequentemente discutiam, com Ross lembrando que "[Sekuła] estava preparando planos que, na mente de [Harron], poderiam ser planos legais, planos bonitos, mas não contavam a história que ela queria".[19] Como empresas estadunidenses não queriam estar associadas a Psicopata Americano, a equipe de produção teve que recorrer a empresas europeias para roupas e cosméticos,[13] embora estas ainda impusessem restrições. A Rolex fez Harron mudar a frase original do romance "não toque no Rolex" para "não toque no relógio" no filme, enquanto a Cerruti 1881 proibiu Bale de usar suas roupas durante as cenas de assassinato.[31]
Embora algumas cenas externas tenham sido filmadas em Nova Iorque, onde o filme se passa, a maior parte das filmagens ocorreu no centro de Toronto. O Toronto-Dominion Centre foi usado para ser o escritório de Bateman,[32], além de uma variedade de cenas filmadas em bares e restaurantes pela cidade.[30] Ativistas contra a violência fizeram uma petição à Prefeitura de Toronto para negar à produção permissão para filmar em Toronto e organizaram protestos devido a relatos de que Paul Bernardo, que cometeu assassinatos em série e estupros em Toronto, possuía uma cópia do romance.[18][33][a] Como resultado, a produção teve dificuldades para conseguir locais de filmagem; as cenas no escritório de Bateman tiveram que ser filmadas em um estúdio de som porque os proprietários do edifício onde Harron pretendia filmar temiam publicidade negativa.[29] Harron não sabia da conexão do romance com o caso Bernardo e simpatizava com os manifestantes, mas argumentou que ela não "queria colocar um caos horrível na tela... há algo a fazer aqui que ainda não foi realmente feito, um retrato do final dos anos 80 que vale a pena colocar na tela".[18] Para evitar protestos, a produção removeu o título do filme das ordens do dia e das permissões de estacionamento.[29]

Bale trazia sua cópia do romance para o set todos os dias. Harron permaneceu fiel aos diálogos do romance, então ele "meio que folheava, olhava para ele, encontrava pequenos trechos e conversava no canto com [ela]".[19] Harron afirmou que Bale se inspirou na atuação de Nicolas Cage em Vampire's Kiss (1989) e em Tom Cruise em uma entrevista no programa Late Night with David Letterman.[34][35] Ele manteve imagens de figuras dos anos 1980 que acreditava que Bateman tentaria imitar, como Cruise e Donald Trump, em seu trailer. Adepto do método de interpretação para o ator, Bale nunca saia do personagem durante as filmagens: ele não socializava fora das câmeras, sempre falava com sotaque americano e treinava em uma academia por horas para manter o físico de Bateman.[19][20] Seu comportamento surpreendeu outros atores, com Sevigny dizendo que nunca havia visto um ator se comprometer com um papel em tal grau. Josh Lucas contou mais tarde a Bale que os outros atores "achavam que [ele] era o pior ator que já tinham visto" e não entendiam por que Harron lutou por ele.[19] Harron apelidou Bale de "Robo-Actor" por sua capacidade de controlar suas glândulas sudoríparas, algo que ela e seus colegas de elenco perceberam durante a cena dos cartões de visita.[36]
Harron e Bale não incluíram Leto dos ensaios do assassinato de Paul Allen para que a expressão de choque de Leto quando Bale corresse em sua direção com um machado fosse genuína. Os planos de Bateman golpeando Allen com seu machado tiveram que ser feitos rapidamente, pois o uso de sangue cenográfico na cena limitava o número de tomadas. Bale golpeou uma câmera revestida de acrílico enquanto a equipe borrifava sangue falso em seu rosto. O sangue cobriu apenas metade do rosto de Bale por acidente, mas Harron considerou isso "uma metáfora perfeita para o aspecto Jekyll e Hyde de Bateman: imaculado por fora, ensanguentado e psicótico por dentro".[37] Bale improvisou o moonwalk de Bateman, uma mudança em relação ao romance que Ellis inicialmente não gostou, mas passou a apreciar com o tempo.[20] Para as cenas de entrevista seguintes com Donald Kimball, Harron filmou três tomadas e pediu que Dafoe atuasse de maneira diferente em cada uma delas. Dafoe atuou como se Kimball soubesse que Bateman era o assassino de Allen na primeira, apenas suspeitasse dele na segunda e não suspeitasse de nada na terceira. As três tomadas foram então combinadas na montagem para criar incerteza em relação às intenções do personagem.[38]
Harron e Turner mantiveram a maior parte da violência fora de cena, mas Harron queria "uma cena clássica de filme de terror assustadora" com "uma grande explosão de violência" que abraçasse a brutalidade do romance.[20] Elas conceberam um ménage à trois com Bateman e duas mulheres que termina com ele assassinando-as.[20] Bale não teve problemas em aparecer nu, embora tenha usado tênis e coberto o pênis com uma meia.[36] Uma das mulheres foi interpretada por Turner, que achou "muito intimidador" ser dirigida por Harron, apesar de ter sido sua coautora por anos.[20] O plano em que Bateman assassina a personagem de Turner enquanto faz sexo com ela exigiu várias tomadas, pois foi difícil fazer o sangue cenográfico escorrer pelos lençóis como pretendiam.[20] A confissão telefônica de Bateman levou cerca de 15 tomadas porque Harron sentiu que a atuação de Bale ficava melhor conforme ele ficava mais corado. Em contraste, um plano em que Bateman retira uma máscara facial levou apenas uma tomada.[36]
Música
[editar | editar código]| American Psycho: Music from the Controversial Motion Picture | |
|---|---|
| Trilha sonora de vários artistas | |
| Lançamento | 4 de abril de 2000 |
| Gravação | década de 1980 1999–2000 |
| Duração | 58:08 |
| Gravadora | Koch |
A trilha sonora de Psicopata Americano apresenta músicas pop licenciadas de uma variedade de artistas, incluindo David Bowie, Phil Collins, The Cure, Mediæval Bæbes, New Order, Robert Palmer e Eric B. & Rakim.[39][40][41] Devido à natureza controversa do filme, obter os direitos de uso das músicas se mostrou difícil. Embora a produção tenha conseguido obter os direitos de todas as músicas necessárias,[36] Whitney Houston recusou permitir o uso de sua versão de "The Greatest Love of All" no filme, antes do início das filmagens, fazendo com que sua versão fosse substituída por um arranjo orquestral.[39]
A música "Hip to Be Square", de Huey Lewis and the News, aparece no filme e estava planejada para estar no álbum da trilha sonora, mas foi removida devido à falta de direitos de publicação. Como resultado, a Koch Records foi obrigada a recolher aproximadamente 100 mil cópias do álbum, que foram destruídas. O presidente da Koch Records, Bob Frank, disse que a remoção ocorreu porque o empresário de Huey Lewis decidiu não autorizar a inclusão da música devido à natureza violenta do filme.[39] O empresário de Lewis, Bob Brown, afirmou que o músico não havia assistido ao filme e que a banda não sabia sobre o álbum da trilha sonora, alegando que a música foi incluída sem permissão e especulando que a situação poderia ser uma campanha publicitária.[39] Em 2013, em uma entrevista à Rolling Stone, Lewis afirmou que a violência do filme não teve relação com a decisão de não permitir a inclusão da música e disse que a história de Frank era "completamente inventada".[42]

A trilha sonora original foi composta pelo músico galês e cofundador do Velvet Underground, John Cale, que também compôs a trilha de I Shot Andy Warhol,[40] junto com M. J. Mynarski.[41] Cale se juntou ao projeto porque, assim como em I Shot Andy Warhol, considerou o roteiro de Harron inteligente. Ele compôs em seu estúdio usando um sampler. Harron descreveu o trabalho de Cale como "um som com alma, até mesmo melancólico, para complementar o brilho pop da trilha sonora".[40] Cale não participou da seleção das músicas licenciadas nem da mixagem de áudio, embora, para uma cena que Harron queria que fosse perturbadora, tenha sugerido o uso de sons de animais, como as gravações de coelhos gritando que o FBI usou contra os Ramo Davidianos durante o Cerco de Waco.[40] O álbum da trilha sonora foi lançado em 4 de abril de 2000. O AllMusic classificou o álbum com três de cinco estrelas.[43]
American Psycho: Music from the Controversial Motion Picture
- "You Spin Me Round (Like a Record)" – Dope (Dead or Alive cover)
- "Monologue 1" – John Cale
- "Something in the Air" (American Psycho Remix) – David Bowie
- "Watching Me Fall" (Underdog Remix) – The Cure
- "True Faith" – New Order
- "Monologue 2" – John Cale
- "Trouble" – Daniel Ash
- "Paid in Full" (Coldcut Remix) – Eric B. & Rakim
- "Who Feelin' It" (Philip's Psycho Mix) – Tom Tom Club
- "Monologue 3" – M. J. Mynarski
- "What's on Your Mind" (Pure Energy Mix) – Information Society
- "Pump Up the Volume" – M/A/R/R/S
- "Paid in Full" (Remix) – The Racket
- "Monologue 4" (hidden track)
Outras canções que aparecem no filme mas não no álbum
- "Walking on Sunshine" – Katrina and the Waves
- "I Touch Roses" – Book of Love
- "Hip to Be Square" – Huey Lewis and the News
- "The Lady in Red" – Chris de Burgh
- "If You Don't Know Me by Now" – Simply Red
- "In Too Deep" – Genesis
- "Sussudio" – Phil Collins
- "Secreit Nicht" – Mediæval Bæbes
- "Red Lights" – Curiosity Killed the Cat
- "Simply Irresistible" – Robert Palmer
- "Greatest Love of All" – Whitney Houston (Instrumental Version)
- "Al Mirar Tu Cara" – Santiago Jimenez Jr.
- "Enjoy the Silence" – Depeche Mode
Temas e análises
[editar | editar código]O autor do romance homônimo, Bret Easton Ellis, disse: "American Psycho era um livro que eu não achava que precisasse ser transformado em filme", pois "o meio cinematográfico exige respostas", o que tornaria o livro "infinitamente menos interessante".[44] Ele também disse que, enquanto o livro tentava adicionar ambiguidade aos eventos e à confiabilidade de Bateman como narrador, o filme parecia torná-los completamente literais antes de confundir a questão bem perto do final.[45] Em uma aparição de 2014 no podcast WTF with Marc Maron, Ellis indicou que seus sentimentos em relação ao filme eram mais mistos do que negativos; ele reiterou sua opinião de que sua concepção de Bateman como um narrador não confiável não fez uma transição totalmente bem-sucedida da página para a tela, acrescentando que a narração de Bateman era tão pouco confiável que nem mesmo ele, como autor do livro, saberia dizer se Bateman estava descrevendo honestamente eventos que realmente aconteceram ou se estava mentindo ou até alucinando. Entretanto, Ellis apreciou o fato de o filme ter esclarecido o humor para audiências que confundiam a violência do romance com misoginia flagrante, quando na verdade se tratava da sátira deliberadamente exagerada que ele pretendia, e gostou que isso deu ao seu romance "uma segunda vida" ao apresentá-lo a novos leitores. Por fim, Ellis disse: "O filme estava ok, o filme era bom. Eu só não achei que precisasse ser feito."[46]
Consumismo e desumanização
[editar | editar código]Estudos acadêmicos interpretam Psicopata Americano como uma sátira à cultura consumista e ao capitalismo,[47][48] argumentando que Patrick Bateman representa uma identidade moldada por padrões de consumo, status social e superficialidade, em detrimento de relações humanas autênticas.[48] O filme retrata uma sociedade na qual aparência, riqueza e bens materiais substituem valores individuais, tornando seus personagens praticamente indistinguíveis entre si e reduzindo sua identidade a símbolos de prestígio.[48][49] Nesse contexto, a violência de Bateman é frequentemente interpretada como uma manifestação extrema do vazio existencial e da desumanização produzidos por uma cultura que transforma pessoas e relações em mercadorias,[48] enquanto a ambiguidade narrativa e o desfecho reforçam a crítica à incapacidade desse modelo social de oferecer uma identidade ou realização genuínas.[50] O personagem é retratado como obcecado pela sua aparência. A cultura baseada na imagem contribui para a valorização da juventude como ideal social e para a busca pela aparência jovem por meio de diferentes recursos disponíveis. Nesse contexto, a representação visual do indivíduo e a apresentação de si mesmo como uma espécie de mercadoria tornam-se elementos centrais na construção das relações sociais e da identidade pessoal.[48][51]
Representação da masculinidade
[editar | editar código]A masculinidade do personagem é construída como uma performance, na qual símbolos externos de sucesso, como posição profissional e status entre seus pares homens, tornam-se mecanismos de validação pessoal.[52] Nesse sentido, Bateman representa um modelo de masculinidade associado à cultura yuppie dos anos 1980.[53][54] Segundo a acadêmica Petra Fišerová, Bateman representa "o pior extremo da masculinidade hegemônica", caracterizado pelo "desejo de punir mulheres, [e] pela necessidade constante de superar outros homens".[55] Além disso, Bateman não possui uma identidade plenamente desenvolvida além dos signos sociais que reproduz, tornando-se uma figura cuja existência se baseia na manutenção de uma imagem idealizada de sucesso masculino.[56][48]
Lançamento
[editar | editar código]Divulgação
[editar | editar código]Como parte da promoção do filme, pessoas podiam se registrar para receber e-mails "de" Patrick Bateman, supostamente enviados para seu terapeuta.[57] Os e-mails, escritos por um escritor ligado ao filme e aprovados pelo autor do livro, Bret Easton Ellis, acompanham a vida de Bateman após os eventos do filme. Ele comenta acontecimentos como seu casamento com sua antiga secretária, Jean (e o iminente acordo de divórcio entre os dois), sua completa adoração pelo filho, Patrick Jr., e seus esforços para superar seus rivais nos negócios. Os e-mails também descrevem ou mencionam interações com outros personagens do romance, incluindo Timothy Price (Bryce na versão cinematográfica), Evelyn, Luis, Courtney, David, o detetive Kimball e Marcus. Entretanto, o astro do filme, Christian Bale, não ficou satisfeito com esse tipo de marketing: "Minha principal objeção é que algumas pessoas pensam que isso significa que serei eu respondendo a esses e-mails. Eu não gosto disso... Eu acho que o filme se sustenta por seus próprios méritos e deveria atrair um público que aprecia sátira inteligente. Este não é um filme slasher, mas também não é American Pie. O marketing deveria refletir isso."[57]
A Lionsgate gastou US$ 50 mil em um jogo de mercado de ações online, Make a Killing with American Psycho, que convidava os jogadores a investir em filmes, atores ou músicos usando dinheiro fictício de Hollywood. Essa estratégia de marketing teve pouco efeito sobre a receita do filme, mas o copresidente do estúdio, Tom Ortenberg, ainda afirmou que ela foi um sucesso: "O objetivo era gerar exposição e conscientização para o filme, e nós fizemos isso", disse ele. "A Lionsgate terá um lucro considerável com o filme."[58] A divulgação do filme se mostrou particularmente desafiadora, pois os distribuidores não tinham certeza de como o público interpretaria a mistura de violência e sátira. A campanha promocional acabou se concentrando na crítica do filme aos excessos da década de 1980, em vez de seus elementos mais explícitos.[59]
Classificação indicativa
[editar | editar código]| Classificação | |
|---|---|
| Brasil: | 18 anos [60] |
| Estados Unidos: | R [61] |
| Portugal: | M/16 [62] |
A Motion Picture Association of America (MPAA) inicialmente atribuiu ao filme uma classificação NC-17 (exclusivo para adultos) devido a uma cena em que Bateman participa de um ménage à trois com duas prostitutas. Os produtores removeram aproximadamente 18 segundos de filmagem para obter uma versão do filme com classificação R (restrito; menores de 17 anos requer um acompanhamento dos pais ou responsáveis).[59][63] Um diálogo foi também editado: Bateman ordena uma prostituta, Christie, para se inclinar para que a outra, Sabrina, possa "see your asshole", qual foi editada para "see your ass". A versão não editada também mostra Bateman recebendo sexo oral de Christie.[64]
Distribuição
[editar | editar código]Nos Estados Unidos, o filme foi distribuído pela Lionsgate Films. No Brasil, a distribuição ficou a cargo da Europa Filmes.[65] Em Portugal, o lançamento em VHS e DVD, foi realizado pela Columbia Pictures. Posteriormente, os DVD e Blu-ray passaram a ser distribuídos pela Sony Pictures Home Entertainment.
Formato doméstico
[editar | editar código]Um DVD de edição especial foi lançado a 21 de julho de 2005.[66] A versão uncut foi lançada em Blu-ray em 6 de fevereiro de 2007.[67]
Recepção
[editar | editar código]Bilheteria
[editar | editar código]Psicopata Americano foi um sucesso financeiro, arrecadando aproximadamente US$ 34,3 milhões mundialmente contra um orçamento estimado de US$ 7 milhões. Nos Estados Unidos e Canadá, o filme arrecadou US$ 15,1 milhões, enquanto os mercados internacionais contribuíram com US$ 19,2 milhões.[68]
Resposta da crítica
[editar | editar código]O filme estreou no Sundance Film Festival de 2000,[69] onde polarizou audiências e críticos; alguns cobriram o filme de elogios por sua escrita e pela performance de Christian Bale, outros o criticaram por sua natureza violenta.[70] As primeiras exibições em festivais geraram reações divididas, com alguns críticos elogiando o equilíbrio ousado entre os tons do filme, enquanto outros questionavam se a sátira era sutil demais.[59][71]
Após seu lançamento nos cinemas, entretanto, o filme recebeu críticas positivas em publicações importantes, incluindo o The New York Times, que o chamou de "uma refinada e enxuta comédia de terror clássica".[72] Ele foi comparado a Fight Club, no qual Leto também apareceu. No Rotten Tomatoes, o filme tem uma classificação de aprovação de 69% baseada em 147 críticas, com uma média ponderada de 6,31/10. O consenso do site afirma: "Embora fique um pouco aquém da mordaz sátira do romance de Bret Easton Ellis, Psicopata Americano ainda encontra sua própria mistura de horror e humor, graças em parte a uma apropriadamente arrepiante performance de Christian Bale." [73] O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu ao filme uma pontuação de 64 em 100, baseada em 35 críticos, indicando "revisões geralmente favoráveis".[74]
Audiências pesquisadas pelo CinemaScore deram ao filme uma nota média de "D" numa escala de A+ a F.[75] O filme foi chamado pelo The Guardian de "o próximo Fight Club". Roger Ebert deu ao filme três estrelas em quatro e considerou Christian Bale "heróico na forma como ele permite ao personagem saltar alegremente para a desprezabilidade; não há instinto de autopreservação aqui, e essa é a marca de um bom ator".[76]
Em sua revisão para o Los Angeles Times, Kenneth Turan escreveu: "A verdade difícil é que quanto mais espectadores conseguirem se espelhar no protagonista Bateman, mais eles conseguem se distanciar da realidade humana da escorregadia violência que preenche a tela e a tratar como uma espécie de piada legal, mais prováveis serão de apreciar esta peça de trabalho natimorta e sem sentido".[77] David Ansen, da revista Newsweek, escreveu: "Mas após uma hora dissecando a cultura do materialismo, narcisismo e ganância dos anos 80, o filme começa a se repetir. Ele se torna mais terrível e surreal, mas não mais interessante."[78] Em sua revisão para The Village Voice, J. Hoberman escreveu: "Se algo, Bale sabe demais. Ele trabalha ansiosamente dentro das restrições das aspas que Harron coloca ao redor de sua performance".[79] Peter Travers, da Rolling Stone, escreveu: "Sempre que Harron cava abaixo da terrível superfície em busca de sentimentos que ainda não foram dessensibilizados, o horrível e hilário Psicopata Americano ainda consegue atingir um nervo exposto".[80]
Em uma revisão de certa forma positiva para a revista Slate, David Edelstein notou a brutalidade e o conteúdo sexual atenuados em comparação com o romance e escreveu que o momento em que Bateman poupa sua secretária é quando "este filme unidimensional desabrocha como uma flor".[81] Owen Gleiberman deu ao filme uma classificação "A-", escrevendo para a Entertainment Weekly: "Por tratar o livro como matéria-prima para um exercício exuberantemente perverso de nostalgia dos anos 80, [Harron] reformula os anos go-go como um modelo para a casual cultura de imagem/moda/consumo, lavadora de cérebros, que emergiu deles. Ela fez um filme que é realmente uma parábola dos dias de hoje."[82] Richard Corliss, da revista Time, escreveu: "Harron e a co-roteirista Guinevere Turner entendem o livro, e elas querem que seu filme seja entendido como uma comédia de costumes de época".[83]
O Bloody Disgusting classificou o filme no número 19 em uma lista dos "Top 20 Filmes de Terror da Década", com o artigo elogiando "a hilariante e perturbadora atuação de Christian Bale como o serial killer/homem de negócios de Manhattan Patrick Bateman, um papel que, em retrospectiva, dificilmente poderia ter sido interpretado por outro ator. ... Em seu melhor momento, o filme reflete nosso próprio narcisismo e a rasa cultura americana da qual ele surgiu, com penetrante eficácia. Muito do crédito por isso pode ir para a diretora Mary Harron, cujas tendências excêntricas são um bom complemento ao estilo único de Ellis."[84]
Legado
[editar | editar código]Desde meados da década de 2000, o filme conquistou um expressivo status de filme cult,[85][86][87][88] cuja popularidade cresceu ainda mais ao longo da década de 2010 por meio das redes sociais.[89] Em 2014, o site WhatCulture incluiu a atuação de Christian Bale como Patrick Bateman na lista das "10 interpretações mais convincentes de psicopatas no cinema".[90] Em 2025, o filme ficou na 105.ª posição da edição "Escolha dos Leitores" da lista dos The New York Times com os "100 Melhores Filmes do Século XXI".[91]
O músico independente Miles Fisher gravou um cover de "This Must Be the Place (Naive Melody)" em seu EP autointitulado de 2009, Miles Fisher, cujo videoclipe homenageia American Psycho, com Fisher recriando a interpretação de Christian Bale como Patrick Bateman. A banda finlandesa de melodic death metal Children of Bodom utilizou o monólogo final do filme ("My pain is constant and sharp and I do not hope for a better world for anyone") como transição entre duas faixas do álbum Hate Crew Deathroll (2003). A influência do filme também pode ser vista no videoclipe de Kanye West, "Love Lockdown",[92] e no de Maroon 5, "Animals".[93] Em 2021, a banda americana de metalcore Ice Nine Kills lançou a canção "Hip to Be Scared", inspirada no filme e incluída no álbum The Silver Scream 2: Welcome to Horrorwood, com participação de Jacoby Shaddix, vocalista da banda Papa Roach.[94]
O filme também gerou diversos trabalhos acadêmicos que o analisam como uma forma de crítica social.[95] A obra também se tornou frequente em memes de internet, enquanto Patrick Bateman passou a ser idolatrado por parte de comunidades on-line associadas aos conceitos de "sigma male" e "hustle culture", apesar de o filme ser amplamente interpretado como uma crítica ao capitalismo.[96][97][98]
O personagem Bateman atribui equivocadamente uma citação de Edmund Kemper a Ed Gein, o que levou outras pessoas a confundirem a frase como sendo de Gein; Bateman diz: "Você sabe o que Ed Gein disse sobre as mulheres? ... Ele disse: 'Quando eu vejo uma garota bonita andando pela rua, penso em duas coisas. Uma parte de mim quer levá-la para sair, conversar com ela, ser realmente gentil e doce e tratá-la bem... [a outra parte se pergunta] como seria a cabeça dela em uma estaca'."[99]
Em dezembro de 2024, foi anunciado que uma nova adaptação do romance, dirigida por Luca Guadagnino, estava em desenvolvimento.[100][101]
Sequela
[editar | editar código]Uma sequela direct-to-video, American Psycho 2, dirigida por Morgan J. Freeman e estrelando Mila Kunis, foi lançada em 2002. A única conexão da sequela com o original é a morte de Patrick Bateman (interpretado por Michael Kremko usando uma máscara), brevemente mostrada em um flashback. O filme foi denunciado pelo autor de American Psycho, Bret Easton Ellis.[102] Em 2005, Mila Kunis, protagonista de American Psycho II, manifestou constrangimento em relação ao filme e criticou a ideia de uma sequência. Segundo a atriz, quando aceitou o papel, o projeto não estava concebido como uma continuação de Psicopata Americano, tendo sido posteriormente reeditado para se tornar uma sequência da obra original. Ela declarou: "Por favor, alguém impeça isso. Façam uma petição. Quando fiz o segundo filme, eu não sabia que seria American Psycho II. Era para ser um projeto diferente, mas foi reeditado. Ah... eu não sei. Foi ruim."[103]
Série de televisão
[editar | editar código]Em 10 de setembro de 2013, foi anunciado que FX e Lionsgate estavam desenvolvendo uma série de televisão de American Psycho que iria servir como uma sequela para o filme.[104] Isso iria ser ambientado no presente, com Patrick Bateman em seus 50 anos, preparando um aprendiz (Andrew Low) para apenas ser como ele.[105] Em abril de 2015, foi afirmado que o show estava ainda em desenvolvimento mas a partir de 2019 é presumido para ter sido cancelado ou no inferno do desenvolvimento.[106]
Notas
- ↑ A alegação de que Bernardo foi inspirado por American Psycho é falsa. Sua onda de crimes começou em 1987, vários anos antes da publicação de American Psycho. Além disso, o autor Stephen Williams escreveu em Invisible Darkness, um livro sobre o caso Bernardo, que Bernardo era quase analfabeto e que a cópia de American Psycho em sua casa pertencia à sua esposa Karla Homolka; é improvável que ele tenha sequer lido o livro.[29]
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- ↑ Malkin, Marc; Keslassy, Elsa; Siegel, Tatiana (11 de dezembro de 2024). «Austin Butler Poised to Star as Patrick Bateman in Luca Guadagnino's 'American Psycho' (EXCLUSIVE)». Variety (em inglês). Consultado em 20 de junho de 2025. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2024
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- ↑ Doupé, Tyler (22 de Abril de 2015). «American Psycho TV Series Still in the Works at FX». Wicked Horror. Consultado em 25 de Agosto de 2019. Cópia arquivada em 10 de abril de 2026
Obras citadas
[editar | editar código]- Cheung, Harrison (2012). Christian Bale: The Inside Story of the Darkest Batman. Dallas, Texas: BenBella Books. ISBN 9781936661640
- Lucas, Tim (2007). Mario Bava: All the Colors of the Dark. [S.l.]: Video Watchdog. ISBN 9780963375612
Ligações externas
[editar | editar código]- «Página oficial»
- Psicopata Americano no IMDb

- Psicopata Americano (em inglês). no Box Office Mojo.

- Psicopata Americano no Rotten Tomatoes

- Yahoo! Movies: American Psycho (2000) no Wayback Machine (arquivado em dezembro 20, 2008)
- Am.Psycho2000 e-mails
- Bret Easton Ellis talks film adaptations at SCAD
- Filmes dos Estados Unidos de 2000
- Filmes baseados em obras de Bret Easton Ellis
- Filmes policiais dos Estados Unidos
- Filmes com trilha sonora de John Cale
- Filmes ambientados em prédios de apartamentos
- Filmes de comédia de terror dos Estados Unidos
- Filmes ambientados na cidade de Nova Iorque
- Filmes ambientados em 1988
- Filmes dirigidos por Mary Harron
- Filmes gravados em Toronto
- Filmes de comédia de terror da década de 2000
- Filmes sobre assassinos em série
- American Psycho
- Filmes da Lions Gate
- Wall Street em filmes
- Canibalismo em filmes
- Controvérsias sobre obscenidade no cinema
- Filmes da Columbia Pictures
- Filmes em língua inglesa
- Filmes de humor negro
- Filmes de suspense da década de 2000
- Filmes gravados na cidade de Nova Iorque
- Filmes sobre psicopatas
- Ficção com narradores não confiáveis