Ventos no Brasil

De forma geral, os ventos no Brasil sopram das direções leste, norte-noroeste e, sazonalmente, do sul, influenciados, respectivamente, pelos Ventos Alísios e do Anticiclone do Atlântico Sul, da Zona de Convergência Intertropical (também chamada de Depressão Equatorial) e, no inverno, de massas polares atlânticas.[1][2]
Características gerais
[editar | editar código]Os ventos no Brasil sofrem a influência, tipicamente, dos Ventos Alísios, do Anticiclone do Atlântico Sul no sul e da Zona de Convergência Intertropical (também chamada de Depressão Equatorial).[1][2]
Vento do Leste
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De forma geral, na região costeira do Brasil, banhada pelo Oceano Atlântico, os ventos sopram do leste. Na Região Nordeste os ventos de leste são provocados pelos Ventos Alísios, enquanto no sudeste e sul, os ventos do leste-nordeste sofrem a influência do Anticiclone do Atlântico Sul, um sistema semipermanente no sul do Oceano Atlântico. [2]
Nordestão
[editar | editar código]O "Nordestão" é um vento característico do litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina durante a primavera e o verão. Trata-se de um vento forte e constante que sopra, eventualmente, por um ou alguns dias da direção nordeste rumo à costa, originado do contraste térmico entre a temperatura do oceano (mais frio) e do continente aquecido.
Vento do Norte-Noroeste
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Já na metade oeste brasileira, dos estados das Regiões Norte, Centro Oeste até o oeste da Região Sul, o vento sopra, geralmente, de norte-noroeste devido a influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que cria um corredor de umidade e vento que chega até, ao menos, a metade norte do Rio Grande do Sul.[3][4][5]
Vento Norte
[editar | editar código]É um fenômeno eventual, característico no Rio Grande do Sul nos meses mais frios do ano, entre o outono e a primavera, durante os chamados "veranicos". "O vento começa por meio de um sistema de baixa pressão [ciclone] que se forma próximo ao litoral do Rio Grande do Sul ou do Uruguai. É quente e seco, pode ocorrer com fortes rajadas, principalmente em cidades do interior do estado", explicaram cientistas da Universidade de Santa Maria em 2022. "Por que vento norte? O vento sempre sopra para o sul, desta forma, sua origem é o norte. De acordo com os pesquisadores, apesar de inicialmente se apresentar com rajadas quentes, o vento norte anuncia uma frente fria", explicaram os estudiosos. [6]
| “ | Vento norte, chuva forte. | ” |
— Dito popular no Rio Grande do Sul. |
Vento do Sul
[editar | editar código]No extremo sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, durante o inverno o vento também pode ter origem polar (Polo Sul), sendo tradicional o chamado Vento Minuano, originado na região polar Antártica.
Ventos e chuvas
[editar | editar código]Graças às correntes aéreas derivadas dos ventos alísios oriundos no oceano Atlântico, um verdadeiro rio voador alimenta de umidade a floresta amazônica que, barrada pela Cordilheira dos Andes, segue então para o sul (com cerca de 40% da umidade), irrigando os estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, o Paraná, e eventualmente Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. [3][4][5]
Ventos e energia eólica
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A região do Brasil com o maior potencial de produção de energia elétrica a partir dos ventos é o Nordeste e o estado com maior potencial é a Bahia, sendo o maior parque da América Latina, chamado Complexo Eólico do Alto Sertão, sediado na cidade baiana de Caetité. [8]
Ver também
[editar | editar código]Ventos ciclônicos
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Os dois estados do sul do Brasil, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e algumas vezes também o Paraná e as regiões da costa do Sudeste do Brasil, sofrem, eventualmente, com ventos de ciclones que se formam no Oceano Atlântico. Esses sistemas de baixa pressão são geralmente de origem extratropical e, raramente, subtropical. Ainda mais raros são os ciclones tropicais no Brasil - sequer há concordância entre a NOAA dos Estados Unidos e a Marinha do Brasil sobre o possível único ciclone tropical conhecido no Brasil, o ciclone Catarina, em 2004. "Os resultados mostraram que em média ocorreram 17 casos de ciclones entre os meses de outubro a abril e que o período de vida [duração do fenômeno entre a formação e extinção] dentro da região de estudo chegou até a 8 dias em alguns casos", diz um estudo de 2016. [9]
Ver também
[editar | editar código]Referências
[editar | editar código]- 1 2 «Equatorial trough | meteorology | Britannica». www.britannica.com (em inglês). 17 de julho de 2026. Consultado em 19 de julho de 2026. Cópia arquivada em 31 de maio de 2025
- 1 2 3 Bicudo, Francisco. «O mapa dos ventos». Consultado em 19 de julho de 2026. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024
- 1 2 «» O que são rios voadores?». itr.ufrrj.br. Consultado em 19 de julho de 2026
- 1 2 «O que são rios atmosféricos e por que podem causar caos no clima do Sul». UOL. 16 de julho de 2026. Consultado em 19 de julho de 2026
- 1 2 «rios voadores». www.wwf.org.br. Consultado em 19 de julho de 2026. Cópia arquivada em 15 de março de 2026
- ↑ «Pesquisadores da UFSM investigam o fenômeno do vento norte em Santa Maria». Revista Arco. 1 de julho de 2022. Consultado em 19 de julho de 2026
- ↑ «Global Wind Atlas». Consultado em 7 dezembro 2018. Cópia arquivada em 13 de julho de 2026
- ↑ s/a (30 de Setembro de 2012). «Caetité: Maior parque eólico da America Latina já foi inaugurado, mas ainda não produz um megawatt de energia». Bahia Notícias. Consultado em 1 de fevereiro de 2016
- ↑ Rocha, Fabio Pinto da; Aravéquia, José Antonio; Ribeiro, Bruno Zanetti (2016). «Estudo de Ciclones e de Padrões de Circulação Atmosférica no Oceano Atlântico Sul Próximo à Costa das Regiões Sul e Sudeste do Brasil Usando Dados da Reanálise do Era-Interim». Revista Brasileira de Meteorologia. 31: 141–156. ISSN 0102-7786. doi:10.1590/0102-778631220140151. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2025