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Juan de Ávalos

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Juan de Ávalos
NascimentoJuan de Ávalos y Taborda
21 de outubro de 1911
Mérida
Morte7 de julho de 2006 (94 anos)
Madrid
CidadaniaEspanha
Ocupaçãoescultor
Distinções
  • Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica (1972)
  • Grã-Cruz da Ordem do Mérito Civil (1964)
  • Medalha de Ouro do Mérito nas Belas Artes (1971)
Cargo(s)
Académico de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando (1974–2006)
AntecessorFructuoso Orduna
SucessorMiquel Navarro
Obras destacadasFrancisco Franco, Bernardo de Gálvez, Manos, Madrid, Sepulchres of the Lovers of Teruel, Pietà
Causa da morteenfarte agudo do miocárdio

Juan de Ávalos García-Taborda y Orantos (Mérida, 21 de outubro de 1911-Madri, 6 de julho de 2006) foi um escultor espanhol.

A sua escultura é uma das mais representativas da arte espanhola contemporânea, seguindo a corrente figurativa. A sua carreira, de indubitável prestígio nacional e internacional, faz com que chegue a ser considerado como um dos escultores espanhóis mais destacados do século XX.

Biografia

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Infância e estudos

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Nasceu em Mérida, numa casa de origem romana situada na rua Castelar. Seus pais, Juan e María de la Concepción, eram também emeritenses, como seu avô Francisco Ávalos y Hernández, sendo seu avô materno Nicolás de San Juan García -Taborda y Orantos, de Alburquerque.[1]

Nascido Juan Ávalos y García, tal como consta na inscrição paroquial do seu batismo, restaurou -junto com seus irmãos- posteriormente as formas originais dos seus apelidos, perdidas possivelmente com a implantação do Registro Civil em 1871.[1]

Desde pequeno começou a demonstrar excelentes dotes para o desenho com seis anos, recebendo aulas de desenho de Juan Carmona, pároco da igreja de santa Eulália. Seu pai ficou cego e, contando com oito anos, sua família se muda para Madri. Estudou no Colégio dos Mercedários ao mesmo tempo em que frequentava a Escola de Artes e Ofícios. Já criança gostou da escultura clássica, indo fazer esboços ao Casón del Buen Retiro (então sede do Museu Nacional de Reproduções Artísticas), e do Don Juan Tenorio de José Zorrilla, para o qual realizou vários esboços.[1]

Embora sua família desejasse o seu ingresso na Universidade, venceu-o a sua orientação artística, começando como aprendiz com diversos escultores da madeira e ingressando com catorze anos na Escola Superior de Belas Artes de San Fernando. Finalizou seus estudos aos vinte anos com o Prêmio Extraordinário e Prêmio Aníbal Álvarez da Real Academia de Belas Artes de San Fernando.[1]

Monumento de Juan de Ávalos em Santoña.
San Juan Evangelista em Cuelgamuros.

Juventude

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Em 1933, com 22 anos, consegue uma vaga na Universidade de Sevilha, desenvolvendo diversos trabalhos de recuperação de restos romanos, destacando os do Teatro de Mérida. Poderá assim conjugar seu trabalho com seu gosto pelo teatro. Ali conhecerá Miguel de Unamuno na estreia de Medeia. Um ano depois foi nomeado subdiretor do Museu Arqueológico de Mérida, cujos fundos catalogará e ampliará.[1]

Entretanto, irá participando de várias exposições, destacando suas contribuições às anuais Exposições Nacionais de Belas Artes.[1]

Guerra Civil

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Em 1936 incorpora-se ao Exército Nacional, mas em 1938 cai ferido gravemente em Jaén.[1]

Em 1938 contrai matrimônio com Soledad Carballo Núñez em Pontevedra.[1]

Pós-guerra

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Terminada a guerra, instala um estúdio na rua Mejía Lequerica de Madri, mas em 1940 é instaurado contra ele um processo de depuração devido a uma denúncia que o acusa de ter colaborado com atividades culturais republicanas em 1936.[1]

Ávalos continuou com sua atividade, participando da Exposição Nacional de Belas Artes desse ano e realizando a imagem de Jesus Nazareno para a igreja de Villagonzalo (Badajoz).

Em 1942 publica-se no Boletim Oficial do Estado a resolução do processo de depuração, no qual se consideram provados os fatos em virtude da sua filiação ao PSOE (com o carteira número 7 de Mérida). Inabilita-se assim para exercer cargos diretivos em instituições acadêmicas, pelo que se centrará na escultura religiosa, na restauração e em talhas para particulares.[1]

Estadia em Portugal

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Em 1945 receberá uma homenagem pública pela Câmara municipal do Porto (Portugal), ao que se seguem vários encargos em Lisboa, pelo que decide fixar seu estúdio ali. Participará em exposições em Buenos Aires e Rio de Janeiro. Iniciar-se-á também na escultura vanguardista sob o pseudônimo de Arturo Sánchez, com o qual obtém uma Menção Honrosa para artistas estrangeiros no XI Salão de Arte Moderna de Lisboa.[1]

Regresso a Espanha

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Em 1950, um amigo pessoal recomenda-lhe que se apresente ao concurso convocado para a realização das esculturas da Basílica de Cuelgamuros (Madri). Esse ano, Ávalos tinha participado na Exposição Nacional em Madri com sua obra Herói morto, e apresentou setenta esboços em menos de uma semana. Ganha a adjudicação do concurso e regressa a Madri, instalando-se na rua Agustín Querol, onde reúne um grande número de artesãos.[1]

Nunca existiu uma vinculação pessoal estreita entre o escultor e Francisco Franco, a designação de Ávalos resultou toda uma surpresa nas esferas acadêmicas espanholas, recebendo o próprio Franco vários escritos de círculos que se opunham à mesma conforme ao seu passado socialista. O próprio escultor conta que sua primeira relação com Franco teve lugar na citada Exposição de 1950, quando o ditador, visitando a mostra, parou diante da estátua que apresentava e comentou: Este é o grande escultor que a Espanha precisa.[1]

Ávalos quis renunciar ao projeto diante dos protestos, mas Blas Pérez González, Ministro da Governação, recomenda-lhe que se entreviste com Franco no Palácio de El Pardo. Nesta, sua última relação com o ditador, o escultor proporá uma obra de temática fundamentalmente religiosa, evitando qualquer alusão bélica, e em função disso no dia seguinte, promulgou-se um decreto pelo qual se acordava que na Basílica se enterrariam juntos mortos de ambos os lados.[1]

O orçamento, inicialmente fixado em 27 milhões de pesetas, reduziu-se a 9 milhões. O escultor reconheceu que, entre material, mão de obra e impostos, recebeu cerca de 300.000 pesetas.[2] Não obstante, o encargo abriu-lhe as portas a muitos outros. Décadas depois, o próprio escultor iniciou uma batalha legal contra a entidade Património Nacional por uma dívida de 50 milhões de pesetas em conceito de direitos de autor e de produção, que não lhe foram entregues.[1]

Obras e prêmios

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Em 1941, com sua obra Autorretrato, conseguiu a terceira medalha na Exposição Nacional de Belas Artes. Com a escultura Solidão, conquistou a segunda medalha na mesma exposição, no ano 1950. A primeira medalha conseguiu no ano 1957, com a obra intitulada Cristo jacente.[1]

Acerca da sua estética, Fernando Manzano escreveu que é «apreciado como um dos escultores espanhóis que maior paixão demonstrou pelo corpo humano»,[3] como se observa nos corpos do conhecido Mausoléu dos amantes de Teruel, ou nos cristos e piedades saídos do seu cinzel. Comentava com o mestre Joaquín Rodrigo que os dois eram operários das mãos, o primeiro golpeando esteticamente o teclado do piano e o segundo golpeando sobre a pedra até que saísse a obra bem feita.[1]

Desde 9 de junho de 1974 foi acadêmico de número da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madri.[1]

Em 1976, coincidindo com o bicentenário da Independência dos Estados Unidos, a Espanha presenteou esse país com uma estátua equestre de Bernardo de Gálvez, obra de Juan de Ávalos, que foi colocada na Avenida da Virgínia em Washington, em Washington D.C. A estátua está situada no Bernardo de Gálvez Memorial Park, junto à citada Avenida.[1]

Em 2 de setembro de 1980, em virtude da disposição transitória segunda da criação da Real Academia da Estremadura das Letras e das Artes (Real Decreto 1422/1980, de 6 de junho), Juan de Ávalos foi eleito acadêmico junto com o escultor Enrique Pérez Comendador e o escritor Pedro de Lorenzo. Em 22 de março de 1981 leu o discurso de ingresso e tomou posse da Medalha número 6 da Real Academia da Estremadura das Letras e das Artes, no Complexo Cultural San Francisco de Cáceres.[1]

Alguns conjuntos monumentais notáveis saídos da sua oficina são o dedicado a Os amantes de Teruel na mesma cidade de Teruel, que idealizou desde 1955 e que se custodia na igreja de São Pedro; em Santoña; Anjo da paz em Valdepeñas; Arco do Triunfo à Independência na República Dominicana; na paróquia de São Francisco de Barbastro pode-se contemplar a primeira imagem do beato cigano «o Pelé», realizada no final do século XX. O monumento a Fernando o Católico de Zaragoza data do ano 1969.[1]

Para o escultor Julio López, «a obra de Juan de Ávalos é magistral e sólida». Este artista apoiou o projeto de Ávalos para a escultura de São João Paulo II e sobre a obra do Vale dos Caídos manifestou que «se liga com a tradição de Miguel Ângelo e das esculturas centro-europeias».

Venancio Blanco afirma que «sua obra tem já um lugar 'importante' no marco da escultura contemporânea que reflete 'o modo que lhe tocou viver'». Há uns anos «recordou uma anedota na qual o escritor Miguel de Unamuno lhe aconselhou, antes da estreia de Medeia no teatro romano em 1934, que fosse fiel a si mesmo e tivesse amor pelos seus maiores, 'e isso é o que tenho feito, ser estremenho e amar o que meus pais me ensinaram'».[1]

No volume IV (1993) do Boletim da Real Academia da Estremadura das Letras e das Artes, da qual foi membro numerário, escreveu uma colaboração intitulada «A Espanha profunda: Ortega e Rocío Jurado». Nela conta como conheceu Ortega e a escultura que realizou por encomenda do reitor da Universidade Complutense de Madri, ao mesmo tempo que narra os avatares para cumprir a encomenda do alcaide de Chipiona para imortalizar a figura de Rocío Jurado.[1]

Monumento da Paz Vitoriosa, no topo do Cerro Lambaré, em Assunção, Paraguai; projeto de Juan de Ávalos.

Sobre o primeiro escreve: «Apresentou-me a dom José Ortega y Gasset em Lisboa, pelo ano 1944, meu grande amigo e depois companheiro na Academia de Belas Artes, o grande compositor Ernesto Halffter», e recorda que «foi na minha primeira exposição em Lisboa nas Belas Artes, onde Eugenio Montes fez a apresentação da mesma, inaugurando-a o embaixador, e ali estava o nosso incrível dom José, esbanjando engenho e simpatia». O editor do BRAEx anota que «Permiti-me encadear as duas realidades —Ortega y Gasset e Rocío Jurado— sob o título de A Espanha profunda, visto que o sucesso da cultura de um povo consiste na união do pensamento intelectual com a manifestação artística do génio intra-histórico». Quando o alcaide de Chipiona lhe encomendou o monumento para imortalizar Rocío Mohedano Jurado, Juan de Ávalos confessa nessa mesma publicação que «meu conceito teve base em que ela é uma fonte de emoções que com sua expressão e registos extraordinários chega ao espectador ou àqueles que se comunicam na intimidade com a grande alegria da sua esplêndida comunicação».[1]

Obras de Juan de Ávalos podem ver-se em Santa Cruz de Tenerife, Teruel, Barbastro, Zaragoza, Porto Rico, Leão, Oviedo, Guayaquil (Sagrado Coração), Havana (Homenagem a Cuba), República Dominicana (Esculturas Praça da Bandeira), entre outros lugares. Numa das praças de Esquivias (Toledo) ergue-se o monumento dedicado ao cervantista Luis Astrana Marín; e também uma estátua gigante de Cervantes. A estátua dedicada a Rocío Jurado na sua localidade natal. Em Benidorm (Alicante) pode-se contemplar o Monumento "aos mortos no mar" na praça da Senhoria, cujo terreno doara à Câmara Municipal o almirante Julio Guillén Tato o qual tem, na praça do Palácio do Viso del Marqués (Cidade Real), um busto com a factura de Ávalos. Em Burgos conservam-se a estátua equestre do conde Diego Porcelos (fundador da cidade) e o Monumento às Forças Armadas, ambos inaugurados em 1983. A cidade de Úbeda exibe na praça de Vázquez de Molina, em frente ao palácio homónimo, dois leões e na igreja de Mondragón um Cristo. Na Catedral de Madri custodia-se um Cristo Jacente devido à sua mão. Em El Espinar uma Piedade.[1]

No ano 1982, em Assunção do Paraguai, inaugurou-se sua obra conhecida como «Monumento da Paz Vitoriosa» no cume do Cerro Lambaré.[4]

Desenhou também joias, e se a Mariano Benlliure se deve o primeiro desenho da peseta depois da Guerra Civil, o último sob o franquismo deve-se a Juan de Ávalos.[1]

A obra de Juan de Ávalos também se pode encontrar na sua terra. Em Badajoz realizou o monumento a Covarsí e O herói caído que forma um conjunto com os originais em bronze dos quatro evangelistas, assim como a fonte ao Génio da Estremadura e as alegóricas A cidade e o rio e o Monumento aos estremenhos universais. Em Mérida, a grande estátua Aos emeritenses mortos nas guerras e a Homenagem aos arqueólogos da Porta da Vila, A Piedade no seu panteão familiar ou as imagens da Irmandade do Prendimento de Jesus e Nossa Senhora da Paz. Em Almendralejo, o Cristo crucificado que adorna a parede exterior da Igreja paroquial de Nossa Senhora da Purificação. Em Solana de los Barros, a igreja paroquial de Santa Maria Madalena exibe um Cristo em bronze, colocado em cima da torre do campanário. A paróquia de São Pedro de Alcântara da cidade de Cáceres mostra uma talha datada em 1967 com a figura do confessor de Santa Teresa de Jesus. O parque de El Rodeo da mesma cidade também exibe um monumento devido à sua mão. Em Llanes (Astúrias) na Basílica de Santa Maria do Conceyu, existe um passo processional em madeira intitulado do Cirineu, do ano 1959. Jesus Cristo, com um joelho no chão carrega com a cruz ajudado pelo Cirineu.[1]

No ano 1967, levou a cabo a construção do passo que corresponde à Segunda Queda de Jesus, para a Irmandade Juventude Antoniana que está exposto sempre na Igreja dos Capuchinhos, situada em Palma (Baleares)[1]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Bazán de Huerta, Moisés (1996). Juan de Ávalos: sua verdade criativa. Badajoz. Fundação Caixa de Badajoz.
  2. Biografias e Vidas. «Juan de Ávalos». Consultado em 2 de outubro de 2004
  3. «Uma exposição revisa no Parlamento da Estremadura a trajetória vital do escultor Juan de Ávalos.». 4 de maio de 2012
  4. «Entérese», artigo de Luís Verón para a revista ABC Color (Assunção), 30 de novembro de 2013. Ligação: https://www.abc.com.py/edicion-impresa/suplementos/abc-revista/enterese-644371.html

Bibliografia

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  • Mateo Avilés, Elias de (2001). A incompreendida solidão do escultor Juan de Ávalos. Málaga. Sarriá.
  • Olmeda, Fernando (2009). O Vale dos Caídos. Uma memória de Espanha. Editorial Península.
  • Trenas, Julio (1978). Juan de Ávalos. Prólogo de Luis María Ansón. Valência. Francisco Bargues Marcos (texto em espanhol, francês e inglês).

Outras referências

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  • Ávalos, Juan de (1993). «A Espanha profunda: Ortega e Rocío Jurado», no Boletim da Real Academia da Estremadura das Letras e das Artes, número IV, 1993, págs. 134-140.
  • Ávalos, Juan de (1998). «Com a vénia da mesa», no Boletim da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, n.º 87, 1998, págs. 63-66.
  • Ávalos, Juan de (2001). Juan de Ávalos, 90 anos de um clássico: exposição-homenagem. Almendralejo. Centro Cultural Conventual de Santo António, 20 de outubro-30 de novembro. Câmara Municipal de Almendralejo.
  • Correa, Feliciano (2006). «Juan de Ávalos, um ilustre canteiro».
  • Prados de la Plaza, Francisco (1998). «Escultura de Cervantes por Juan de Ávalos para Boston», no Boletim da Real Academia de Belas Artes de San Fernando, n.º 86, 1998, págs. 279-289

Ligações externas

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