Monte Evereste
Monte Evereste | |
|---|---|
| सगरमाथा • Sagarmāthā ཇོ་མོ་གླང་མ • Chomolungma 珠穆朗玛峰 • Zhūmùlǎngmǎ Fēng | |
| Maciço do Everest visto desde um avião comercial | |
| Localização no planalto tibetano | |
| Ponto mais alto | |
| Coordenadas | 27° 59′ 17″ N, 86° 55′ 31″ L |
| Altitude | 8 848,86 m (gelo) 8 844,43 m (rocha)[1] Posição: 1 |
| Proeminência | 8 848,86 m (gelo) 8 844,43 m (rocha) Posição: 1 Cume-pai: nenhum |
| Isolamento | 40 030,22 km |
| Listas | Sete cumes 8 000s Ponto mais alto de um país Ultra |
| Tipo | montanha |
| Geografia | |
| Localização | Solukhumbu, Região Autónoma do Tibete |
| Continente | Ásia |
| Países | |
| Distrito do Nepal | Solukhumbu |
| Distrito do Tibete | Tingri |
| Geologia | |
| Cordilheira | Himalaias |
| Escalada | |
| Primeira ascensão | 29 de maio de 1953por Tenzing Norgay e Edmund Hillary |
| Rota mais fácil | Colo Sul (Nepal) |
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Monte Everest ou, na sua forma portuguesa, Evereste,[2][3] também conhecido no Nepal como Sagarmāthā (सगरमाथा), no Tibete como Chomolungma (ཇོ་མོ་གླང་མ) e Zhūmùlǎngmǎ Fēng em chinês (珠穆朗玛峰), é a montanha de maior altitude da Terra. Seu pico está a 8 848,86 metros acima do nível do mar,[4] na subcordilheira Mahalangur Himal dos Himalaias. A fronteira internacional entre o distrito nepalês do Solukhumbu e o distrito de Tingri da Região Autônoma do Tibete da República Popular da China passa no cume. O maciço do Everest inclui diversos outros picos situados acima da zona da morte, incluindo os picos do Lhotse (8 516 m), Nuptse (7 855 m) e Changtse (7 580 m), entre outros.
O nome em inglês foi atribuído em 1865 pela Royal Geographical Society sob recomendação de Andrew Waugh, diretor do Survey of India, o organismo central de cartografia e topografia da Índia britânica. Não tendo conseguido saber os nomes locais da montanha, Waugh batizou-a com o nome do seu antecessor no Survey of India, George Everest.[5]
O Everest atrai muitos alpinistas, alguns deles experientes. Existem duas rotas principais de escalada: uma que se aproxima ao cume pela face sudeste, no Nepal (conhecida como a rota padrão) e outra pela face norte, no Tibete. Apesar da rota padrão não colocar desafios substanciais na técnica de escalada, o Everest apresenta perigos, tais como mal da montanha, condições climáticas, vento, bem como os perigos objetivos importantes, como avalanchas. Em 2016, havia bem mais de 200 cadáveres na montanha, sendo que alguns deles chegam a servir como pontos de referência.[6][7]
Os primeiros esforços registrados para alcançar o topo do Everest foram feitos por montanhistas britânicos. Como na época o Nepal não permitia que estrangeiros fossem ao país, os britânicos fizeram várias tentativas na rota pelo lado norte, no território tibetano. Após a primeira expedição de reconhecimento pelos britânicos em 1921 chegar a 7 000 m pela encosta norte, uma expedição de 1922 chegou até 8 320 m, marcando a primeira vez que um humano esteve acima de 8 000 metros de altitude. Uma tragédia atingiu a equipe na descida, quando sete alpinistas morreram numa avalancha. A expedição de 1924 resultou no maior mistério no Everest: George Mallory e Andrew Irvine fizeram uma tentativa de chegar ao cume em 8 de junho, mas nunca mais voltaram, o que provocou debate sobre se eles foram os primeiros a chegar ao topo. Eles haviam sido localizados no alto da montanha naquele dia, mas desapareceram nas nuvens e nunca mais foram vistos, até que o corpo de Mallory foi encontrado em 1999 a 8 155 metros de altitude na face norte da montanha. Parte do corpo de Irvine foi encontrada em 2024.[8] Em 1953, Tenzing Norgay e Edmund Hillary fizeram a primeira subida oficial do Everest usando a rota sudeste. Tenzing havia atingido 8 595 m no ano anterior como membro da expedição suíça de 1952. A equipe de montanhismo chinesa de Wang Fuzhou, Gonpo e Qu Yinhua fez a primeira ascensão relatada do pico pelo lado norte em 25 de maio de 1960.[9][10]
Origem
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O monte Everest está localizado na cordilheira dos Himalaias, a qual surgiu de um processo natural conhecido como dobramentos modernos (também conhecidos como cadeias orogênicas ou cinturões orogênicos). São estruturas geológicas que se originaram em virtude das ações do tectonismo e correspondem à formação de cadeias montanhosas, apresentando as maiores altitudes do planeta por serem relativamente jovens se comparadas a outras formações no planeta, dessa forma o lento processo de erosão ainda atua sobre suas formações, diferente dos dobramentos antigos, onde os processos de erosão foram responsáveis pela formação de planaltos e bacias sedimentares. O início da formação das principais cadeias de montanhas da Terra não ocorreu antes de 250 milhões de anos atrás, durante o período terciário. Estima-se que o Himalaia tenha surgido cerca 50 a 40 milhões de anos atrás, quando as massas de terra do subcontinente indiano e da Eurásia, impulsionadas pelo movimento das placas tectônicas, colidiram.[11]
Geologia
[editar | editar código]Os geólogos subdividiram as rochas que formam o Monte Everest em três unidades denominadas formações.[12][13] Cada formação está separada da outra por falhas de baixo ângulo, denominadas descolamentos (detachments), ao longo das quais foram empurradas para sul, umas sobre as outras. Do cume do Monte Everest até à sua base, estas unidades rochosas são a Formação Qomolangma, a Formação North Col e a Formação Rongbuk (sob o Glaciar de Rongbuk).
A Formação Qomolangma, também conhecida como Formação Jolmo Lungama, estende-se desde o cume até ao topo da Faixa Amarela, a cerca de 8 600 m (28 200 ft) acima do nível do mar. É constituída por calcário do Ordoviciano cinzento a cinzento escuro ou branco, com laminação e estratificação paralelas, intercalado com leitos subordinados de dolomita recristalizada, com lâminas argilosas e siltito. Gansser foi o primeiro a reportar a descoberta de fragmentos microscópicos de crinoides neste calcário.[14] A análise petrográfica posterior de amostras do calcário recolhidas perto do cume revelou que eram compostas por pellets de carbonato e restos finamente fragmentados de trilobitas, crinoides e ostracodes. Outras amostras encontravam-se tão fortemente cisalhadas e recristalizadas que os seus constituintes originais não puderam ser determinados. Um leito espesso de trombolitos, de coloração branca por intemperismo e com 60 m (200 ft) de espessura, constitui o sopé do "Terceiro Degrau" e a base da pirâmide do cume do Everest. Este leito, que aflora a partir de cerca de 70 m (230 ft) abaixo do cume do Monte Everest, consiste em sedimentos retidos, ligados e cimentados por biofilmes de micro-organismos, especialmente cianobactérias, em águas marinhas rasas. A Formação Qomolangma encontra-se fragmentada por várias falhas de alto ângulo que terminam na falha normal de baixo ângulo, o Descolamento Qomolangma. Este descolamento separa-a da Faixa Amarela subjacente. Os cinco metros inferiores da Formação Qomolangma, que se sobrepõem a este descolamento, estão muito deformados.[12][13][15]
A maior parte do Monte Everest, entre 7 000 e 8 600 m (23 000 e 28 200 ft), é constituída pela Formação North Col, da qual a Faixa Amarela forma a parte superior entre 8 200 a 8 600 m (26 900 a 28 200 ft). A Faixa Amarela consiste em leitos intercalados de mármore do Câmbrico Médio com diópsido e epídoto, que adquire uma cor castanha amarelada distinta por intemperismo, e filito de moscovita e biotite, além de semixisto. A análise petrográfica de mármore recolhido a cerca de 8 300 m (27 200 ft) revelou que é composto por até cinco por cento de vestígios (fantasmas) de ossículos de crinoides recristalizados. Os cinco metros superiores da Faixa Amarela, adjacentes ao Descolamento Qomolangma, estão muito deformados. Uma brecha de falha com 5 a 40 cm (2,0 a 15,7 in) de espessura separa-a da Formação Qomolangma sobrejacente.[12][13][15]
O resto da Formação North Col, exposta entre 7 000 a 8 200 m (23 000 a 26 900 ft) no Monte Everest, consiste em xisto e filito intercalados e deformados, e uma quantidade menor de mármore. Entre 7 600 e 8 200 m (24 900 e 26 900 ft), a Formação North Col é constituída principalmente por filito de biotite-quartzo e filito de clorite-biotite, intercalados com quantidades menores de xisto de biotite-sericita-quartzo. Entre 7 000 e 7 600 m (23 000 e 24 900 ft), a parte inferior da Formação North Col consiste em xisto de biotite-quartzo intercalado com xisto de epídoto-quartzo, xisto de biotite-calcite-quartzo e finas camadas de mármore quartzoso. Estas rochas metamórficas parecem resultar do metamorfismo do flysch marinho profundo do Câmbrico Médio a Inferior, composto por camadas intercaladas de mudstone, folhelho (shale), arenito argiloso, arenito calcário, grauvaque e calcário arenoso. A base da Formação North Col é uma falha normal regional de baixo ângulo denominada "Descolamento de Lhotse".[12][13][15]
Abaixo dos 7 000 m (23 000 ft), a Formação Rongbuk encontra-se por baixo da Formação North Col e forma a base do Monte Everest. Consiste em xisto e gnaisse de grau silimanita-feldspato potássico, intruídos por numerosas soleiras e diques de leucogranito (granito claro) cuja espessura varia entre 1 cm e 1.500 m.[13][16] Estes leucogranitos fazem parte de uma cintura de rochas intrusivas do final do Oligoceno ao Mioceno, conhecida como o leucogranito do Alto Himalaia. Formaram-se em resultado da fusão parcial de rochas metassedimentares de alto grau, do Paleoproterozoico ao Ordoviciano, da Sequência do Alto Himalaia, há cerca de 20 a 24 milhões de anos, durante a subducção da Placa Indiana.[17]
O Monte Everest é constituído por rochas sedimentares e metamórficas que foram falhadas para sul, sobre a crosta continental composta por granulitos arcaicos da Placa Indiana, durante a colisão cenozoica da Índia com a Ásia.[18][19][20] As interpretações atuais sustentam que as formações Qomolangma e North Col são constituídas por sedimentos marinhos que se acumularam na plataforma continental da margem continental passiva do norte da Índia, antes da colisão com a Ásia. A colisão cenozoica da Índia com a Ásia deformou e metamorfoseou subsequentemente estes estratos à medida que os empurrava para o sul e para cima.[21][22] A Formação Rongbuk consiste numa sequência de rochas graníticas e metamórficas de alto grau que derivaram da alteração de rochas metassedimentares de alto grau. Durante a colisão da Índia com a Ásia, estas rochas foram empurradas para baixo e para norte à medida que eram sobrepostas por outros estratos; foram aquecidas, metamorfoseadas e parcialmente fundidas a profundidades superiores a 15 a 20 km (9,3 a 12,4 mi) abaixo do nível do mar; e depois foram forçadas a subir à superfície devido a cavalgamentos em direção ao sul, entre dois descolamentos principais.[23] O Monte Everest está a elevar-se a um ritmo de cerca de 2 mm por ano.[24]
Sítio do património geológico da IUGS
[editar | editar código]No que respeita ao reconhecimento das "rochas mais altas do planeta" como calcário marinho fossilífero, as Rochas Ordovicianas do Monte Everest foram incluídas pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS) na sua lista de 100 sítios de património geológico em todo o mundo, publicada em outubro de 2022. A organização define um Sítio de Património Geológico da IUGS como "um local chave com elementos e/ou processos geológicos de relevância científica internacional, utilizado como referência, e/ou com uma contribuição substancial para o desenvolvimento das ciências geológicas ao longo da história."[25]

Flora e fauna
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Existe muito pouca flora ou fauna nativa no Everest. Um tipo de musgo cresce a 6 480 metros (21 260 ft) no Monte Everest e pode ser a espécie vegetal de maior altitude.[26] Uma planta alpina em forma de almofada chamada Arenaria é conhecida por crescer abaixo de 5 500 metros (18 000 ft) na região.[27] De acordo com um estudo baseado em dados de satélite de 1993 a 2018, a vegetação está a expandir-se na região do Everest. Os investigadores encontraram plantas em áreas que anteriormente eram consideradas desprovidas de vegetação.[28]
Uma minúscula aranha saltadora preta do gênero Euophrys foi encontrada em altitudes tão elevadas como 6 700 metros (22 000 ft),[29] possivelmente tornando-a o residente permanente não microscópico confirmado de maior altitude na Terra. Outra espécie de Euophrys, E. everestensis, foi encontrada a 5 030 metros (16 500 ft) e pode alimentar-se de insetos que foram levados para lá pelo vento.[29] Existe uma elevada probabilidade de vida microscópica em altitudes ainda mais elevadas.
O ganso-indiano migra sobre os Himalaias e tem sido visto a voar nas altitudes mais elevadas da montanha.[30] Em 1953, George Lowe (membro da expedição de Tenzing e Hillary) disse ter visto gansos-indianos a voar sobre o cume do Everest.[31] Outra espécie de ave, a gralha, foi avistada a altitudes tão elevadas como o Colo Sul a 7 906 m (25 938 ft)[32] e gralhas-de-bico-amarelo foram vistas a altitudes de 7 900 m (25 919 ft).[30]
Os iaques são frequentemente utilizados para transportar equipamento para as escaladas do Monte Everest. Podem carregar cerca de 100 kg, possuem pelo espesso e pulmões grandes.[27] Outros animais na região incluem o tahr-do-himalaia, que é por vezes presa do leopardo-das-neves.[33] O urso-negro-do-himalaia pode ser encontrado até cerca de 4 300 metros (14 000 ft) e o panda-vermelho também está presente na região.[34] Uma expedição encontrou uma gama surpreendente de espécies na região, incluindo uma pica e dez novas espécies de formigas.[35]
Conservação
[editar | editar código]Do lado nepalês, o Everest é protegido como parte do Parque Nacional de Sagarmatha,[36] enquanto do lado chinês a montanha é protegida como parte da Reserva Natural Nacional de Qomolangma.[37]
Clima
[editar | editar código]O Monte Everest tem um clima de calota polar (Köppen EF), com todos os meses a apresentarem médias bem abaixo de zero.[a]
| Dados climáticos para Monte Everest (Cume) | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Média mínima °C (°F) | −36 (−33) |
−35 (−31) |
−32 (−26) |
−31 (−24) |
−25 (−13) |
−20 (−4) |
−18 (0) |
−18 (0) |
−21 (−6) |
−27 (−17) |
−30 (−22) |
−34 (−29) |
−36 (−33) |
| Fonte: | |||||||||||||
Mudanças climáticas
[editar | editar código]O acampamento base para as expedições ao Everest sediadas no Nepal está localizado junto ao Glaciar de Khumbu, que está a diminuir rapidamente e a desestabilizar devido às mudanças climáticas, tornando-o inseguro para os alpinistas. Conforme recomendado pelo comité formado pelo governo do Nepal para facilitar e monitorizar o montanhismo na região do Everest, Taranath Adhikari — diretor-geral do departamento de turismo do Nepal — disse que têm planos para mudar o acampamento base para uma altitude mais baixa. Isto significaria uma maior distância para os alpinistas entre o acampamento base e o Acampamento 1. Embora os responsáveis tivessem afirmado inicialmente que a mudança poderia acontecer até 2024,[38] a resistência das comunidades de alpinistas e xerpas resultou na suspensão da mudança, em parte porque não existe um local de acampamento alternativo viável que permita aos alpinistas passarem pela cascata de gelo nas horas mais seguras do início da manhã.[39]
Meteorologia
[editar | editar código]| Comparação da Pressão atmosférica | Pressão | Referência | |
|---|---|---|---|
| quilopascal | psi | ||
| Cume do Olympus Mons | 0,03 | 0,0044 | – |
| Média de Marte | 0,6 | 0,087 | – |
| Fundo da Hellas Planitia | 1,16 | 0,168 | – |
| Limite de Armstrong | 6,25 | 0,906 | – |
| Cume do Monte Everest | 33,7 | 4,89 | [40] |
| Nível do mar da Terra | 101,3 | 14,69 | – |
| Nível do Mar Morto | 106,7 | 15,48 | [41] |
| Superfície de Vénus | 9 200 | 1 330 | [42] |
Em 2008, uma nova estação meteorológica a cerca de 8 000 m (26 000 ft) de elevação entrou em funcionamento.[43] O projeto foi orquestrado pela Stations at High Altitude for Research on the Environment (SHARE), que também colocou a Webcam do Monte Everest em 2011.[43][44] A estação meteorológica movida a energia solar está localizada no Colo Sul.[45]
O Monte Everest estende-se até à troposfera superior e penetra na estratosfera.[46] A pressão do ar no cume é geralmente cerca de um terço do que é ao nível do mar. A altitude pode expor o cume aos ventos rápidos e gelados da corrente de jato.[47] Os ventos atingem frequentemente os 160 km/h (100 mph);[48] em fevereiro de 2004, uma velocidade do vento de 280 km/h (175 mph) foi registada no cume.
Estes ventos podem dificultar a progressão ou colocar os alpinistas em perigo, empurrando-os para abismos ou (pelo Princípio de Bernoulli) diminuindo ainda mais a pressão do ar, o que reduz o oxigênio disponível em até 14 por cento.[47][49] Para evitar os ventos mais severos, os alpinistas geralmente procuram uma janela de 7 a 10 dias na primavera e no outono, quando a época das monções asiáticas está a começar ou a terminar.
O Monte Everest abriga várias estações meteorológicas que recolhem dados importantes sobre as condições meteorológicas em grandes altitudes. Entre elas está a Estação Balcony (Balcony Station), a estação meteorológica mais alta do planeta, localizada a cerca de 8 430 metros (27 660 ft) acima do nível do mar. Criada pelos cientistas climáticos Tom Matthews e Baker Perry em 2019, esta estação está posicionada logo abaixo do cume do Everest, que é o ponto mais alto da Terra.[50]
A 20 de janeiro de 2020, a Estação Balcony deixou de transmitir dados.[51]
Levantamentos topográficos
[editar | editar código]Século XIX
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Em 1802, os britânicos iniciaram o Grande Levantamento Trigonométrico da Índia para fixar, entre outras coisas, as localizações, alturas e nomes das montanhas mais altas do mundo. Começando no sul da Índia, as equipas de levantamento moveram-se para norte utilizando teodolitos gigantes, pesando cada um 500 kg (1 100 lb) e exigindo 12 homens para os carregar, para medir as alturas com a maior precisão possível. Chegaram ao sopé dos Himalaias na década de 1830, mas o Nepal não estava disposto a permitir que os britânicos entrassem no país devido a suspeitas sobre as suas intenções. Vários pedidos dos topógrafos para entrar no Nepal foram negados.[52]
Os britânicos foram forçados a continuar as suas observações a partir de Terai, uma região a sul do Nepal que é paralela aos Himalaias. As condições em Terai eram difíceis devido às chuvas torrenciais e à malária. Três oficiais de topografia morreram de malária, enquanto outros dois tiveram de se reformar devido a problemas de saúde.[52]
Não obstante, em 1847, os britânicos continuaram o levantamento e iniciaram observações detalhadas dos picos dos Himalaias a partir de estações de observação até 240 km (150 mi) de distância. O clima restringiu o trabalho aos últimos três meses do ano. Em novembro de 1847, Andrew Scott Waugh, o Topógrafo-Geral da Índia britânico, fez várias observações a partir da estação de Sawajpore, no extremo oriental dos Himalaias. O Kangchenjunga era então considerado o pico mais alto do mundo e, com interesse, ele notou um pico além dele, a cerca de 230 km (140 mi) de distância. John Armstrong, um dos subordinados de Waugh, também viu o pico de um local mais a oeste e chamou-lhe pico "b". Waugh escreveria mais tarde que as observações indicavam que o pico "b" era mais alto que o Kangchenjunga, mas eram necessárias observações mais próximas para verificação. No ano seguinte, Waugh enviou um oficial de topografia de volta a Terai para fazer observações mais próximas do pico "b", mas as nuvens frustraram as suas tentativas.[52]
Em 1849, Waugh enviou James Nicolson para a área, que fez duas observações a partir de Jirol, a 190 km (120 mi) de distância. Nicolson pegou então no maior teodolito e dirigiu-se para leste, obtendo mais de 30 observações de cinco locais diferentes, sendo o mais próximo a 174 km (108 mi) do pico.[52]
Nicolson retirou-se para Patna no Ganges para realizar os cálculos necessários com base nas suas observações. Os seus dados brutos deram uma altura média de 9 200 m (30 200 ft) para o pico "b", mas isso não considerou a refração da luz, que distorce as alturas. No entanto, o número indicava claramente que o pico "b" era mais alto que o Kangchenjunga. Nicolson contraiu malária e foi forçado a voltar a casa sem terminar os seus cálculos. Michael Hennessy, um dos assistentes de Waugh, tinha começado a designar os picos com base em algarismos romanos, com o Kangchenjunga nomeado Pico IX. O pico "b" tornou-se então conhecido como Pico XV.[52]
Em 1852, destacado na sede do levantamento em Dehradun, Radhanath Sikdar, um matemático e topógrafo indiano de Bengala, foi o primeiro a identificar o Everest como o pico mais alto do mundo, utilizando cálculos trigonométricos baseados nas medições de Nicolson.[53] Um anúncio oficial de que o Pico XV era o mais alto foi adiado por vários anos enquanto os cálculos eram repetidamente verificados. Waugh começou a trabalhar nos dados de Nicolson em 1854 e, juntamente com a sua equipa, passou quase dois anos a trabalhar nos números, tendo de lidar com os problemas de refração da luz, pressão barométrica e temperatura ao longo das vastas distâncias das observações. Finalmente, em março de 1856, ele anunciou as suas descobertas numa carta ao seu vice em Calcutá. O Kangchenjunga foi declarado ter 8 582 m (28 156 ft), enquanto ao Pico XV foi dada a altura de 8 840 m (29 002 ft). Waugh concluiu que o Pico XV era "muito provavelmente o mais alto do mundo".[52] Calculou-se que o Pico XV (medido em pés) tinha exatamente 29 000 ft (8 839,2 m) de altura, mas foi publicamente declarado como tendo 29 002 ft (8 839,8 m) para evitar a impressão de que uma altura exata de 29.000 pés não passava de uma estimativa arredondada.[54] Waugh é por vezes creditado de forma lúdica como sendo "a primeira pessoa a colocar dois pés no topo do Monte Everest" (num trocadilho com a medida em pés, *feet*).[55]
Século XX
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Em 1856, Andrew Waugh anunciou o Everest (então conhecido como Pico XV) com 8 840 m (29 002 ft) de altura, após vários anos de cálculos baseados em observações feitas pelo Grande Levantamento Trigonométrico.[56] De 1952 a 1954, o Survey of India, utilizando métodos de triangulação, determinou que a altura do Everest era de 8 847,73 m (29 028 ft).[57] Em 1975, foi subsequentemente reafirmado por uma medição chinesa de 8 848,13 m (29 029,30 ft).[58] Em ambos os casos, mediu-se a calota de neve e não o pico rochoso. A altura de 8 848 m (29 029 ft) fornecida foi oficialmente reconhecida pelo Nepal e pela China.[59] O Nepal planeou um novo levantamento em 2019 para determinar se o Sismo do Nepal de abril de 2015 afetou a altura da montanha.[60]
Em maio de 1999, uma expedição americana ao Everest dirigida por Bradford Washburn ancorou uma unidade de GPS no ponto rochoso mais alto. Uma elevação da base rochosa de 8 850 m (29 035 ft) e uma elevação de neve/gelo de 1 m (3 ft) a mais foram obtidas através deste dispositivo.[61] Embora até 2001 não tenha sido oficialmente reconhecido pelo Nepal,[62] este valor é amplamente citado. A incerteza do Geóide lança dúvidas sobre a precisão reivindicada por ambos os levantamentos de 1999 e 2005 (ver § Século XXI).[63]
Em 1955, um mapa fotogramétrico detalhado (à escala de 1:50.000) da região de Khumbu, incluindo o lado sul do Monte Everest, foi feito por Erwin Schneider como parte da Expedição Internacional aos Himalaias de 1955, que também tentou o Lhotse.
No final da década de 1980, um mapa topográfico ainda mais detalhado da área do Everest foi feito sob a direção de Bradford Washburn, utilizando extensa fotografia aérea.[64]
Século XXI
[editar | editar código]A 9 de outubro de 2005, após vários meses de medições e cálculos, a Academia Chinesa de Ciências e o Departamento de Topografia e Cartografia do Estado anunciaram a altura do Everest como sendo 8 844,43 m (29 017,16 ft) com precisão de ±0,21 m (8,3 in), alegando que era a medição mais exata e precisa até à data.[65] Esta altura baseia-se no ponto mais alto da rocha e não na neve e gelo que o cobrem. A equipa chinesa mediu uma profundidade de neve-gelo de 3,5 m (11 ft),[58] o que está de acordo com uma elevação líquida de 8 848 m (29 029 ft). Surgiu uma discussão entre a China e o Nepal sobre se a altura oficial deveria ser a altura da rocha (8.844 m, China) ou a altura da neve (8.848 m, Nepal). Em 2010, os dois lados concordaram que a altura do Everest é de 8.848 m, e o Nepal reconheceu a alegação da China de que a altura rochosa do Everest é de 8.844 m.[66] A 8 de dezembro de 2020, foi anunciado conjuntamente pelos dois países que a nova altura oficial é de 8 848,86 metros (29 031,7 ft).[67][68]
Pensa-se que as placas tectónicas da Falha Principal dos Himalaias e falhas relacionadas, que formam o limite convergente entre a Placa Eurasiática e a Placa Indiana, estão a aumentar a altura e a mover o cume para nordeste. Dois relatos sugerem que as taxas de mudança são de 4 mm (0,16 in) por ano verticalmente e 3 a 6 mm (0,12 a 0,24 in) por ano horizontalmente,[61][69] mas um outro relato menciona um movimento lateral maior (27 mm ou 1,1 in),[70] e até mesmo o encolhimento foi sugerido.[71]
Comparações
[editar | editar código]O cume do Everest é o ponto em que a superfície da Terra atinge a maior distância acima do nível do mar. Diversas outras montanhas são por vezes reivindicadas como sendo as "montanhas mais altas da Terra". O Mauna Kea, no Havai, é a mais alta quando medida a partir da sua base;[nota 1] ele eleva-se mais de 10 200 m (33 464,6 ft) da sua base no fundo do oceano, mas atinge apenas 4 205 m (13 796 ft) acima do nível do mar.
Pela mesma medida da base ao cume, o Denali (também chamado Monte McKinley), no Alasca, é também mais alto que o Everest.[nota 1] Apesar da sua altura acima do nível do mar ser de apenas 6 190 m (20 308 ft), o Denali assenta no topo de uma planície inclinada com elevações de 300 a 900 m (980 a 2 950 ft), resultando numa altura acima da base na ordem de 5 300 a 5 900 m (17 400 a 19 400 ft); um valor habitualmente citado é 5 600 m (18 400 ft).[72][73] Em comparação, elevações de base razoáveis para o Everest variam de 4 200 m (13 800 ft) no lado sul a 5 200 m (17 100 ft) no Planalto Tibetano, o que resulta numa altura acima da base entre 3 650 a 4 650 m (11 980 a 15 260 ft).[64]
O cume do Chimborazo no Equador está a 2 168 m (7 113 ft) mais distante do centro da Terra (6 384,4 km ou 3 967,1 mi) do que o do Everest (6 382,3 km, 3 965,8 mi), devido ao fato de a Terra ser abaulada no equador.[74] Isto ocorre apesar do Chimborazo ter um pico de 6 268 m (20 564,3 ft) acima do nível do mar em comparação com os 8 848 m (29 028,9 ft) do Monte Everest.
Contexto e mapas
[editar | editar código]Muitas das montanhas mais altas do mundo estão perto do Monte Everest, por exemplo, o Lhotse, com 8 516 m (27 940 ft); o Nuptse, com 7 855 m (25 771 ft); o Changtse, com 7 580 m (24 870 ft); e o Khumbutse, com 6 636 m (21 772 ft). No lado sudoeste, uma característica importante nas áreas mais baixas é o glaciar e a cascata de gelo do Khumbu, um obstáculo para os alpinistas nessas rotas, mas também para os acampamentos base.
Ascensão
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Como o Everest é a montanha mais alta do mundo, tem atraído considerável atenção e tentativas de escalada. Não se sabe ao certo se a montanha foi escalada na antiguidade. Pode ter sido escalada em 1924, embora isso nunca tenha sido confirmado, uma vez que nenhum dos dois homens que fizeram a tentativa regressou. As rotas de escalada foram estabelecidas ao longo de décadas de expedições.[75]
O cume foi alcançado por seres humanos, de que há conhecimento, pela primeira vez em 1953.[76] Apesar do esforço investido em expedições, apenas cerca de 200 pessoas tinham atingido o cume até 1987.[76] O Everest permaneceu uma escalada difícil durante décadas, mesmo para alpinistas profissionais e grandes expedições nacionais, que eram a norma até a era comercial começar na década de 1990.[77] Até dezembro de 2024, a The Himalayan Database registou pouco menos de 13.000 cumes no total, alcançados por cerca de 7.200 pessoas diferentes.[78][79][80]
Embora montanhas mais baixas tenham escaladas mais longas ou mais íngremes, o Everest é tão alto que a corrente de jato pode atingi-lo. Os alpinistas podem enfrentar ventos superiores a 320 km/h (200 mph) quando o tempo muda.[81] Em certas épocas do ano, a corrente de jato desloca-se para norte, proporcionando períodos de relativa calma na montanha.[82] Outros perigos incluem nevões e avalanches.[82]
Primeiras tentativas
[editar | editar código]Em 1885, Clinton Thomas Dent, presidente do Alpine Club, sugeriu que a escalada do Everest era possível no seu livro Above the Snow Line.[83] A abordagem norte da montanha foi descoberta por George Mallory e Guy Bullock na Expedição de Reconhecimento Britânica inicial de 1921.[84] Esta não estava equipada para uma tentativa séria de escalar a montanha. Com Mallory a liderar, tornando-se assim no primeiro europeu a pisar os flancos do Everest, escalaram o Colo Norte até a uma altitude de 7 005 metros (22 982 ft). A partir daí, Mallory avistou uma rota para o topo, mas o grupo não estava preparado para subir mais e desceu. Os britânicos regressaram para uma expedição em 1922. Na primeira tentativa de chegar ao cume, Mallory, o Coronel Felix Norton e Howard Somervell, sem oxigênio suplementar, alcançaram os 8 225 m (26 985 ft), a primeira vez que um humano relatou ter subido a mais de 8 000 m (26 247 ft). George Finch e Geoffrey Bruce escalaram utilizando oxigênio pela primeira vez. Subiram a uma velocidade notável — 290 metros (951 ft) por hora — e atingiram a altitude de 8 321 m (27 300 ft).
A expedição seguinte ocorreu em 1924. A tentativa inicial de Mallory e Geoffrey Bruce foi abortada quando as condições meteorológicas impediram o estabelecimento do Acampamento VI. A tentativa seguinte foi de Norton e Somervell, que escalaram sem oxigênio e com um tempo perfeito, atravessando a Face Norte para o Grande Couloir. Norton conseguiu chegar aos 8 572,8 m (28 126 ft), embora tenha subido apenas cerca de 30 m (100 ft) na última hora. Mallory usou equipamento de oxigênio para um último esforço e escolheu o jovem Andrew Irvine como seu parceiro.[85] A 8 de junho de 1924, George Mallory e Andrew Irvine fizeram uma tentativa de alcançar o cume através da rota do Colo Norte-Cume Norte-Cume Nordeste, da qual nunca mais regressaram. Em 1 de maio de 1999, a Expedição de Pesquisa Mallory e Irvine encontrou o corpo de Mallory na Face Norte, numa bacia de neve abaixo e a oeste do local tradicional do Acampamento VI. Tem havido grande controvérsia na comunidade do alpinismo sobre se um ou ambos chegaram ao cume 29 anos antes da primeira ascensão confirmada e descida segura em 1953. O pé decepado de Irvine, ainda com bota e meia, foi encontrado em 2024.[86]

Em 1933, Lucy, Lady Houston, uma milionária britânica, financiou o Voo do Everest de Houston de 1933, no qual uma formação de dois aviões Westland Wallace, liderada pelo Marquês de Clydesdale, sobrevoou o cume do Everest.[87][88][89][90]
As primeiras expedições — como a de Charles Granville Bruce na década de 1920 e as duas tentativas fracassadas de Hugh Ruttledge na expedição de 1933 e na expedição de 1936 — tentaram subir a montanha a partir do Tibete, pela Face Norte. O acesso a partir do norte foi vedado a expedições ocidentais em 1950, depois da China ter assumido o controlo do Tibete. Em 1950, Bill Tilman e um pequeno grupo que incluía Charles Houston, Oscar Houston e Betsy Cowles realizaram uma expedição exploratória ao Everest através do Nepal ao longo da rota que se tornou a abordagem padrão ao Everest a partir do sul.[91]
Foi concedida permissão à Expedição Suíça ao Monte Everest de 1952 para tentar uma escalada a partir do Nepal. Estabeleceu uma rota através da cascata de gelo do Khumbu e subiu até ao Colo Sul, a uma altitude de 7 986 m (26 201 ft). Raymond Lambert e o xerpa Tenzing Norgay conseguiram atingir uma elevação de cerca de 8 595 m (28 199 ft) no Cume Sudeste, estabelecendo um novo recorde de altitude de escalada. A experiência de Tenzing revelou-se útil quando foi contratado para integrar a expedição britânica em 1953.[92] Os suíços fizeram outra tentativa pós-monção no outono; conseguiram chegar ao Colo Sul, mas foram forçados a recuar devido aos ventos de inverno e ao frio extremo.[93][94]
Primeira ascensão bem-sucedida por Tenzing e Hillary, 1953
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Em 1953, uma nona expedição britânica, liderada por John Hunt, regressou ao Nepal. Hunt selecionou duas duplas de escaladores para tentar o cume. A primeira, Tom Bourdillon e Charles Evans, ficou a menos de 100 m (330 ft) do cume no dia 26 de maio de 1953, mas teve de voltar para trás devido a problemas de oxigênio. Conforme planeado, o seu trabalho na descoberta da rota, na abertura de caminho e nos depósitos de oxigênio foi de grande ajuda para a dupla seguinte. Dois dias depois, a expedição fez o seu segundo ataque com a segunda dupla: o neozelandês Edmund Hillary e Tenzing Norgay, um alpinista xerpa nepalês. Atingiram o cume às 11:30 da manhã, hora local, a 29 de maio de 1953, através da rota do Colo Sul. Na altura, ambos reconheceram que tinha sido um esforço de equipa de toda a expedição, mas Tenzing revelou alguns anos mais tarde que Hillary tinha colocado o seu pé no cume primeiro.[95] Tiraram fotografias e enterraram alguns doces e uma pequena cruz na neve antes de descerem.[96]
Décadas de 1950–60
[editar | editar código]A 23 de maio de 1956, Ernst Schmied e Juerg Marmet alcançaram o cume.[97] Wang Fuzhou, Gonpo e Qu Yinhua, da China, fizeram a primeira ascensão relatada ao pico a partir do Cume Norte em maio de 1960.[98] O primeiro americano a escalar o Everest, Jim Whittaker, acompanhado por Nawang Gombu, alcançou o cume a 1 de maio de 1963 na expedição americana ao Monte Everest. A 22 de maio, na mesma expedição, Tom Hornbein e Willi Unsoeld foram os primeiros a atravessar a montanha, subindo pela Face Norte e descendo pelo Colo Sul.[99][100]
Década de 1970
[editar | editar código]Em 1970, montanhistas japoneses conduziram uma grande expedição. A peça central foi uma grande expedição de estilo "cerco", trabalhando para encontrar uma nova rota na Face Sudoeste.[101] Outro elemento foi uma tentativa de descer o Everest a esquiar.[77] Apesar de uma equipa de mais de cem pessoas e de uma década de planeamento, a expedição sofreu oito baixas e falhou o cume.[77] Contudo, as expedições japonesas tiveram alguns sucessos. Yuichiro Miura tornou-se o primeiro homem a descer de esqui do Colo Sul — ele desceu quase 1 300 vertical metros (4 200 ft) a partir do Colo Sul antes de cair com ferimentos extremos. Outro sucesso foi uma expedição que colocou quatro alpinistas no cume através da rota do Colo Sul.[77][102][103] As façanhas de Miura tornaram-se tema de filme, e ele viria a tornar-se a pessoa mais velha a atingir o cume do Everest em 2003, aos 70 anos, e novamente em 2013, aos 80 anos.[104]
Em 1975, Junko Tabei tornou-se a primeira mulher a chegar ao cume do Everest.[77] A Expedição Britânica à Face Sudoeste do Monte Everest de 1975, liderada e organizada por Chris Bonington, fez a primeira ascensão da Face Sudoeste a partir do Western Cwm. Em 1978, Reinhold Messner e Peter Habeler fizeram a primeira ascensão do Everest sem oxigênio suplementar.
1979/1980: Himalaísmo de inverno
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O alpinista polaco Andrzej Zawada chefiou a primeira ascensão de inverno ao Everest, e também a primeira ascensão de inverno de uma montanha com mais de oito mil metros. A 15 de janeiro, a equipa conseguiu estabelecer o Acampamento III a 7 150 metros (23 460 ft) acima do nível do mar, mas a ação subsequente foi interrompida por ventos com força de furacão. O tempo melhorou após o dia 11 de fevereiro, quando Leszek Cichy, Walenty Fiut e Krzysztof Wielicki montaram o acampamento IV no Colo Sul a 7 906 metros (25 938 ft). Cichy e Wielicki iniciaram a ascensão final às 6h50 do dia 17 de fevereiro. Às 14h40, Andrzej Zawada, no acampamento base, ouviu as vozes dos alpinistas pelo rádio – "Estamos no cume! O vento forte sopra o tempo todo. Está um frio inimaginável."[105][106][107] Esta bem-sucedida ascensão de inverno deu início a uma nova década do Himalaísmo de Inverno, que se tornou uma especialidade polaca. Após 1980, os polacos realizaram dez primeiras ascensões de inverno a picos de 8.000 metros.[108][106][109][110]
Tragédia de Lho La, 1989
[editar | editar código]Em 1989, os alpinistas polacos sob a liderança de Eugeniusz Chrobak organizaram uma expedição internacional ao Everest numa difícil crista oeste. Dez polacos e nove estrangeiros participaram, mas apenas os polacos permaneceram na tentativa para o cume. A 24 de maio, Chrobak e Andrzej Marciniak, partindo do acampamento V a 8 200 metros (26 900 ft), superaram a crista e chegaram ao cume. Contudo, a 27 de maio, durante uma avalanche proveniente da encosta do Khumbutse perto do passo de Lho La, quatro alpinistas foram mortos: Mirosław Dąsal, Mirosław Gardzielewski, Zygmunt Andrzej Heinrich e Wacław Otręba. No dia seguinte, devido aos ferimentos, Chrobak faleceu. Marciniak, que estava ferido, foi salvo por uma expedição de resgate na qual participaram Artur Hajzer e os neozelandeses Gary Ball e Rob Hall. A organização do resgate contou com a participação de Reinhold Messner, Elizabeth Hawley, Carlos Carsolio e do cônsul dos EUA.[111]
Desastre de 1996
[editar | editar código]A 10 e 11 de maio de 1996, oito alpinistas morreram depois de expedições guiadas terem sido apanhadas num nevão durante uma tentativa ao cume no dia 10 de maio. Durante a época de 1996, 15 pessoas morreram. Este foi o maior número de mortes resultantes de um único evento meteorológico, e temporada, até às 16 mortes na Avalanche de gelo do Monte Everest de 2014. O desastre do guia obteve grande publicidade e levantou questões sobre a comercialização da escalada e a segurança de guiar clientes no Everest.
O jornalista Jon Krakauer, encarregado pela revista Outside, estava num dos grupos guiados afetados e publicou o best-seller Into Thin Air, relatando a sua experiência. Krakauer criticou o guia Anatoli Boukreev.[112][113] Um ano depois, Boukreev foi coautor de The Climb, em parte como uma refutação à perspetiva de Krakauer.[114] A disputa gerou um grande debate dentro da comunidade do alpinismo. Boukreev recebeu o Prémio David Sowles do American Alpine Club pelos seus esforços de resgate na expedição.[113] Em 2004, investigadores da Universidade de Toronto disseram à New Scientist que uma análise das condições em 11 de maio sugeria que o tempo fez com que os níveis de oxigênio descessem cerca de 14 por cento.[115][116]
Um dos sobreviventes foi Beck Weathers, que tinha sido deixado como morto a cerca de 275 metros do Acampamento 4 a 7.950 metros. Depois de passar uma noite na montanha, Weathers conseguiu voltar ao Acampamento 4 com queimaduras graves pelo frio e deficiência visual devido à cegueira da neve.[117] Os seus colegas alpinistas consideraram a sua condição fatal e deixaram-no numa tenda para morrer durante a noite.[118] Weathers foi levado para o Acampamento 2 e o Exército Nepalês organizou um resgate de helicóptero.[117][118] O impacto da tempestade sobre os alpinistas na Crista Norte, onde vários alpinistas também morreram, foi detalhado num relato em primeira mão por Matt Dickinson no seu livro The Other Side of Everest. Mark Pfetzer, de dezasseis anos, estava na escalada e escreveu sobre isso no livro Within Reach: My Everest Story. O filme de 2015 Everest baseia-se nos eventos deste desastre.[119]
2006
[editar | editar código]| Fatalidades em 2006 | |
|---|---|
| Mortes[120] | Nação[121] |
| Tuk Bahadur Thapa Masa | |
| Igor Plyushkin | |
| Vitor Negrete | |
| David Sharp | |
| Thomas Weber | |
| Tomas Olsson | |
| Jacques-Hugues Letrange | |
| Ang Phinjo | |
| *Pavel Kalny | |
| Lhakpa Tseri[122] | |
| Dawa Temba[122] | |
| Sri Kishan[121] | |
| *Fatalidade na Face do Lhotse | |

Em 2006, 12 pessoas morreram.[123] A morte de David Sharp desencadeou um debate e anos de discussão sobre a ética na escalada. A questão era se os alpinistas tinham deixado um homem morrer e se ele poderia ter sido salvo. Ele tentou subir sozinho com duas garrafas de oxigênio, em comparação com as cinco padrão usadas pela maioria dos alpinistas.[124][125] Ele organizou a sua licença através da Asian Trekking, uma empresa com sede em Kathmandu que fornecia serviços básicos até ao acampamento base, mas não além desse ponto.[126] Sharp escalou sem rádio ou guia.[125] Vários grupos de escalada encontraram Sharp em dificuldades.[127]
O alpinista duplamente amputado Lincoln Hall relatou que no dia 15 de maio o seu grupo de escalada, e muitos outros, tinham passado por Sharp, que estava abrigado debaixo de uma saliência rochosa a 450 metros (1 480 ft) do cume, sem tentarem um resgate.[128] Inglis referiu que 40 pessoas tinham passado por Sharp, mas que ele poderia ter sido ignorado porque os alpinistas assumiram que Sharp era o cadáver apelidado de "Botas Verdes",[129] contudo, Inglis não estava a par de que alguns alpinistas tinham tentado ajudar Sharp, apesar de estarem no processo de ajudar uma mulher ferida, Burçak Özoğlu Poçan, a descer. Houve muita discussão sobre a Himex nos comentários sobre Inglis e Sharp. Em relação aos comentários iniciais de Inglis, ele mais tarde reviu os detalhes porque tinha sido entrevistado enquanto estava "fisica e mentalmente exausto, e com muitas dores. Ele tinha sofrido de queimaduras pelo frio – mais tarde teve cinco pontas dos dedos amputadas."[130] Estimou-se que Sharp atingiu o cume a 14 de maio e iniciou a sua descida, mas a 15 de maio encontrava-se em dificuldades e a ser ultrapassado por alpinistas a caminho da subida e descida.[131] Acredita-se que sofria de hipóxia e estava a cerca de 300 m (1 000 ft) do cume na rota da Face Norte.[131]
O The Tribune, na Índia, citou alguém que descreveu o que aconteceu a Sharp como "o ato mais vergonhoso na história do montanhismo".[132] Grande parte dessa controvérsia foi registada pelo Discovery Channel durante a gravação de Everest: Além do Limite. Uma decisão crucial a afetar Sharp é mostrada quando um alpinista em retorno, o aventureiro Maxim Chaya, está a descer e avisa o gerente do seu acampamento base (Russell Brice) pelo rádio que encontrou um alpinista em apuros, inconsciente e com queimaduras graves de frio. Chaya é incapaz de identificar Sharp, que optou por escalar a solo e não se identificou perante outros alpinistas. O gerente presume que Sharp faça parte de um grupo que já determinou que deve abandoná-lo, e informa o seu alpinista solitário que não há qualquer hipótese de ele ser capaz de ajudar Sharp sozinho. À medida que o estado de Sharp se deteriora e outros alpinistas a descer passam por ele, as suas oportunidades de resgate diminuem: as suas pernas e pés encolhem por causa das queimaduras do frio, impedindo-o de caminhar; alpinistas a descer mais tarde estão com menos oxigênio e sem força para oferecer auxílio; esgota-se o tempo para os xerpas regressarem e resgatá-lo. O corpo de Sharp permaneceu logo abaixo do cume do lado chinês, próximo do "Botas Verdes"; eles partilharam um espaço numa caverna de rochas que se tornou um túmulo ad hoc.[131] O corpo de Sharp foi removido da caverna em 2007,[133] e desde 2014, o Botas Verdes está desaparecido, possivelmente tendo sido removido ou enterrado.[134]
À medida que o debate sobre Sharp começou, no dia 26 de maio o alpinista australiano Lincoln Hall foi encontrado vivo após ter sido deixado para trás.[135] Foi encontrado por um grupo de quatro alpinistas que, desistindo da sua própria tentativa, permaneceram com Hall e desceram com ele e com os 11 xerpas enviados para o carregarem para baixo. Hall recuperou na totalidade. A sua equipa presumira que ele tinha morrido de um edema cerebral, e recebeu instruções para o cobrir com pedras.[135] Não havia pedras para o fazer, pelo que ele foi abandonado.[136] A informação errónea da sua morte chegou a ser passada para a sua família.[136]
2007
[editar | editar código]A 21 de maio de 2007, a alpinista canadiana Meagan McGrath iniciou com sucesso o resgate de alta altitude da nepalesa Usha Bista. McGrath foi selecionada como recebedora do Prémio Humanitário da Fundação Sir Edmund Hillary do Canadá em 2011, que reconhece um canadiano que tenha prestado um serviço significativo na Região dos Himalaias do Nepal.[137]
Estatísticas de ascensão até à temporada de 2010
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Até ao final de 2010, tinham ocorrido 5.104 cumes por cerca de 3.142 indivíduos, com 77 por cento sendo realizados desde 2000.[138] O cume foi atingido em 7 dos 22 anos entre 1953 e 1974 e não foi falhado entre 1975 e 2014.[138] Uma ilustração da explosão de popularidade é dada pelo número de subidas diárias. A análise do Desastre do Monte Everest de 1996 mostra que parte da culpa deveu-se ao engarrafamento provocado por um grande número de alpinistas (33 a 36) a tentar chegar ao cume no mesmo dia; isso era invulgarmente elevado na época. Por comparação, a 23 de maio de 2010, o cume foi alcançado por 169 alpinistas – mais cumes num único dia do que nos 31 anos desde o primeiro cume bem-sucedido em 1953 até 1983.[138] Quase todas as tentativas para o cume são feitas através de uma das duas rotas principais. Em 2005–07, mais de metade escolheu usar a rota do nordeste, que é mais desafiante, mas mais barata. Em 2008, a rota do nordeste foi encerrada pelo governo chinês durante essa temporada, e as únicas pessoas a conseguirem chegar ao cume a partir do norte nesse ano foram os atletas que transportavam a tocha olímpica para os Jogos Olímpicos de Verão de 2008.[139] A rota foi fechada a estrangeiros em 2009 nos preparativos para o 50.º aniversário do exílio do Dalai Lama.[140] Estes encerramentos levaram a uma diminuição do interesse pela rota norte, e em 2010, dois terços dos cumes foram atingidos pelo sul.[138]
Década de 2010
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A década de 2010 foi uma época de novos máximos e baixos para a montanha, com desastres em 2013 e 2014 a causarem um número recorde de mortes. Em 2015, não se registaram cumes pela primeira vez em décadas.[141] Foi estabelecido um recorde em 2019, com mais de 890 pessoas a atingirem o topo.[142]
Avalanche de 2014
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A 18 de abril de 2014, uma avalanche atingiu a área imediatamente abaixo do Acampamento Base 2.[143] Morreram 16 pessoas, todas guias nepaleses, e nove ficaram feridas.[144] Em resposta, os guias de escalada xerpas abandonaram o trabalho e a maior parte das empresas de escalada retirou-se em respeito ao povo xerpa que chorava a sua perda.[145][146]
Sismo e avalanches de 2015
[editar | editar código]O ano de 2015 previa-se como uma época de escaladas com quebra de recordes, com centenas de licenças. No entanto, a 25 de abril de 2015, um sismo de magnitude 7,8 na escala Mw desencadeou uma avalanche que atingiu o Acampamento Base do Everest,[147] encerrando assim a temporada.[148] Dezoito corpos foram recuperados pela equipa de montanhismo do Exército Indiano.[149] A avalanche começou em Pumori,[150] deslocou-se através da Cascata de Gelo do Khumbu na encosta sudoeste do Everest, e colidiu com o Acampamento Base Sul.[151] 2015 marcou a primeira vez desde 1974 em que não houve cumes na primavera, visto que todas as equipas de escalada se retiraram.[152] Um dos motivos foi a alta probabilidade de ocorrência de réplicas sísmicas.[153] Semanas após o primeiro tremor de terra, a região sofreu um abalo de 7,3 e seguiram-se muitas réplicas.[154]
Os sismos deixaram centenas de alpinistas presos acima da cascata de gelo do Khumbu, os quais tiveram de ser evacuados de helicóptero quando as suas provisões começaram a escassear.[155] O abalo deslocou a rota ao longo da cascata de gelo, tornando-a intransitável.[155] O mau tempo também dificultou o resgate aéreo.[155] Registou-se um grande impacto geral em todo o Nepal, com mais de 9.000 mortes.[156][157] No Tibete, até 28 de abril, pelo menos 25 pessoas haviam perdido a vida.[158]
2016 e 2017
[editar | editar código]| Ano | Alpinistas no cume | Referências |
|---|---|---|
| 2010 | 543 | [142] |
| 2011 | 538 | [142] |
| 2012 | 547 | [159] |
| 2013 | 658–670 | [160][142] |
| 2014 | 106 | [161] |
| 2015 | 0 | [162][142] |
| 2016 | 641 | [163] |
| 2017 | 648 | [164] |
| 2018 | 807 | [141][165] |
| 2019 | 891 | [142] |
| 2020 | 0 | [166] |
A base de dados de Hawley regista que 641 pessoas chegaram ao cume no início de 2016.[167] 2017 foi a maior temporada até então, rendendo centenas de cumes alcançados e também um punhado de mortes.[168] A 27 de maio, Kami Rita concluiu o seu 21.º cume com a Alpine Ascents Everest Expedition, tornando-se uma das três pessoas, juntamente com Apa Sherpa e Phurba Tashi Sherpa, a conseguir chegar ao cume por 21 vezes.[169][170] A época teve um começo trágico com a morte de Ueli Steck, que faleceu de uma queda durante uma escalada de aquecimento.[171] Houve uma discussão contínua sobre possíveis mudanças no Hillary Step.[172] O número de cumes registados para 2017 somou um total de 648.[164]
2018
[editar | editar código]O número recorde de 891 alcançou o cume em 2018.[173] Um dos fatores que ajudou nisto foi a janela meteorológica especialmente longa e limpa de 11 dias durante a crítica temporada de escaladas da primavera.[141][174][165] Vários recordes foram batidos, incluindo um cume alcançado pelo alpinista com dupla amputação Xia Boyu, após este ter ganho um caso no Supremo Tribunal do Nepal.[141] 7 alpinistas morreram.[141] Apesar do número recorde no cume, os veteranos das expedições na década de 1980 lamentaram a sobrelotação, o lixo e os custos.[174]
2019
[editar | editar código]| Fatalidades em 2019[175] | |
|---|---|
| Fatalidades | Nacionalidade |
| Chris Daly | |
| Donald Cash | |
| Robin Fisher | |
| Druba Bista | |
| Kevin Hynes | |
| Kalpana Dash | |
| Anjali S. Kulkarni | |
| Ernst Landgraf | |
| Nihal Bagwan | |
| Ravi Thakar | |
| Chris Kulish | |
| Séamus Lawless*[176] | |
| *Declarado morto após desaparecimento | |
A janela de primavera, ou janela pré-monção para 2019, testemunhou a morte de alpinistas. Imagens de centenas de pessoas na fila para alcançar o cume e os relatos de alpinistas que passavam por cima de cadáveres causaram consternação em pessoas por todo o mundo.[177][178][179]
Ocorreu o anúncio de uma expedição científica para voltar a medir a altura do Everest, particularmente à luz dos terramotos de 2015.[180][181][182] De entre as equipas de alpinistas estava uma expedição científica com o planeamento do estudo sobre a poluição, e sobre a forma como coisas como a neve e a vegetação afetam a disponibilidade de alimentos e de água na região.[183] Na temporada de primavera de 2019, encontravam-se cerca de 40 equipas e quase 400 alpinistas, mais várias centenas de guias, que tentaram fazer o cume no lado do Nepal.[184][185][186] O Nepal emitiu 381 licenças de escalada para 2019.[173] Para as rotas a norte no Tibete chinês, foram emitidas mais centenas de licenças.[187] Em maio, o guia de montanhismo nepalês Kami Rita chegou ao topo do Everest por duas vezes no espaço de uma semana, nas suas 23.ª e 24.ª escaladas.[188][184][185]
Até ao dia 28 de maio, o número de mortos tinha atingido 11, depois da morte de um alpinista a cerca de 7 900 m (26 000 ft) durante a descida,[175] e de um 12.º alpinista estar desaparecido, sendo posteriormente declarado morto.[176] As mortes deveram-se possivelmente à sobrelotação, que levou a atrasos num ponto mais alto da montanha e a janelas meteorológicas mais curtas.[173] Alguém que já tinha subido à montanha notou que, mal se abre a janela de bom tempo, criam-se longas filas porque toda a gente se apressa a subir e descer.[189][190] Apesar do número de mortes, relatórios mostraram que um recorde de 891 alpinistas chegaram ao cume no período de escalada da primavera de 2019.[191][142] Muito embora a China já dispusesse de restrições nas autorizações de escalada e o Nepal já exigisse que um médico aprovasse essas mesmas autorizações,[191] os perigos naturais do alpinismo, como quedas e avalanches, agravados com as complicações médicas decorrentes da extrema altitude do Everest, causaram, em 2019, um ano com uma taxa de mortalidade significativamente alta.[191]
Década de 2020
[editar | editar código]Tanto o Nepal como a China proibiram grupos de escalada estrangeiros durante a temporada de 2020, devido à pandemia de COVID-19. O ano de 2020 não registou quaisquer subidas ao cume a partir do lado do Nepal (Sul).[192]
Em outubro de 2025, condições semelhantes a nevões levaram as autoridades chinesas a evacuar quase 350 pessoas até 6 de outubro, com cerca de mais 200 retidas na Área Cénica do Everest.[193][194]
Escalada
[editar | editar código]Licenças
[editar | editar código]| Localização | Altitude (km) | |
|---|---|---|
| Cume 8848 m / 29035 ft | 8.8 | |
| Acampamento 4 8000 m / 26000 ft | 8.0 | |
| Acampamento 3 6800 m / 22300 ft | 6.8 | |
| Acampamento 2 6400 m / 21000 ft | 6.4 | |
| Acampamento 1 6100 m / 20000 ft | 6.1 | |
| Acampamento Base 5400 m / 17700 ft | 5.4 | |

Em 2014, o Nepal emitiu 334 licenças de escalada, que foram prorrogadas até 2019 devido ao encerramento.[196] Em 2015, o Nepal emitiu 357 licenças, mas a montanha foi fechada novamente por causa da avalanche e do sismo, e estas licenças receberam uma prorrogação de dois anos até 2017.[197][196]
Em 2017, uma pessoa que tentou escalar o Everest sem a licença de 11.000 dólares foi apanhada após passar pela cascata de gelo do Khumbu. Enfrentou, entre outras penalizações, uma multa de 22.000 dólares e possivelmente quatro anos de prisão. No final, foi-lhe permitido regressar a casa, mas foi banido do montanhismo no Nepal por 10 anos.[198]
O número de licenças emitidas anualmente pelo Nepal é:[197][199]
- 2008: 160
- 2009: 220
- 2010: 209
- 2011: 225
- 2012: 208
- 2013: 316
- 2014: 326 (prorrogadas para uso até 2019)
- 2015: 356 (prorrogadas para uso até 2017)
- 2016: 289
- 2017: 366 a 373
- 2018: 346
- 2019: 381
- 2020: 0 (nenhuma licença emitida durante a pandemia)
- 2021: 408 (recorde atual)[200][201]
O lado chinês no Tibete também é gerido através de licenças para atingir o cume do Everest.[202] Não emitiram licenças em 2008, devido à estafeta da tocha olímpica ter sido levada ao cume do Monte Everest.[203]
Em março de 2020, os governos da China e do Nepal cancelaram todas as licenças de escalada para o Monte Everest devido à pandemia de COVID-19.[204][205] Em abril de 2020, um grupo de montanhistas chineses iniciou uma expedição a partir do lado chinês. A montanha permaneceu fechada do lado chinês a todos os alpinistas estrangeiros.[206] A 10 de maio de 2021, uma linha de separação foi anunciada pelas autoridades chinesas para evitar a propagação do coronavírus a partir de alpinistas que subiam pelo lado do Nepal.[207]
Em abril de 2025, o Governo do Nepal introduziu um novo regulamento que exige que os alpinistas tenham alcançado previamente o cume de, pelo menos, um pico de 7.000 metros no Nepal antes de serem elegíveis para obter uma licença para uma expedição ao Monte Everest. A regra está programada para entrar em vigor a partir da época de escalada da primavera de 2026.[208]
Escalada comercial
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Segundo Jon Krakauer, a era da comercialização do Everest começou em 1985, quando o cume foi alcançado por uma expedição guiada liderada por David Breashears que incluía Richard Bass, um rico empresário de 55 anos e alpinista amador com quatro anos de experiência em escalada.[210] No início da década de 1990, várias empresas ofereciam visitas guiadas à montanha. Rob Hall, um dos montanhistas que morreu no desastre de 1996, tinha guiado com sucesso 39 clientes até ao cume antes desse incidente.
Em 2016, a maioria dos serviços de guia custava entre 35.000 e 200.000 dólares.[211] Ir com um "guia celebridade", geralmente um montanhista conhecido tipicamente com décadas de experiência em escalada e talvez vários cumes no Everest, podia custar mais de £100.000 a partir de 2015.[212] Contudo, os serviços oferecidos variam muito e aplica-se a regra de que "o comprador deve ter cuidado" ao fazer negócios no Nepal, um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo.[211][213] O turismo contribuiu em 7,9 por cento para o produto interno bruto (PIB) em 2019[214] num país com elevado desemprego,[215] mas um carregador no Everest pode ganhar quase o dobro do salário médio nacional numa região onde faltam outras fontes de rendimento.[216]
Os custos para além do serviço de guia podem variar muito. É tecnicamente possível chegar ao cume com despesas adicionais mínimas, e existem agências de viagens "low-cost" que oferecem apoio logístico para tais viagens. Um serviço de apoio limitado, que oferece apenas algumas refeições no acampamento base e os custos burocráticos de uma licença, podia custar apenas 7.000 dólares em 2007.[130] Porém, isto é considerado difícil e perigoso (como ilustrado pelo caso de David Sharp).[217]
O equipamento de escalada necessário para atingir o cume pode custar mais de 8.000 dólares, e a maioria dos alpinistas também utiliza oxigênio engarrafado, o que acrescenta cerca de 3.000 dólares.[218] A licença para entrar na área do Everest a partir do sul, via Nepal, custa de 10.000 a 30.000 dólares por pessoa, dependendo do tamanho da equipa.[218] A subida começa tipicamente num dos dois acampamentos base perto da montanha, ambos localizados a cerca de 100 quilômetros (60 mi) de Catmandu e 300 quilômetros (190 mi) de Lhasa (as duas cidades mais próximas com aeroportos de grande dimensão). O transporte do equipamento desde o aeroporto até ao acampamento base pode custar até 2.000 dólares adicionais.[218]
Muitos alpinistas contratam empresas de guias com "serviço completo", que providenciam uma vasta gama de serviços, incluindo a aquisição de licenças, transporte de/para o acampamento base, alimentação, tendas, cordas fixas,[219] assistência médica na montanha, um guia montanhista experiente e até mesmo carregadores pessoais para levarem a mochila e prepararem as refeições. O custo de um serviço de guia deste gênero pode variar entre 40.000 e 80.000 dólares por pessoa.[220] Dado que a maior parte do equipamento é movido por xerpas, os clientes destas companhias de guias com serviço completo conseguem muitas vezes manter o peso das suas mochilas abaixo dos 10 quilogramas (22 lb), ou contratar um xerpa para lhes carregar a mochila. Em contrapartida, os alpinistas que tentam picos menos comercializados, como o Denali, têm frequentemente de carregar mochilas com mais de 30 quilogramas (66 lb) e, ocasionalmente, puxar um trenó com 35 quilogramas (77 lb) de material e comida.[221]
O grau de comercialização do Monte Everest é alvo frequente de críticas.[159] Jamling Tenzing Norgay, filho de Tenzing Norgay, disse numa entrevista em 2003 que o seu falecido pai teria ficado chocado ao descobrir que caçadores de emoções ricos e sem qualquer experiência de escalada estavam agora a atingir rotineiramente o cume: "Ainda tens de escalar esta montanha tu próprio, com os teus pés. Mas o espírito de aventura já não existe. Está perdido. Há pessoas que sobem lá que não têm a menor ideia de como colocar grampões. Estão a subir porque pagaram a alguém 65.000 dólares. É muito egoísta. Coloca em perigo a vida de outros."[222]
Um exemplo disso é Shriya Shah-Klorfine, que teve de ser ensinada a colocar os grampões durante a sua tentativa de atingir o cume em 2012.[223] Ela pagou pelo menos 40.000 dólares a uma nova empresa de guias pela viagem e morreu quando ficou sem oxigênio durante a descida, depois de ter escalado ininterruptamente durante 27 horas.[224]
Reinhold Messner concordou em 2004:
Poderias morrer em cada escalada e isso significava que eras responsável por ti próprio. Nós éramos verdadeiros montanhistas: cautelosos, conscientes e até amedrontados. Ao escalar montanhas não estávamos a aprender a nossa grandeza. Estávamos a descobrir quão frágeis, quão fracos e quão cheios de medo nós somos. Só consegues entender isto se te expuseres a grandes perigos. Sempre disse que uma montanha sem perigo não é uma montanha... O alpinismo de grande altitude tornou-se turismo e espetáculo. Estas viagens comerciais ao Everest continuam a ser perigosas. Mas os guias e os organizadores dizem aos clientes: 'Não se preocupem, está tudo organizado'. A rota é preparada por centenas de xerpas. Existe oxigênio extra disponível em todos os acampamentos, até ao cume. Há pessoas a cozinhar para ti e a fazer as tuas camas. Os clientes sentem-se seguros e não se importam com os riscos.[225]
Em 2015, o Nepal ponderou exigir que os alpinistas possuíssem alguma experiência prévia, com a esperança de que tal medida tornasse a montanha mais segura e aumentasse as receitas.[226] Um entrave a isto prende-se com o fato de as empresas com orçamentos mais baixos ganharem dinheiro precisamente por não levarem alpinistas inexperientes ao cume.[211] Aqueles que são rejeitados pelas empresas ocidentais podem frequentemente encontrar outra firma disposta a aceitá-los por um preço — e a fazê-los regressar a casa pouco depois de chegarem ao acampamento base, ou a meio da montanha.[211]
Não obstante, nem todas as opiniões a este respeito entre montanhistas de renome têm sido puramente negativas. Por exemplo, Edmund Hillary declarou em 2003 que, apesar de "ter pessoas a pagar 65.000 dólares para serem lideradas pela montanha acima por um par de guias experientes... não ser, de fato, puro montanhismo",[227] regozijou-se com as mudanças trazidas à região do Everest pelos ocidentais:
Não me arrependo de nada, pois trabalhei arduamente para melhorar as condições das populações locais. Quando lá fomos a primeira vez, eles não tinham escolas, nem instalações médicas. Ao longo dos anos estabelecemos 27 escolas, dois hospitais e dezenas de clínicas médicas, construímos pontes sobre rios bravos e instalámos redes de água potável. Por conseguinte, em colaboração com os xerpas, fizemos bastante em benefício deles.[228]
Um dos primeiros a chegar ao cume com a ajuda de guias, Richard Bass (famoso pelos Sete Cumes), afirmou em 2003 que "Os alpinistas deveriam ter experiência de elevada altitude antes de tentarem as grandes montanhas. As pessoas não percebem a diferença entre uma montanha de 20 000-pé [6 100 m] e uma de 29 000-pé [8 800 m]. Não se trata apenas de aritmética. A diminuição do oxigênio no ar pode ser proporcional à altitude, mas o seu efeito sobre o corpo humano é desproporcional — consiste numa curva exponencial. Há quem escale o Denali [6 190 m ou 20 320 ft] ou o Aconcágua [6 960 m ou 22 834 ft] e pense: 'Caramba, sinto-me maravilhosamente bem aqui no cimo, vou tentar o Everest.' Contudo, não é assim que a coisa funciona."[229]
Escalada de velocidade
[editar | editar código]Tendas de altitude
[editar | editar código]Algumas equipas de expedição fazem com que os seus clientes usem tendas de altitude para se pré-aclimatizarem antes de partirem para a montanha. Em comparação com as expedições tradicionais ao Everest que duram de 50 a 60 dias, as tendas de altitude podem reduzir o período da expedição para 30 a 35 dias.[230]
Gás xenônio
[editar | editar código]Em 2025, quatro homens escalaram a montanha numa semana. Alegaram que a inalação de gás xenônio 10 dias antes para estimular a produção de eritropoietina tinha eliminado a necessidade de aclimatação à altitude ao longo de várias semanas. A Federação Internacional de Escalada e Montanhismo (UIAA) criticou a decisão, citando que não há evidências de que a inalação de xenônio melhore o desempenho em ambientes de grande altitude. Além disso, a UIAA alertou que, como anestésico, o gás xenônio pode resultar no comprometimento da função cerebral, problemas respiratórios e morte, se usado num ambiente não monitorizado.[231][232][233]
Atingir o cume com deficiências
[editar | editar código]Alcançar o cume do Everest com deficiências tornou-se popular no século XXI. Sudarshan Gautam, um canadiano com dupla amputação, chegou ao cume da montanha em 2013.[234] No mesmo ano, Eli Reimer, um adolescente com síndrome de Down, caminhou até ao Acampamento Base Sul como parte de um esforço de angariação de fundos para a fundação do seu pai.[235]
Rotas
[editar | editar código]O Monte Everest tem duas rotas principais de escalada, a Crista Sudeste pelo Nepal e a Crista Norte pelo Tibete, bem como muitas outras rotas escaladas com menos frequência.[236] Das duas rotas principais, a Crista Sudeste é tecnicamente mais fácil e mais frequentemente utilizada. Foi a rota usada por Edmund Hillary e Tenzing Norgay em 1953 e a primeira reconhecida de 15 rotas para o topo até 1996.[236] Esta foi, no entanto, uma decisão de rota ditada mais pela política do que pelo planeamento, uma vez que a fronteira chinesa foi fechada ao mundo ocidental na década de 1950, após a Anexação do Tibete à República Popular da China.[237]
A maioria das tentativas é feita durante o mês de maio, antes da temporada de monções de verão. À medida que a temporada de monções se aproxima, a corrente de jato desloca-se para o norte, reduzindo assim as velocidades médias do vento no alto da montanha.[238][239] Embora às vezes sejam feitas tentativas em setembro e outubro, após as monções, quando a corrente de jato é temporariamente empurrada novamente para o norte, a neve adicional depositada pelas monções e os padrões climáticos menos estáveis no final das monções tornam a escalada extremamente difícil.
Crista Sudeste
[editar | editar código]A ascensão através da Crista Sudeste começa com uma caminhada até ao Acampamento Base a 5 380 m (17 700 ft) no lado sul do Everest, no Nepal. As expedições normalmente voam para Lukla (2.860 m) a partir de Catmandu e passam por Namche Bazaar. Os alpinistas caminham então até ao Acampamento Base, o que geralmente leva de seis a oito dias, permitindo a aclimatação adequada à altitude de modo a prevenir o mal da montanha.[240] Os equipamentos de escalada e suprimentos são transportados por iaques, dzopkyos (híbridos de iaque e vaca) e carregadores humanos até ao Acampamento Base no Glaciar de Khumbu. Quando Hillary e Tenzing escalaram o Everest em 1953, a expedição britânica da qual faziam parte (composta por mais de 400 alpinistas, carregadores e xerpas na altura) partiu do Vale de Catmandu, visto que não existiam estradas mais a leste nessa época.
Os alpinistas passam algumas semanas no Acampamento Base, a aclimatar-se à altitude. Durante esse tempo, os xerpas e alguns alpinistas da expedição instalam cordas e escadas na traiçoeira Cascata de Gelo do Khumbu.
Seracs, fendas e blocos de gelo instáveis fazem da cascata de gelo uma das secções mais perigosas da rota. Muitos alpinistas e xerpas foram mortos nesta secção. Para reduzir o perigo, os alpinistas geralmente começam a sua subida bem antes do amanhecer, quando as temperaturas gélidas colam os blocos de gelo no lugar.
Acima da cascata de gelo fica o Acampamento I a 6 065 metros (19 900 ft).

A partir do Acampamento I, os alpinistas sobem o Western Cwm até à base da Face do Lhotse, onde o Acampamento II ou Acampamento Base Avançado (ABC) é estabelecido a 6 500 m (21 300 ft). O Western Cwm é um vale glaciar plano e de subida suave, marcado por enormes fendas laterais no centro, que impedem o acesso direto às partes superiores do Cwm. Os alpinistas são forçados a atravessar na extrema direita, perto da base do Nuptse, para uma pequena passagem conhecida como "Canto Nuptse" (Nuptse corner). O Western Cwm também é chamado de "Vale do Silêncio", pois a topografia da área geralmente corta o vento da rota de escalada. A grande altitude aliada a um dia claro e sem vento pode tornar o Western Cwm insuportavelmente quente para os alpinistas.[241]
A partir do Acampamento II, os alpinistas sobem a Face do Lhotse em cordas fixas, até ao Acampamento III, localizado numa pequena saliência a 7 470 m (24 500 ft). Dali, são mais 500 metros até ao Acampamento IV no Colo Sul, a 7 920 m (26 000 ft).
Do Acampamento III para o Acampamento IV, os alpinistas deparam-se com dois desafios adicionais: o Esporão de Genebra e a Faixa Amarela (Yellow Band). O Esporão de Genebra é uma nervura de rocha negra em forma de bigorna, nomeada pela expedição suíça de 1952. Cordas fixas ajudam os alpinistas a escalar sobre esta faixa de rocha coberta de neve. A Faixa Amarela é uma secção de camadas intercaladas de mármore, filito e semixisto, que também exige cerca de 100 metros de corda para ser atravessada.[241]
No Colo Sul, os alpinistas entram na zona da morte. Os alpinistas que fazem tentativas de cume normalmente não conseguem suportar mais de dois ou três dias nesta altitude. Se o tempo não estiver claro com ventos fracos durante estes curtos dias, os alpinistas são forçados a descer, muitos recuando até ao Acampamento Base.
A partir do Acampamento IV, os alpinistas iniciam o seu ataque ao cume por volta da meia-noite, com a esperança de alcançar o cume (ainda mais 1.000 metros acima) dentro de 10 a 12 horas. Os alpinistas chegam primeiro à "Varanda" (The Balcony) a 8 400 m (27 600 ft), uma pequena plataforma onde podem descansar e contemplar os picos a sul e a leste à primeira luz do amanhecer. Continuando pela crista, os alpinistas deparam-se então com uma série de imponentes degraus de rocha que geralmente os força para o leste, para a neve à altura da cintura, um grave perigo de avalanche. A 8 750 m (28 700 ft), uma pequena cúpula de gelo e neve do tamanho de uma mesa marca o Cume Sul.[241]
A partir do Cume Sul, os alpinistas seguem a afiada Crista Sudeste ao longo do que é conhecido como a "Travessia da Cornija" (Cornice traverse), onde a neve se agarra a rochas intermitentes. Esta é a secção mais exposta da escalada, e um passo em falso para a esquerda enviaria o alpinista 2 400 m (7 900 ft) pela Face Sudoeste abaixo, enquanto à sua direita imediata fica a Face de Kangshung de 3 050 m (10 010 ft). No final desta travessia encontra-se uma imponente parede de rocha de 12 m (39 ft), o Hillary Step, a 8 790 m (28 840 ft).[242]
Hillary e Tenzing foram os primeiros alpinistas a subir este degrau, e fê-lo utilizando equipamentos primitivos de escalada no gelo e cordas. Hoje em dia, os alpinistas sobem utilizando cordas fixas previamente instaladas por xerpas. Uma vez acima do degrau, a escalada até ao topo é comparativamente fácil, em encostas de neve com inclinação moderada — embora a exposição na crista seja extrema, especialmente ao atravessar grandes cornijas de neve. Com o aumento do número de pessoas a escalar a montanha, o Degrau tem-se tornado frequentemente num ponto de estrangulamento, com os alpinistas forçados a esperar quantidades significativas de tempo pela sua vez nas cordas, levando a problemas para fazer os alpinistas subir e descer a montanha eficientemente.
Depois do Hillary Step, os alpinistas devem atravessar uma secção solta e rochosa que tem um grande emaranhado de cordas fixas que pode ser problemático em condições de mau tempo. Os alpinistas normalmente passam menos de meia hora no cume para terem tempo de descer ao Acampamento IV antes de o escuro se instalar, para evitar problemas graves com o tempo da tarde, ou devido ao esgotamento das botijas de oxigênio suplementar.
Rota da Crista Norte
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A rota da Crista Norte tem início no lado norte do Everest, no Tibete. As expedições caminham até ao Glaciar de Rongbuk, montando o acampamento base a 5 180 m (16 990 ft) numa planície de cascalho logo abaixo do glaciar. Para chegar ao Acampamento II, os alpinistas sobem a moreia central do glaciar oriental de Rongbuk até à base de Changtse, a cerca de 6 100 m (20 000 ft). O Acampamento III (ABC – Acampamento Base Avançado) situa-se abaixo do Colo Norte, a 6 500 m (21 300 ft). Para alcançarem o Acampamento IV no Colo Norte, os alpinistas sobem o glaciar até ao sopé do colo, onde são utilizadas cordas fixas para chegar ao Colo Norte a 7 010 m (23 000 ft). A partir do Colo Norte, os alpinistas sobem a rochosa Crista Norte para montar o Acampamento V a cerca de 7 775 m (25 500 ft). A rota cruza a Face Norte numa subida diagonal até à base da Faixa Amarela, alcançando o local do Acampamento VI a 8 230 m (27 000 ft). A partir do Acampamento VI, os alpinistas fazem a sua investida final rumo ao cume.
Os alpinistas enfrentam uma travessia traiçoeira desde a base do Primeiro Degrau: subindo de 8 501 a 8 534 m (27 890 a 28 000 ft), até ao ponto mais crítico da escalada, o Segundo Degrau, que sobe de 8 577 a 8 626 m (28 140 a 28 300 ft). (O Segundo Degrau inclui um auxílio de escalada chamado "escada chinesa", uma escada de metal ali colocada de forma semipermanente em 1975 por um grupo de alpinistas chineses.[243] Tem estado no local quase de forma contínua desde então, e as escadas têm sido usadas por praticamente todos os alpinistas nesta rota.) Após ultrapassar o Segundo Degrau, sobe-se pelo inconsequente Terceiro Degrau, ascendendo de 8 690 a 8 800 m (28 510 a 28 870 ft). Uma vez superados estes degraus, a pirâmide do cume é escalada através de uma encosta de neve de 50 graus, até à crista final ao longo da qual o topo é alcançado.[244]
Cume
[editar | editar código]O cume do Everest tem sido descrito como tendo "o tamanho de uma mesa de sala de jantar".[245] O topo é coberto com neve sobre o gelo por cima da rocha, e a camada de neve varia de ano para ano.[246] O cume rochoso é feito de calcário do Ordoviciano e consiste numa rocha metamórfica de baixo grau.[247] (Ver a secção Levantamentos topográficos para mais informações sobre a sua altura e o pico rochoso do Everest.)
Abaixo do cume, existe uma área conhecida como o "vale do arco-íris" (rainbow valley), repleta de cadáveres ainda a usar equipamento de inverno de cores brilhantes. Abaixo disso, até cerca dos 8 000 m (26 000 ft), existe a área habitualmente chamada de "zona da morte", devido ao elevado perigo e à falta de oxigênio causada pela baixa pressão atmosférica.[46]
Zona da morte
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Nas regiões mais altas do Monte Everest, os alpinistas que buscam o cume costumam passar um tempo substancial dentro da zona da morte (altitudes superiores a 8 000 metros (26 000 ft)), e enfrentam desafios significativos à sobrevivência. As temperaturas podem cair para níveis muito baixos, resultando em geladuras em qualquer parte do corpo exposta ao ar. Como as temperaturas são tão baixas, a neve fica bem congelada em certas áreas, podendo ocorrer morte ou ferimentos por escorregões e quedas. Os ventos fortes nessas altitudes no Everest também são uma ameaça potencial aos alpinistas.
Outra ameaça significativa aos alpinistas é a baixa pressão atmosférica. A pressão atmosférica no topo do Everest é cerca de um terço da pressão ao nível do mar ou 0,333 atmosfera padrãos (337 mbar), resultando na disponibilidade de apenas cerca de um terço da quantidade de oxigênio para respirar.[248]
Um habitante do nível do mar exposto às condições atmosféricas em altitude acima de 8 500 metros (27 900 ft) sem aclimatação provavelmente perderia a consciência em dois a três minutos.[249] Ao nível do mar, a saturação de oxigênio no sangue é geralmente de 98 a 99 por cento. No acampamento base, a saturação no sangue cai para valores entre 85 e 87 por cento. Amostras de sangue coletadas no cume indicaram níveis muito baixos de oxigênio no sangue. Um efeito colateral do baixo nível de oxigênio no sangue é uma taxa de respiração bastante acelerada, muitas vezes de 80 a 90 respirações por minuto, em oposição às mais típicas 20 a 30. A exaustão pode ocorrer meramente pela tentativa de respirar.[250]
A falta de oxigênio, a exaustão, o frio extremo e os perigos da escalada contribuem para o número de mortes. Uma pessoa ferida que não consegue andar está em sérios apuros, já que o resgate de helicóptero é geralmente impraticável e carregar a pessoa para baixo da montanha é muito arriscado. As pessoas que morrem durante a escalada são tipicamente deixadas para trás. Em 2015, mais de 200 corpos permaneciam na montanha.[134]
Sintomas debilitantes consistentes com edema cerebral de alta altitude se apresentam comumente durante a descida do cume do Monte Everest. Fadiga profunda e atrasos para alcançar o cume são características iniciais associadas à morte subsequente.
— Mortality on Mount Everest, 1921–2006: descriptive study[251]
Um estudo de 2008 observou que a "zona da morte" é, de fato, onde ocorre a maioria das mortes no Everest, mas também notou que a maioria dessas mortes acontece durante a descida do cume.[252] Um artigo de 2014 na revista The Atlantic sobre as fatalidades no Everest pontuou que, embora as quedas sejam um dos maiores perigos que a zona da morte apresenta para todas as montanhas com mais de oito mil metros (os 8000ers), as avalanches são uma causa mais comum de morte em altitudes mais baixas.[253]
Apesar disso, o Everest é mais seguro para os alpinistas do que uma série de outros picos, segundo algumas medições, mas isso depende do período.[254] Alguns exemplos são o Kangchenjunga, o K2, o Annapurna, o Nanga Parbat e o Eiger (especialmente a nordwand).[254] Alguns fatores que afetam a letalidade total da montanha incluem o nível de popularidade do pico, a habilidade daqueles que a escalam e a dificuldade da ascensão.[255]
Outro risco à saúde são as hemorragias retinianas, que podem danificar a visão e causar cegueira.[256] Até um quarto dos alpinistas do Everest podem sofrer com hemorragias retinianas e, embora elas costumem curar poucas semanas após o retorno a altitudes mais baixas, em 2010 um alpinista ficou cego e morreu na zona da morte.[256]
A equipe fez um enorme esforço nas 12 horas seguintes para tentar levá-lo montanha abaixo, mas sem sucesso, pois não conseguiram ajudá-lo a passar pelos trechos mais difíceis.[257] Mesmo para os aptos, a Crista Nordeste do Everest é reconhecida como um desafio. É difícil resgatar alguém que tenha ficado incapacitado, e pode estar muito além das habilidades dos socorristas salvar qualquer pessoa em um local tão difícil.[257] Uma forma de contornar essa situação foi pioneiramente utilizada por dois homens nepaleses em 2011, que pretendiam pular de parapente do cume. Eles não tiveram escolha e foram forçados a seguir em frente com seu plano de qualquer maneira, já que haviam ficado sem oxigênio engarrafado e suprimentos.[258] Eles decolaram com sucesso do cume e voaram de parapente até Namche Bazaar em apenas 42 minutos, sem precisar descer a montanha escalando.[258]
oxigênio suplementar
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A maioria das expedições utiliza máscaras de oxigênio e garrafas acima dos 8 000 m (26 247 ft).[259] O Everest pode ser escalado sem oxigênio suplementar, mas apenas pelos alpinistas mais experientes e com um risco acrescido. Os baixos níveis de oxigênio prejudicam a cognição, e a combinação de condições meteorológicas extremas, baixas temperaturas e encostas íngremes exige frequentemente decisões rápidas e precisas. Enquanto cerca de 95 por cento dos alpinistas que chegam ao cume usam oxigênio engarrafado para atingir o topo, cerca de cinco por cento dos alpinistas chegaram ao cume do Everest sem oxigênio suplementar. A taxa de mortalidade é o dobro para aqueles que tentam alcançar o cume sem oxigênio suplementar.[260] Viajar acima dos 8 000 m (26 000 ft) de altitude é um fator para a hipóxia cerebral.[261] Um estudo descobriu que o Monte Everest pode ser o ponto mais alto até onde um ser humano aclimatizado consegue ir, mas também descobriu que os alpinistas podem sofrer danos neurológicos permanentes apesar de regressarem a altitudes mais baixas.[261]
O uso de oxigênio engarrafado para escalar o Monte Everest tem sido controverso. Foi utilizado pela primeira vez na Expedição Britânica ao Monte Everest de 1922 por George Finch e Geoffrey Bruce, que subiram até aos 7 800 m (25 600 ft) a uma velocidade espetacular de 300 vertical metros por hora (1 000 ft/h). Presos por uma tempestade feroz, escaparam à morte respirando oxigênio a partir de uma engenhoca improvisada durante a noite. No dia seguinte, subiram até aos 8 100 m (26 600 ft) a 270 m/h (900 ft/h) – quase três vezes mais rápido do que os utilizadores sem oxigênio. No entanto, o uso de oxigênio foi considerado tão antidesportivo que nenhum outro membro do mundo alpino reconheceu esta alta taxa de ascensão.[carece de fontes]
George Mallory descreveu o uso de tal oxigênio como antidesportivo, mas mais tarde concluiu que seria impossível para ele chegar ao cume sem o mesmo e consequentemente utilizou-o na sua tentativa final em 1924.[262] Quando Tenzing e Hillary fizeram o primeiro cume bem-sucedido em 1953, também utilizaram conjuntos de oxigênio engarrafado de circuito aberto, com o fisiologista da expedição, Griffith Pugh, a referir-se ao debate sobre o oxigênio como uma "controvérsia fútil", notando que o oxigênio "aumenta grandemente a apreciação subjetiva do ambiente, o que afinal é uma das principais razões para escalar".[263] Durante os vinte e cinco anos seguintes, o oxigênio engarrafado foi considerado o padrão para qualquer cume bem-sucedido.
...embora um habitante das planícies aclimatizado possa sobreviver por algum tempo no cume do Everest sem oxigénio suplementar, está-se tão perto do limite que até mesmo um mínimo de esforço em excesso pode prejudicar a função cerebral.
— Thomas F. Hornbein em The high-altitude brain[261]
Reinhold Messner foi o primeiro alpinista a quebrar a tradição do oxigênio engarrafado e em 1978, com Peter Habeler, fez a primeira escalada bem-sucedida sem ele. Em 1980, Messner alcançou o cume da montanha a solo, sem oxigênio suplementar ou quaisquer carregadores ou parceiros de escalada, na rota mais difícil de noroeste. Assim que a comunidade de alpinismo se satisfez de que a montanha podia ser escalada sem oxigênio suplementar, muitos puristas deram então o passo lógico seguinte de insistir que é assim que ela deveria ser escalada.[264]:154
As consequências do desastre de 1996 intensificaram ainda mais o debate. A obra Into Thin Air (1997) de Jon Krakauer expressou as críticas pessoais do autor ao uso de oxigênio engarrafado. Krakauer escreveu que o uso de oxigênio engarrafado permitiu que alpinistas de outra forma não qualificados tentassem chegar ao cume, levando a situações perigosas e a mais mortes. O desastre foi parcialmente causado pelo grande número de alpinistas (34 naquele dia) que tentavam subir, causando estrangulamentos no Hillary Step e atrasando muitos alpinistas, a maioria dos quais chegou ao cume depois do horário habitual de retorno das 14h00. Ele propôs proibir o oxigênio engarrafado, exceto para casos de emergência, argumentando que isso diminuiria a crescente poluição no Everest — muitas botijas acumularam-se nas suas encostas — e manteria os alpinistas marginalmente qualificados fora da montanha.
O desastre de 1996 também introduziu a questão do papel do guia no uso de oxigênio engarrafado.[265]
A decisão do guia Anatoli Boukreev de não usar oxigênio engarrafado foi duramente criticada por Jon Krakauer. Os apoiantes de Boukreev (que incluem G. Weston DeWalt, que coescreveu The Climb) afirmam que o uso de oxigênio engarrafado dá uma falsa sensação de segurança.[266] Krakauer e os seus apoiantes salientam que, sem oxigênio engarrafado, Boukreev não poderia ajudar diretamente os seus clientes a descer.[267]
O baixo nível de oxigênio pode causar um comprometimento das capacidades cognitivas semelhante a uma névoa mental, descrito como "processo de pensamento atrasado e letárgico, clinicamente definido como bradipsiquia", mesmo após o regresso a altitudes mais baixas.[268] Em casos graves, os alpinistas podem ter alucinações. Alguns estudos descobriram que os alpinistas de grande altitude, incluindo os que escalam o Everest, sofrem alterações na estrutura cerebral.[268]
Escalada no outono
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Embora geralmente menos popular do que a primavera, o Monte Everest também tem sido escalado no outono (também chamada de "temporada pós-monção").[27][269] Por exemplo, em 2010, Eric Larsen e cinco guias nepaleses chegaram ao cume do Everest no outono pela primeira vez em dez anos.[269] A temporada de outono, quando a monção termina, é considerada mais perigosa porque normalmente há muita neve fresca que pode ser instável.[82] No entanto, este aumento de neve pode torná-la mais popular para certos desportos de inverno, como o esqui e o snowboard.[27] Dois alpinistas japoneses também chegaram ao cume em outubro de 1973.[270]
Chris Chandler e Bob Cormack chegaram ao cume do Everest em outubro de 1976 como parte da Expedição do Bicentenário Americano ao Everest daquele ano, sendo os primeiros americanos a fazer uma ascensão de outono do Monte Everest, de acordo com o Los Angeles Times.[271] No século XXI, o verão e o outono podem ser mais populares para tentativas de esqui e snowboard no Monte Everest.[272] Durante a década de 1980, escalar no outono era na verdade mais popular do que na primavera.[273] O astronauta dos EUA Karl Gordon Henize morreu em outubro de 1993 numa expedição de outono, enquanto conduzia uma experiência sobre radiação. A quantidade de radiação de fundo aumenta com altitudes mais elevadas.[274]
A montanha também já foi escalada no inverno, mas isso não é popular devido à combinação de frio, ventos fortes e dias mais curtos.[275] Em janeiro, o pico é normalmente açoitado por ventos de 270 km/h (170 mph) e a temperatura média no cume é de cerca de −33 °F (−36 °C).[27]
Roubos e criminalidade
[editar | editar código]Alguns alpinistas relataram roubos em esconderijos de mantimentos que colocam a vida em risco. Em maio de 2006, Vitor Negrete, o primeiro brasileiro a escalar o Everest sem oxigênio e parte do grupo de David Sharp, morreu durante a sua descida, e o roubo de equipamento e comida do seu acampamento de alta altitude pode ter contribuído para o desfecho.[276][277] Além de roubo, Michael Kodas descreve no seu livro, High Crimes: The Fate of Everest in an Age of Greed (2008):[278] guias e Sherpas antiéticos, prostituição e jogos de azar no Acampamento Base do Tibete, fraude relacionada com a venda de garrafas de oxigênio e alpinistas que arrecadam doações sob o pretexto de remover lixo da montanha.[279][280]
O lado chinês do Everest, no Tibete, foi descrito como "fora de controlo" em 2007, depois de um canadiano ter todo o seu equipamento roubado e ter sido abandonado pelo seu Sherpa.[281] Outro Sherpa ajudou a vítima a descer a montanha com segurança e deu-lhe algum equipamento de reserva. Outros alpinistas também relataram o desaparecimento de garrafas de oxigênio, que podem valer centenas de dólares cada. Centenas de alpinistas passam pelas tendas das pessoas, o que torna difícil a proteção contra roubos.[281] No final dos anos 2010, os relatos de roubo de garrafas de oxigênio nos acampamentos tornaram-se mais comuns.[282]
Cronologia
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Até ao final da temporada de escalada de 2010, tinham sido realizadas 5 104 ascensões ao cume por cerca de 3 142 indivíduos.[138] Alguns "primeiros marcos" notáveis por alpinistas incluem:
- 1922: Primeira subida até aos 8 000 metros (26 247 ft), por George Mallory, Col. Felix Norton e Howard Somervell.
- 1952: Primeira subida ao Colo Sul pela Expedição suíça ao Monte Everest de 1952.
- 1953: Primeira ascensão, por Tenzing Norgay e Edmund Hillary na Expedição britânica ao Monte Everest de 1953.
- 1960: Primeira ascensão relatada pela Crista Norte por Wang Fuzhou, Gongbu e Qu Yinhua da China.[98]
- 1975: Primeira ascensão feminina, por Junko Tabei (16 de maio).[138][283]
- 1975: Primeira ascensão feminina pela Crista Norte, por Phanthog, vice-líder da segunda expedição chinesa ao Everest que enviou nove alpinistas ao cume (27 de maio).[284][285][286]
- 1978: Primeira ascensão sem oxigênio suplementar por Reinhold Messner e Peter Habeler.[287]
- 1978: Primeira ascensão solo, por Franz Oppurg.[288]
- 1980: Primeira ascensão no inverno, pela Expedição Nacional Polaca de Inverno 1979/1980 (Leszek Cichy e Krzysztof Wielicki).[289][290]
- 1980: Segunda ascensão solo, e a primeira sem oxigênio suplementar, por Reinhold Messner.[287]
- 1988: Primeira escalada de "travessia" (cross-over) por equipas chinesas, japonesas e nepalesas que subiram ao pico simultaneamente pelos lados Norte e Sul da montanha e desceram pelo lado oposto.[283] Esta escalada foi também a primeira a ser gravada em transmissão televisiva em direto.
- 1988: Primeira descida de paraquedas, por Jean-Marc Boivin.[291]
- 1988: Primeira ascensão feminina sem oxigênio suplementar por Lydia Bradey.[292]
- 2000: Lhakpa Sherpa torna-se a primeira mulher nepalesa a chegar ao cume do Everest e sobreviver.[293]
- 2000: Primeira descida de esqui por Davo Karničar.[294]
- 2001: Primeira descida de snowboard por Marco Siffredi.[295][296]
- 2001: Primeira ascensão por um alpinista cego, Erik Weihenmayer.[297]
- 2025: Primeira descida de esqui sem oxigênio suplementar por Andrzej Bargiel.[298][299]
Aviação
[editar | editar código]1933: Voo sobre o Everest
[editar | editar código]Lucy, Lady Houston, uma ex-corista e milionária britânica, financiou o Voo Houston sobre o Everest de 1933. Uma formação de aviões liderada pelo Marquês de Clydesdale voou sobre o cume num esforço para fotografar o terreno desconhecido.[300]
1988: Primeira escalada e voo planado
[editar | editar código]A 26 de setembro de 1988, após ter escalado a montanha pela Crista Sudeste, Jean-Marc Boivin fez a primeira descida de parapente do Everest,[291] estabelecendo no processo o recorde da descida mais rápida da montanha e do voo de parapente mais alto. Boivin disse: "Eu estava cansado quando cheguei ao topo porque tinha aberto grande parte da trilha, e correr a esta altitude foi bastante difícil."[301]
1991: Sobrevoo de balão de ar quente
[editar | editar código]Em 1991, quatro homens em dois balões realizaram o primeiro voo de balão de ar quente sobre o Monte Everest.[302] Num balão estavam Andy Elson e Eric Jones (operador de câmara), e no outro balão Chris Dewhirst e Leo Dickinson (operador de câmara).[303] Dickinson viria a escrever um livro sobre a aventura chamado Ballooning Over Everest.[303] Os balões de ar quente foram modificados para funcionar a uma altitude de até 40 000 pés (12 000 m).[303] Reinhold Messner chamou a uma das vistas panorâmicas do Everest de Dickinson, capturada no agora descontinuado filme Kodachrome da Kodak, a "melhor fotografia da Terra", de acordo com o jornal britânico The Telegraph.[304] Dewhirst ofereceu-se para levar passageiros numa repetição deste feito por 2,6 milhões de dólares americanos por passageiro.[302]
2005: Piloto aterra no cume com helicóptero
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Em maio de 2005, o piloto francês Didier Delsalle aterrou um helicóptero Eurocopter AS350 B3 no cume do Monte Everest.[305] Ele precisava de aterrar por dois minutos para estabelecer o recorde oficial da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), mas permaneceu durante cerca de quatro minutos, por duas vezes.[305] Neste tipo de aterragem, os rotores permanecem engatados, o que evita depender da neve para suportar totalmente a aeronave. O voo estabeleceu recordes mundiais de aeronaves de asas rotativas tanto para a aterragem como para a descolagem mais altas.[306]
Alguns relatos da imprensa sugeriram que o relato da aterragem no cume foi um mal-entendido de uma aterragem no Colo Sul, mas ele também tinha aterrado no Colo Sul dois dias antes,[307] com esta aterragem e os recordes do Everest sendo confirmados pela FAI.[306] Delsalle também resgatou dois alpinistas japoneses a 16 000 pés (4 900 m) de altitude enquanto lá estava. Um alpinista notou que o novo recorde significava uma melhor hipótese de resgate.[305]
2011: Descida de parapente do cume
[editar | editar código]A 21 de maio de 2011, os nepaleses Lakpa Tsheri Sherpa e Sano Babu Sunuwar desceram de parapente do cume do Everest até Namche Bazaar em 42 minutos.[258][308] Após o voo, eles caminharam, andaram de bicicleta e andaram de caiaque até ao Oceano Índico, alcançando a Baía de Bengala a 27 de junho de 2011, tornando-se assim nas primeiras pessoas a completar uma descida contínua desde o cume até ao mar a partir do Everest.[309] Alcançaram este feito inovador apesar de Babu nunca ter escalado antes, e Lakpa nunca ter andado de caiaque e nem sequer saber nadar.[309] O duo venceu subsequentemente o prémio de Aventureiros do Ano da National Geographic em 2012 pelas suas façanhas.[309] Em 2013, imagens do voo foram exibidas no programa de notícias de televisão Nightline.[310]
2014: Ascensão assistida por helicóptero
[editar | editar código]Em 2014, uma equipa financiada e liderada pela alpinista Wang Jing utilizou um helicóptero para voar do Acampamento Base Sul até ao Acampamento II para evitar a Cascata de Gelo do Khumbu, e a partir daí escalaram até ao cume do Everest.[311] Esta escalada provocou imediatamente indignação e controvérsia em grande parte do mundo do alpinismo sobre a legitimidade e a adequação da sua escalada.[312][313] O Nepal acabou por investigar Wang, que inicialmente negou a alegação de ter voado para o Acampamento II, admitindo apenas que parte da equipa de apoio tinha sido transportada de avião para aquele acampamento mais elevado, sobre a Cascata de Gelo do Khumbu.[314] Em agosto de 2014, no entanto, afirmou que tinha voado para o Acampamento II porque a cascata de gelo estava intransitável. "Se não voares para o Acampamento II, simplesmente vais para casa", disse numa entrevista. Na mesma entrevista, também insistiu que nunca tentara esconder este fato.[312]
A sua equipa teve de usar o lado sul porque os chineses lhes tinham negado uma licença para escalar. Em última análise, a recusa chinesa pode ter sido benéfica para os interesses do Nepal, permitindo ao governo mostrar a melhoria dos hospitais locais e proporcionando a oportunidade para um novo estilo híbrido de aviação/alpinismo, desencadeando discussões sobre o uso de helicópteros no mundo do alpinismo.[312] A National Geographic observou que uma aldeia adornou Wang com honrarias depois de ela ter doado 30 000 dólares americanos ao hospital da localidade. Wang ganhou o Prémio Internacional de Alpinista do Ano do governo do Nepal em junho de 2014.[311]
2016: Aumento do negócio de helicópteros
[editar | editar código]Em 2016, a utilização crescente de helicópteros foi notada pela maior eficiência e por transportar material sobre a mortal cascata de gelo do Khumbu.[315] Em particular, notou-se que os voos pouparam aos carregadores da cascata de gelo 80 viagens, mas mesmo assim aumentaram a atividade comercial no Everest.[315] Depois de muitos nepaleses terem morrido na cascata de gelo em 2014, o governo queria que os helicópteros se encarregassem de mais transporte para o Acampamento 1, mas isto não foi possível devido ao terramoto de 2015 que encerrou a montanha, pelo que isto foi então implementado em 2016 (no entanto, os helicópteros provaram ser fundamentais no resgate de muitas pessoas em 2015).[315] Nesse verão, a Bell testou o 412EPI, que realizou uma série de testes, incluindo pairar a 18 000 pés (5 500 m) e voar até 20 000 pés (6 100 m) de altitude perto do Monte Everest.[316]
Esportes radicais
[editar | editar código]O Monte Everest tem sido palco de outros esportes de inverno e de aventura além do alpinismo, incluindo snowboard, esqui, parapente e BASE jumping.
Yuichiro Miura tornou-se o primeiro homem a descer o Everest de esqui na década de 1970. Ele desceu quase 4 200 vertical pés (1 300 m) desde o Colo Sul antes de cair com ferimentos graves.[77] Stefan Gatt e Marco Siffredi desceram o Monte Everest de snowboard em 2001.[317] Outros esquiadores do Everest incluem Davo Karničar, da Eslovênia, que completou uma descida do topo até ao Acampamento Base Sul em 2000, Hans Kammerlander, de Itália, em 1996, pelo lado norte, e Kit DesLauriers, dos Estados Unidos, em 2006.[318] Marco Siffredi morreu em 2002 na sua segunda expedição de snowboard.[317] Em 2025, Andrzej Bargiel completou a primeira descida de esqui sem oxigênio suplementar.[298][299]
Vários tipos de descidas planadas tornaram-se lentamente mais populares e são notados pelas suas descidas rápidas para acampamentos mais baixos. Em 1986, Steve McKinney liderou uma expedição ao Monte Everest.[319] O francês Jean-Marc Boivin fez a primeira descida de parapente do Everest em setembro de 1988, descendo em minutos da Crista Sudeste para um acampamento mais baixo.[291] Em 2011, os nepaleses Sano Babu Sunuwar e Lakpa Tsheri Sherpa fizeram uma descida planada do cume do Everest descendo 16 400 pés (5 000 m) em 45 minutos.[320]
Significado religioso
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A parte sul do Monte Everest é considerada um dos vários "vales ocultos" de refúgio designados por Padmasambhava, um santo budista do século IX "nascido do lótus".[321]
Perto da base do lado norte do Everest encontra-se o Mosteiro de Rongbuk, que tem sido chamado de "limiar sagrado para o Monte Everest, com as vistas mais dramáticas do mundo".[322] Para os Sherpas que vivem nas encostas do Everest na região de Khumbu, no Nepal, o Mosteiro de Rongbuk é um importante local de peregrinação, acessado em poucos dias de viagem através do Himalaia pelo passo de Nangpa La.[95]
Acredita-se que Miyolangsangma, uma deusa budista tibetana da "Dádiva Inesgotável", viva no topo do Monte Everest. Segundo os monges budistas Sherpas, o Monte Everest é o palácio e o campo de jogos de Miyolangsangma, e todos os alpinistas são convidados apenas parcialmente bem-vindos, por terem chegado sem convite.[321]
O povo Sherpa também acredita que o Monte Everest e suas encostas são abençoados com energia espiritual, e deve-se demonstrar reverência ao passar por essa paisagem sagrada. Aqui, os efeitos kármicos das ações de uma pessoa são ampliados, e pensamentos impuros devem ser evitados.[321]
Gerenciamento de resíduos
[editar | editar código]Em 2015, o presidente da Associação de Alpinismo do Nepal alertou que a poluição, especialmente os dejetos humanos, atingiu níveis críticos. Estima-se que até 12 000 kg (26 000 lb) de excrementos humanos sejam deixados na montanha a cada temporada.[323] Dejetos humanos estão espalhados pelas margens da rota para o cume, transformando as quatro áreas de acampamento na rota pelo lado sul do Everest em campos minados de excrementos. Ao longo dos 62 anos de história da escalada na montanha, os alpinistas acima do Acampamento Base costumam enterrar seus dejetos em buracos cavados na neve, lançá-los em fendas ou simplesmente defecar onde for conveniente, muitas vezes a poucos metros de suas barracas. O único lugar onde os alpinistas podem defecar sem se preocupar em contaminar a montanha é o Acampamento Base. Localizado a aproximadamente 5 500 m (18 045 ft), o Acampamento Base concentra a maior atividade de todos os acampamentos no Everest, pois é onde os alpinistas se aclimatam e descansam. No final da década de 1990, as expedições começaram a usar banheiros improvisados feitos de barris de plástico azul de 190 L (50 US gal) equipados com um assento sanitário e cercados.[324]
O problema dos dejetos humanos é agravado pela presença de resíduos comuns: cilindros de oxigênio vazios, barracas abandonadas, latas e garrafas vazias. O governo nepalês agora exige que cada alpinista traga consigo oito quilogramas de lixo ao descer a montanha.[325]
Em fevereiro de 2019, devido ao crescente problema de resíduos, a China fechou o acampamento base em seu lado do Everest para visitantes sem permissão de escalada. Os turistas podem ir apenas até o Mosteiro de Rongbuk.[326]
Em abril de 2019, o Município Rural de Khumbu Pasanglhamu, no Distrito de Solukhumbu, lançou uma campanha para coletar quase 10 000 kg (20 000 lb) de lixo do Everest.[327] Cinco anos depois, em 2024, a remoção de resíduos continua sendo um tema de atenção constante.[328][329]
Impacto cultural
[editar | editar código]Até hoje foram criados vários filmes sobre Everest. Um deles é de 1998 e outro de 2015 (Evereste).
Ver também
[editar | editar código]Notas
[editar | editar código]- 1 2 A "base" de uma montanha é uma noção geral problemática, sem uma definição universalmente aceite. No entanto, para um pico que se ergue de um terreno relativamente plano, como o Mauna Kea ou o Denali, uma altura "aproximada" acima da "base" pode ser calculada. O Everest é mais complicado, pois só se ergue acima de um terreno relativamente plano no seu lado norte (Planalto Tibetano). Portanto, o conceito de "base" faz ainda menos sentido para o Everest do que para o Mauna Kea ou o Denali, e o intervalo de números para a "altura acima da base" é mais amplo. No geral, comparações baseadas na "altura acima da base" são um tanto suspeitas.
- ↑ Na tabela abaixo, a temperatura apresentada é a temperatura média mais baixa registada nesse mês. Assim, num ano normal, a temperatura mais baixa registada em julho será de -18 graus Celsius, e a temperatura mais baixa registada em janeiro será de -36 graus Celsius.
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Bibliografia
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Ligações externas
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