Marrom
| Marrom/Castanho | |
|---|---|
De cima, da esquerda para a direita: grãos de café torrados de cor marrom-escura; um urso-pardo (no Zoológico de Moscou); o planeta Marte; a íris castanha de um olho; um guarda-chuva marrom de papel oleado diante de uma casa de madeira marrom (Luang Prabang, Laos). | |
| Coordenadas de cor | |
| Tripleto hexadecimal | #964b00 |
| sRGB (r, g, b) | (150, 75, 0) |
| CMYK (c, m, y, k) | (25, 70, 100, 25) |
| HSV (h, s, v) | (30°, 100%, 59%) |
Marrom (português brasileiro) ou castanho (português europeu) é uma cor. Pode ser considerado um tom mais escuro e geralmente menos saturado de laranja, podendo frequentemente ser produzido pela combinação de vermelho e amarelo com outra cor, especificamente o azul.[1][2][3]
No modelo de cores RGB, usado para projetar cores em telas de televisão e monitores de computador, o marrom é criado pela mistura das três cores primárias: vermelho, amarelo e azul. Especificamente, a luz vermelha é emitida em intensidade média a baixa, a luz verde em intensidade menor e a luz azul com a menor presença na maioria dos tons da cor. No modelo de cores CMYK, usado na impressão e na pintura, o marrom geralmente é produzido pela combinação de tinta amarela com quantidades menores de tintas magenta e pretas.
A cor marrom está fortemente associada ao mundo natural, no qual é amplamente encontrada. Elementos do ambiente, como minerais, solo e madeira, frequentemente apresentam coloração marrom; consequentemente, muitos animais têm pelagem, escamas ou penas marrons para se camuflarem melhor em seus habitats. Da mesma forma, o marrom aparece com frequência na biologia dos seres humanos: cabelo castanho, olhos castanhos e pigmentação da pele são comuns na humanidade. A cor também é frequente em materiais de origem vegetal, como fibras vegetais, cascas, frutos, nozes e sementes.
História e arte
[editar | editar código]História antiga
[editar | editar código]O marrom é utilizado na arte desde a pré-história. Pinturas feitas com umbra, um pigmento argiloso natural composto de óxido de ferro e óxido de manganês, foram datadas de 40 000 a.C.[4] Pinturas de cavalos marrons e outros animais foram encontradas nas paredes de Lascaux, datando de cerca de 17 300 anos atrás. As figuras femininas das pinturas de tumbas do Antigo Egito têm pele marrom, pintada com umbra. O castanho-claro era frequentemente usado em ânforas e vasos gregos pintados, como fundo para figuras negras ou de maneira inversa.
Os gregos e romanos antigos produziam uma fina tinta marrom-avermelhada, de uma cor chamada sépia, feita com a tinta de uma variedade de chocos. Essa tinta foi usada por Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e outros artistas durante o Renascimento, além de continuar sendo empregada por artistas até os dias atuais.
Na Roma Antiga, as roupas marrons eram associadas às classes inferiores ou aos bárbaros. O termo empregado para os plebeus, ou pobres urbanos, era "pullati", que significava literalmente "aqueles vestidos de marrom".[5]
- Pintura de um cavalo de pelagem baia na parede de Lascaux, na França
- Tumba de Userhet, 1300 a.C. O marrom era amplamente usado no Antigo Egito para representar a cor da pele.
História pós-clássica
[editar | editar código]Na Idade Média, os frades da Ordem dos Frades Menores usavam hábitos marrons como sinal de humildade e pobreza. Esperava-se que cada classe social vestisse uma cor adequada à sua posição; cinza e marrom eram as cores dos pobres. O russet era um tecido grosseiro de lã, feito em casa e tingido com Isatis tinctoria e Rubia tinctorum para adquirir um tom discreto de cinza ou marrom. Pelo estatuto de 1363, os ingleses pobres eram obrigados a usar russet. O poema medieval Piers Plowman descreve o cristão virtuoso:[6]
E se alegra com um traje de russet cinzento
Tanto quanto com uma túnica de Tars ou de verdadeiro escarlate.
Na Idade Média, pigmentos marrons escuros raramente eram usados na arte; os pintores e iluminadores de manuscritos daquele período preferiam cores vivas e distintas, como vermelho, azul e verde, em vez de cores escuras. As umbras não foram amplamente utilizadas na Europa antes do final do século XV; o pintor e escritor renascentista Giorgio Vasari (1511–1574) descreveu-as como relativamente novas em sua época.[7]
Os artistas passaram a empregar marrons em quantidade muito maior com a chegada da pintura a óleo, no final do século XV. Durante o Renascimento, geralmente utilizavam quatro marrons diferentes: umbra natural, a argila marrom-escura extraída do solo nas proximidades da Úmbria, na Itália; terra de Siena natural, uma terra marrom-avermelhada extraída perto de Siena, na Toscana; umbra queimada, a argila úmbria aquecida até adquirir um tom mais escuro; e terra de Siena queimada, aquecida até se tornar marrom-avermelhada escura. No norte da Europa, Jan van Eyck empregou ricos tons marrons terrosos em seus retratos para destacar as cores mais vivas.
- Leonardo da Vinci usou tinta sépia, obtida de chocos, em seus escritos e desenhos
- Jan van Eyck, Retrato de Baudoin de Lannoy (1435)
- Maria I de Inglaterra (1554)
História moderna
[editar | editar código]Séculos XVII e XVIII
[editar | editar código]Os séculos XVII e XVIII registraram o maior uso do marrom. Caravaggio e Rembrandt empregaram marrons para criar efeitos de chiaroscuro, nos quais o tema parecia emergir da escuridão. Rembrandt também adicionava umbra às camadas de preparação de suas pinturas porque ela favorecia uma secagem mais rápida. Ele também começou a usar um novo pigmento marrom, chamado terra de Cassel ou terra de Colônia. Tratava-se de uma cor terrosa natural composta por mais de noventa por cento de matéria orgânica, como solo e turfa. Foi usada por Peter Paul Rubens e Anthony van Dyck e, posteriormente, tornou-se conhecida como marrom Van Dyck.
- Autorretrato de Rembrandt. Quanto mais envelhecia, mais marrom ele usava em suas pinturas.
- Anthony van Dyck, assim como Rembrandt, apreciava o pigmento chamado terra de Cassel ou terra de Colônia, que passou a ser conhecido como marrom Van Dyck
- Natália Naryshkina, czarina da Rússia (final do século XVII)
Séculos XIX e XX
[editar | editar código]O marrom era geralmente detestado pelos impressionistas franceses, que preferiam cores vivas e puras. A exceção entre os artistas franceses do século XIX foi Paul Gauguin, que criou retratos luminosos em tons marrons dos habitantes e das paisagens da Polinésia Francesa.
No final do século XX, o marrom tornou-se, na cultura ocidental, um símbolo comum do que era simples, barato, natural e saudável. Refeições levadas de casa eram transportadas em sacos simples de papel pardo, enquanto encomendas eram embrulhadas em papel pardo comum. O pão integral e o açúcar mascavo eram considerados mais naturais e saudáveis que o pão branco e o açúcar branco.
- Pedro de Bragança, príncipe real do Reino Unido de Portugal e Brasil (posteriormente imperador do Brasil como Pedro I e rei de Portugal como Pedro IV), por Benedito Calixto (1822)
- Palavras do Diabo, de Paul Gauguin (1892)
- Uniforme da Juventude Hitlerista na década de 1930
Marrom na ciência e na natureza
[editar | editar código]Óptica
[editar | editar código]O marrom é uma cor laranja escura. Pode ser considerado um laranja escuro, embora também possa ser produzido de outras maneiras. No modelo de cores RGB, que utiliza luz vermelha, verde e azul em diferentes combinações para formar todas as cores exibidas em telas de computador e televisão, ele é produzido pela mistura de luz vermelha e verde.
Em termos do espectro visível, "marrom" refere-se a matizes de comprimento de onda longo — amarelo, laranja ou vermelho — combinados com baixa luminância ou saturação.[8] Como o termo marrom pode abranger uma ampla faixa do espectro visível, utilizam-se adjetivos compostos, como marrom-avermelhado, marrom-amarelado, marrom-escuro ou marrom-claro.
Por ser uma cor de baixa intensidade, o marrom é uma cor terciária: uma mistura das três cores primárias subtrativas resulta em marrom quando o teor de ciano é baixo. O marrom existe como percepção cromática apenas na presença do contraste com uma cor mais clara.[9] Objetos amarelos, laranjas, vermelhos ou rosados continuam sendo percebidos como tais quando o nível geral de iluminação é baixo, apesar de refletirem a mesma quantidade de luz vermelha ou laranja que um objeto marrom refletiria em condições normais de iluminação.
- Os discos coloridos parecem ser marrom e laranja, mas na realidade têm o mesmo tom; a cor percebida depende do tom de cinza que os circunda[10]
Pigmentos, corantes e tintas marrons
[editar | editar código]- A umbra natural e a umbra queimada são dois dos pigmentos mais antigos usados pelos seres humanos. A umbra é uma argila marrom que contém grande quantidade de óxido de ferro e entre cinco e vinte por cento de óxido de manganês, responsáveis pela cor. Seu tom varia de marrom-esverdeado a marrom-escuro. O nome deriva da região italiana da Úmbria, onde era extraída antigamente. Atualmente, sua principal fonte é a ilha de Chipre. A umbra queimada é o mesmo pigmento depois de torrado — ou calcinado —, processo que o torna mais escuro e avermelhado.[11]
- A terra de Siena natural e a terra de Siena queimada também são pigmentos argilosos ricos em óxido de ferro, extraídos durante o Renascimento nas proximidades da cidade de Siena, na Toscana. A terra de Siena contém menos de cinco por cento de manganês. A terra natural apresenta uma cor ocre amarelo-escura; quando torrada, torna-se um marrom-avermelhado intenso chamado terra de Siena queimada.[11]
- O marrom-múmia era um pigmento empregado em tintas a óleo e produzido com múmias egípcias moídas.[12]
- Caput mortuum é um pigmento de óxido de ferro à base de hematita, usado na pintura. O nome também é empregado em referência ao marrom-múmia.
- O marrom Van Dyck, conhecido na Europa como terra de Colônia ou terra de Cassel, é outro pigmento terroso natural, composto em grande parte por matéria vegetal decomposta. Produzia um marrom-escuro intenso e foi amplamente utilizado desde o Renascimento até o século XIX. Seu nome deriva do pintor Anthony van Dyck, embora muitos outros artistas já o utilizassem antes dele. Era extremamente instável e pouco confiável; por isso, seu uso foi abandonado no século XX, embora o nome continue sendo aplicado a pigmentos sintéticos modernos. A cor do marrom Van Dyck pode ser recriada pela mistura de negro de marfim com malva ou vermelho veneziano, ou de vermelho de cádmio com azul-cobalto.[13]
- Marrom de Marte. Os nomes das cores terrosas ainda são utilizados, mas poucos pigmentos modernos com esses nomes realmente contêm terras naturais; atualmente, a maioria de seus componentes é sintética.[11] O marrom de Marte é um exemplo típico dessas novas cores, produzido com pigmentos sintéticos de óxido de ferro. As novas cores têm maior poder de coloração e opacidade, mas não apresentam o tom delicado de suas homônimas.[11]
- As nozes são usadas para produzir corante marrom desde a Antiguidade. O escritor romano Ovídio, no século I a.C., descreveu como os gauleses utilizavam o suco da casca verde ou do invólucro interno da noz para produzir um corante marrom para a lã ou um corante avermelhado para os cabelos.[14]
- O castanheiro também é usado desde a Antiguidade como fonte de corante marrom. A casca da árvore, as folhas e o invólucro das castanhas foram empregados na produção de corantes. As folhas eram usadas para produzir uma tintura bege ou marrom-amarelada e, no Império Otomano, o marrom-amarelado das folhas de castanheiro era combinado com azul de anil para formar tons de verde.[15]
- O óxido de ferro é o componente mais comum dos pigmentos marrons
- A limonita é uma forma de minério de ferro amarelado. Uma argila de limonita rica em óxido de ferro é a fonte da terra de Siena natural e da terra de Siena queimada.
- O pigmento umbra natural é uma argila rica em óxido de ferro e manganês
Olhos castanhos
[editar | editar código]Com poucas exceções, todos os mamíferos têm íris castanhas ou de pigmentação escura.[16] Nos seres humanos, os olhos castanhos resultam de uma concentração relativamente elevada de melanina no estroma da íris, o que faz com que a luz de comprimentos de onda mais curtos e mais longos seja absorvida;[17][18] em muitas regiões do mundo, essa é praticamente a única cor de íris presente.[19] A pigmentação escura dos olhos castanhos é mais comum na Ásia Oriental, Ásia Central, Sudeste Asiático, Sul da Ásia, Ásia Ocidental, Oceania, África e Américas, além de partes da Europa Oriental e da Europa Meridional.[20] A maioria das pessoas no mundo tem olhos castanho-escuros. As íris castanhas variam de olhos fortemente pigmentados, de cor castanho-escura, quase preta, até íris muito claras, quase âmbar ou avelã, compostas parcialmente de lipocromo. Olhos castanho-claros ou com pigmentação intermediária são comuns na Europa, no Afeganistão, no Paquistão e no norte da Índia, assim como em algumas regiões do Oriente Médio, e também podem ser encontrados em populações da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático, embora sejam proporcionalmente raros. Consulte cor dos olhos.
- Íris castanha de tonalidade média
- Íris castanho-claras também podem ser encontradas na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático, mas são relativamente raras
- A íris castanho-clara é mais comum no Norte da África, na Europa Oriental, nas Américas e na Ásia Ocidental
Cabelo castanho
[editar | editar código]O castanho é a segunda cor mais comum dos cabelos humanos, depois do preto. É causado por níveis mais elevados do pigmento escuro natural eumelanina e níveis mais baixos do pigmento claro feomelanina. A eumelanina castanha é mais comum entre os europeus, enquanto a eumelanina preta ocorre com maior frequência nos cabelos de não europeus. Uma pequena quantidade de eumelanina preta, na ausência de outros pigmentos, resulta em cabelos grisalhos. Uma pequena quantidade de eumelanina castanha, na ausência de outros pigmentos, resulta em cabelos loiros.
- Mulher com cabelo castanho
- Cabelo castanho com mechas. Nadeeka Perera, modelo
- O cabelo ruivo pode apresentar um tom marrom-avermelhado. Na imagem, a atriz Susan Sarandon
- O cabelo castanho-avermelhado também tem um tom avermelhado, mas é menos vermelho e mais marrom que o cabelo ruivo. Na imagem, a cantora alemã Yvonne Catterfeld
Pele marrom
[editar | editar código]A maioria das pessoas no mundo tem pele em algum tom de marrom, desde um marrom-mel muito claro ou marrom-dourado até uma cor acobreada ou bronzeada, cor de café ou marrom-chocolate escuro. Cor da pele e raça não são a mesma coisa; muitas pessoas classificadas como "brancas" ou "negras" têm, na realidade, pele em algum tom de marrom. A pele marrom é causada pela melanina, pigmento natural produzido no interior da pele por células chamadas melanócitos. A pigmentação da pele humana evoluiu principalmente para regular a quantidade de radiação ultravioleta que penetra na pele, controlando seus efeitos bioquímicos.[21]
A cor natural da pele pode escurecer em consequência do bronzeamento solar provocado pela exposição à luz do Sol. A principal teoria sustenta que a cor da pele se adapta à intensa radiação solar para proporcionar proteção parcial contra a fração ultravioleta, que causa danos e, consequentemente, mutações no DNA das células da pele.[22] Existe uma correlação entre a distribuição geográfica da radiação ultravioleta (RUV) e a distribuição da pigmentação cutânea indígena ao redor do mundo. Populações de pele mais escura encontram-se nas regiões de maior incidência ultravioleta, próximas ao equador, enquanto populações de pele mais clara vivem mais perto dos polos, onde a RUV é menor, embora a imigração tenha alterado esses padrões.[23]
Embora branco e negro sejam comumente empregados para descrever grupos raciais, marrom raramente é utilizado, porque abrange todas as divisões raciais. No Brasil, a palavra portuguesa pardo, que pode designar diferentes tons de marrom, é usada para se referir a pessoas multirraciais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pede que as pessoas se identifiquem como brancas, pardas, pretas ou amarelas. Em 2008, 43,8% da população se identificou como parda.[24] Consulte cor da pele humana.
- Uma mulher idosa da Gâmbia
- Um homem do Egito
- A modelo brasileira Gisele Bündchen
- Um homem do Tibete
- Uma jovem do Peru
Solo
[editar | editar código]A fina camada superior da crosta terrestre nas áreas continentais é formada em grande parte por solo de diferentes tons de marrom.[25] Um solo de boa qualidade é composto por cerca de 45% de minerais, 25% de água, 25% de ar e 5% de matéria orgânica, viva e morta. Metade da cor do solo provém dos minerais nele contidos; solos com ferro tornam-se amarelados ou avermelhados à medida que o ferro se oxida. Manganês, nitrogênio e enxofre tornam-se amarronzados ou enegrecidos à medida que se decompõem naturalmente.
Solos ricos e férteis tendem a apresentar coloração mais escura; o marrom mais profundo do solo fértil provém da decomposição da matéria orgânica. Folhas e raízes mortas tornam-se pretas ou marrons à medida que se decompõem. Solos mais pobres geralmente são de um marrom mais claro e contêm menos água ou matéria orgânica.
- Os molissolos são o tipo de solo encontrado sob pradarias nas Grandes Planícies da América, nos Pampas da Argentina e nas estepes russas. O solo tem entre 60 e 80 centímetros de profundidade e é rico em nutrientes e matéria orgânica.
- O loess é um tipo de solo amarelo-claro ou bege, originado de silte transportado pelo vento. É muito fértil, mas sofre erosão facilmente pela ação do vento ou da água.
- A turfa é um acúmulo de vegetação parcialmente decomposta cuja decomposição é retardada pela água. Apesar de sua cor marrom-escura, é infértil, mas pode ser usada como combustível.
- Perfil típico do solo: uma camada superficial marrom-escura, rica em matéria orgânica, sobre camadas inferiores marrom-avermelhadas
- Perfil das camadas de molissolos, tipo de solo encontrado nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, nos Pampas da Argentina e nas estepes russas
- Pilha de turfa cortada da terra nas Hébridas Exteriores, na Escócia. A turfa é matéria vegetal parcialmente decomposta
Mamíferos e aves
[editar | editar código]Um grande número de mamíferos e aves predadoras apresenta coloração marrom. Em alguns casos, ela muda conforme a estação; em outros, permanece igual durante todo o ano. Essa cor provavelmente está relacionada à camuflagem, pois o fundo de certos ambientes, como o chão da floresta, costuma ser marrom, sobretudo na primavera e no verão, quando animais como a lebre-americana adquirem pelagem marrom. A maioria dos mamíferos é dicromata e, por isso, não distingue com facilidade a pelagem marrom da grama verde.
- A ratazana, também chamada rato-marrom ou rato-da-Noruega (Rattus norvegicus), é um dos ratos mais conhecidos e comuns.
- O urso-pardo (Ursus arctos) é um grande urso distribuído por grande parte do norte da Eurásia e da América do Norte.
- O arminho (Mustela erminea) tem o dorso marrom no verão ou durante o ano inteiro nas regiões meridionais de sua área de distribuição.
- O urso-pardo é encontrado na Eurásia e na América do Norte
- A coruja coruja-do-mato-europeia. A cor castanho-amarelada denominada tawny em inglês deriva seu nome da palavra francesa antiga tané, que significa curtir couro. A mesma palavra está na origem do termo inglês para bronzeamento e da cor bege-acastanhada chamada tan
- A pelagem da lebre-americana é marrom no verão e torna-se branca no inverno, como forma de camuflagem natural em todas as estações
- A cor camelo proporciona uma camuflagem eficaz no deserto do Saara e também é popular em cobertores e casacos de inverno
Biologia
[editar | editar código]- Os resíduos sólidos excretados pelos seres humanos e por muitos outros animais apresentam caracteristicamente coloração marrom devido à presença de bilirrubina, subproduto da destruição de hemácias.
Marrom na cultura
[editar | editar código]Pesquisas de opinião pública realizadas na Europa e nos Estados Unidos mostraram que o marrom era a cor menos popular entre os entrevistados. Era a cor preferida de apenas 1% deles e a menos apreciada por 20%.[26]
Uniformes marrons
[editar | editar código]O marrom é uma cor popular em uniformes militares desde o final do século XVIII, em grande parte por sua ampla disponibilidade e baixa visibilidade. Quando o Exército Continental foi criado, em 1775, no início da Revolução Americana, o primeiro Congresso Continental declarou que a cor oficial dos uniformes seria o marrom; a decisão, porém, não agradou a muitas milícias, cujos oficiais já usavam azul. Em 1778, o Congresso pediu a George Washington que criasse um novo uniforme e, em 1779, Washington estabeleceu o azul e o amarelo-acastanhado como cores oficiais de todos os uniformes.[27]
Em 1846, soldados indianos do Corpo de Guias, na Índia britânica, começaram a usar um tom amarelado de castanho-claro que ficou conhecido como cáqui, palavra da língua urdu que significa "cor de poeira", derivada de um termo persa mais antigo para solo. A cor proporcionava excelente camuflagem natural e foi adotada pelo Exército Britânico na Campanha da Abissínia de 1867–1868 e, posteriormente, nas Guerras dos Bôeres. Foi adotada pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Hispano-Americana (1896) e, depois, pela Marinha dos Estados Unidos e pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.
Na década de 1920, o marrom tornou-se a cor dos uniformes do Partido Nazista na Alemanha. A organização paramilitar nazista Sturmabteilung (SA) usava uniformes marrons, e seus integrantes ficaram conhecidos como camisas-pardas. A cor marrom era usada para representar o voto nazista em mapas dos distritos eleitorais alemães. Dizia-se que alguém que votava nos nazistas estava "votando marrom". A sede nacional do Partido Nazista, em Munique, era chamada de Casa Marrom. A tomada do poder pelos nazistas em 1933 foi chamada de "Revolução Marrom".[28] Na residência de Adolf Hitler em Obersalzberg, o Berghof, ele dormia em uma "cama que geralmente era coberta por uma colcha marrom bordada com uma enorme suástica.
A suástica também aparecia no pijama de cetim marrom de Hitler, bordada em preto sobre um fundo vermelho no bolso. Ele tinha um robe de seda marrom combinando".[29] O marrom havia sido escolhido originalmente como cor do partido sobretudo por conveniência: grandes quantidades de uniformes marrons excedentes de guerra, provenientes das antigas forças coloniais alemãs na África, estavam disponíveis a baixo custo na década de 1920. A cor também se adequava à imagem operária e militar que o partido pretendia transmitir.
A partir da década de 1930, os uniformes marrons do partido passaram a ser produzidos em massa por empresas alemãs de vestuário, como a Hugo Boss.[30][31]
- Uniformes cáqui de soldados indianos na Índia britânica
- O general Douglas MacArthur usando cáqui em 2 de agosto de 1945
- Suboficiais-chefes da Marinha dos Estados Unidos em seus uniformes de serviço cáqui
Negócios
[editar | editar código]O marrom Pullman[32] é a cor da empresa de entregas United Parcel Service (UPS), conhecida por seus caminhões e uniformes marrons. Antes disso, era a cor dos vagões ferroviários Pullman, fabricados pela Pullman Company, e foi adotada pela UPS tanto porque o marrom é fácil de manter limpo quanto pelas associações favoráveis com o luxo evocadas pelo marrom Pullman. A UPS registrou duas marcas sobre a cor marrom para impedir que outras empresas de transporte — e possivelmente empresas em geral — a utilizem quando isso puder causar "confusão no mercado". Em sua publicidade, a UPS refere-se a si própria como "Brown" ("O que a Brown pode fazer por você?"). Labrecque et al. (2012) levantaram a hipótese de que o marrom estaria relacionado à competência quando usado em publicidade, pois a cor costuma ser associada à confiabilidade e ao apoio. Entretanto, não encontraram relação entre marrom e competência.[33]
- Um vagão ferroviário Pullman no tradicional tom marrom
- Um caminhão da UPS em marrom Pullman
Religião
[editar | editar código]Esportes
[editar | editar código]- O Cleveland Browns, da National Football League, recebeu o nome de seu fundador e técnico de longa data, Paul Brown, e utiliza o marrom como uma das cores da equipe.
- O Hawthorn Football Club, da Australian Football League, usa um uniforme marrom e dourado.
- O San Diego Padres, da Major League Baseball, utiliza o marrom como cor principal.
- O FC St. Pauli, clube alemão de futebol, geralmente utiliza camisas marrons como uniforme principal.
- O Club Atlético Platense, da Argentina, geralmente utiliza camisas marrons como uniforme principal.
- As equipes esportivas da Universidade do Wyoming, da Universidade Brown, da Universidade São Boaventura e da Universidade Lehigh geralmente utilizam essa cor.
Exemplos em imagens da natureza e da cultura
[editar | editar código]- O deserto do Saara ao redor do oásis de Kufra, na Líbia, visto do espaço
- Uma sachertorte em um café de Viena
- Grãos de café torrados para expresso
- Pessoas vestidas como soldados da Primeira Guerra Mundial durante uma comemoração da Batalha do Somme. A palavra cáqui significa "terra" em persa
- Cavalo de pelagem baia. Donn é a palavra para marrom nas línguas gaélicas escocesa e irlandesa
- Fragmentos de âmbar natural
- Fisiculturistas que receberam bronzeamento artificial por pulverização
- Pedaços de caramelo
- Fotografia em tom sépia (1895)
- Um frade da Ordem dos Frades Menores. A lã marrom sem tingimento simboliza a humildade
- Uma pedreira de ocre na França
- Camadas de solo na Irlanda. O solo marrom-escuro geralmente contém grande quantidade de matéria orgânica decomposta
- Diferentes tipos de castanhas
- Batatas russet recebem seu nome da cor do russet, um tecido marrom grosseiro feito em casa
- O bege é uma cor marrom muito clara, cujo nome deriva da palavra francesa para a cor da lã natural
- A cor taupe recebe seu nome da palavra francesa para a toupeira europeia
- A cor drab é um marrom-claro opaco, cujo nome deriva de drap, antiga palavra francesa para tecido de lã não tingida.[38] É mais conhecida pelo tom verde-oliva chamado olive drab, usado antigamente por soldados dos Estados Unidos. Drab passou a significar apagado, sem vida e monótono
- O solo argiloso próximo a Siena, na Itália, apresenta a cor chamada terra de Siena natural
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Shorter Oxford English Dictionary, (2002), Oxford University Press.
- ↑ Webster's New World Dictionary of the American Language: "A combination of red, blue, and yellow."
- ↑ Oxford English Dictionaries On-Line: "Of a colour produced by mixing red, yellow, and blue, as of dark wood or rich soil"
- ↑ Varichon, Couleurs – pigments et teintures dans les mains des peuples. p. 254.
- ↑ Eva Heller, Psychologie de la couleur: Effets et symboliques. p. 219
- ↑ R. H. Britnell (1986). Growth and decline in Colchester, 1300–1525. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 55–77. ISBN 978-0-521-30572-3
- ↑ Daniel V. Thompson, (1956), The Materials and Techniques of Medieval Painting, p. 88-89
- ↑ "Some Experiments on Color", Nature 111, 1871, in John William Strutt (Lord Rayleigh) (1899). Scientific Papers. [S.l.]: University Press
- ↑ "Color Vision", in Richard Feynman (1964). The Feynman Lectures on Physics. [S.l.]: Addison Wesley Longman
- ↑ G. M. Johnson and M. D. Fairchild, "Visual psychophysics and color appearance", (chapter) in CRC Digital Color Imaging Handbook, 115–171 (2003).
- 1 2 3 4 Isabellle Roelofs and Fabien Petillion, La Couleur explquée aux artistes, p. 30.
- ↑ Eveleth, Rose. «Ground Up Mummies Were Once an Ingredient in Paint». Smithsonian. Consultado em 29 de fevereiro de 2016
- ↑ Isabellle Roelofs and Fabien Petillion, La Couleur explquée aux artistes, p. 148.
- ↑ Anne Varichon, Couleurs- pigments et teintures dans les mains des peuples, pp. 264–265
- ↑ Anne Varichon, Couleurs- pigments et teintures dans les mains des peuples, pp. 262–263
- ↑ Bradley, B. J.; Pedersen, A.; Mundy, N. I. (2009). «Blue eyes in lemurs and humans: Same phenotype, different genetic mechanism». American Journal of Physical Anthropology. 139 (2): 269–273. Bibcode:2009AJPA..139..269B. PMID 19278018. doi:10.1002/ajpa.21010
- ↑ Fox, Denis Llewellyn (1979). Biochromy: Natural Coloration of Living Things. University of California Press. p. 9. ISBN 0-520-03699-9.
- ↑ Eiberg H, Mohr J (1996). «Assignment of genes coding for brown eye colour (BEY2) and brown hair colour (HCL3) on chromosome 15q». Eur. J. Hum. Genet. 4 (4): 237–41. PMID 8875191. doi:10.1159/000472205 (inativo 7 de dezembro de 2025)
- ↑ OMIM 227220
- ↑ Sulem, Patrick; Gudbjartsson, Daniel F; Stacey, Simon N; Helgason, Agnar; Rafnar, Thorunn; Magnusson, Kristinn P; Manolescu, Andrei; Karason, Ari; et al. (2007). «Genetic determinants of hair, eye and skin pigmentation in Europeans». Nat. Genet. 39 (12): 1443–52. Bibcode:2007NaGen..39.1443S. PMID 17952075. doi:10.1038/ng.2007.13
- ↑ Muehlenbein, Michael (2010). Human Evolutionary Biology. [S.l.]: Cambridge University Press. pp. 192–213
- ↑ Jablonski, N. G.; Chaplin, G. (2010). «Colloquium Paper: Human skin pigmentation as an adaptation to UV radiation». Proceedings of the National Academy of Sciences. 107 (Suppl 2): 8962–8. Bibcode:2010PNAS..107.8962J. PMC 3024016
. PMID 20445093. doi:10.1073/pnas.0914628107
- ↑ Webb, A.R. (2006). «Who, what, where, and when: influences on cutaneous vitamin D synthesis». Progress in Biophysics and Molecular Biology. 92 (1): 17–25. PMID 16766240. doi:10.1016/j.pbiomolbio.2006.02.004
- ↑ IBGE. 2008 PNAD. População residente por cor ou raça, situação e sexo.
- ↑ Birkeland, Peter W. Soils and Geomorphology. 3rd edition. New York: Oxford University Press, 1999.
- ↑ Eva Heller, Psychologie de la couleur; effets et symboliques. p. 4
- ↑ «Army Dress Uniform». Consultado em 2 de abril de 2013. Arquivado do original em 19 de novembro de 2014
- ↑ Toland, John Hitler: The Pictorial Documentary of his Life Garden City, New York:1978 Doubleday & Sons Chapter 5 "The Brown Revolution" Pages 42–60
- ↑ Infield, Glenn B. Eva and Adolf New York:1974--Grosset and Dunlap Page 142 (The author compiled this book by interviewing Albert Speer and others who had been in Hitler's inner circle, such as SS men, secretaries, and housekeepers. The author also consulted the Musmanno Archives, a record of post-war interviews with over 200 people who had been close to Adolf Hitler or Eva Braun.)
- ↑ «Hugo Boss Acknowledges Link to Nazi Regime». The New York Times. 14 de agosto de 1997. Consultado em 29 de setembro de 2008
- ↑ White, Constance C. R (19 de agosto de 1997). «Patterns: The Fallout on Hugo Boss». The New York Times. Consultado em 1 de janeiro de 2011
- ↑ "They started out being Pullman brown," said Peter Fredo, U.P.S.'s vice president for advertising and public relations [...] The trucks have been brown since 1916 [...] "it was the epitome of luxury and class at the time.", in Jacobs, Karrie (20 de abril de 1998). «Learning to Love Brown». New York Times. Consultado em 2 de abril de 2008
- ↑ Labrecque, Lauren I.; Milne, George R. (2012). «Exciting Red and Competent Blue: The Importance of Color in Marketing». Journal of the Academy of Marketing Science. 40 (5). 714 páginas. doi:10.1007/s11747-010-0245-y.
(Murray and Deabler 1957; Schaie 1961; Wexner 1954). Likewise, brown is a color that is related to seriousness, (Clarke and Costall 2007), reliability, and support (Fraser and Banks 2004; Mahnke 1996; Wright 1988).
- ↑ «Magical Properties of Colors». Wicca Living (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2021
- ↑ Webster's New World Dictionary of the American Language, College Edition, 1964
- ↑ Oxford English Dictionary
- ↑ "Brun rouge assez foncé." Le Petit Robert (1988).
- ↑ Oxford English Dictionary